Pinheiros e cardos das rotundas da Queijeira e dos Serradores secaram e populares acusam CM de Oliveira do Hospital de esquecer manutenção

O dia 24 de Abril ficou marcado em Ervedal e Vila Franca da Beira, no concelho de Oliveira do Hospital, pela inauguração de duas rotundas. O acontecimento foi realizado com pompa e circunstância. Contou mesmo com a presença de um secretário de Estado. Mas autarquia, que considerou aquelas obras emblemáticas para as duas localidades como homenagem a duas actividades importantes do concelho, está, quatro meses depois, a ser acusada de ter negligenciado a sua manutenção. Grande parte dos pinheiros que foram plantados na rotunda dos Serradores (Ervedal), elementos integrantes dos conjuntos decorativos instalados nessa rotunda, secaram. O mesmo aconteceu com os cardos colocados junto à Rotunda da Queijeira (Vila Franca da Beira). No seu lugar crescem agora fetos. A falta de rega é uma das causas apontadas pelos populares. A autarquia contactada pelo CBS não respondeu a qualquer das perguntas que lhe foram colocadas via e-mail.

“Depois da festa esqueceram-se e foi tudo abandonado e morto à sede”, atira um residente de Ervedal da Beira junto à Rotunda dos Serradores, um local onde já aproveitaram para brincar com aquilo que classificam de negligência por parte da autarquia e penduraram, há vários dias, um garrafão de vinho rotundasjunto à figura que representa os dois serradores para “que não lhes aconteça o mesmo”. “Vários pinheiritos “bonsai” (japoneses) vieram para ser ingloriamente mortos à sede nesta rotunda. Vá lá que alguém se lembrou de fornecer bebida aos serradores não lhes fosse acontecer o mesmo”, diz a mesma fonte num misto de gozo e lamento.

A explicação mais frequente para este caso terá sido a falta de uma rega adequada que ficou estabelecido que ficaria a cargo da Câmara Municipal. Há porém quem avance teorias bem mais peculiares. Um popular olha para os cardos ressequidos na rotunda da Queijeira aponta, em tom jocoso, uma justificação mais inusitada. “Para mim, estão a operar uma experiência. O cardo – cuja flor é utilizada tradicionalmente para a coalhada do leite para o queijo Rotundasde ovelha Serra da Estrela – é cara e, portanto, estão tentar substitui-la pelos fetos, bem mais baratos e que crescem, como se vê, sem grande trabalho”, refere com um sorriso.

O anterior presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca da Beira, João Dinis, não acha assim tanta piada à situação. Considera o caso inaceitável. “Não se pode aceitar que a Junta de Freguesia da União das Freguesias de Ervedal e Vila Franca da Beira e a Câmara Municipal, mesmo depois de serem alertadas, tenham deixado secar a maior parte dos pinheiritos da Rotunda dos Serradores e dos cardos da Rotunda da Queijeira que lá mandaram plantar e foram pagos, como elementos decorativos daquelas obras”, refere aquele elemento da CDU que já apareceu em várias fotos distribuídas nas redes sociais de regador na mão a deitar água às plantas. João Dinis, porém, considera que existe ainda uma situação mais grave que, no seu entender, coloca em causa a segurança da circulação rodoviária. “Continua a não existir iluminação pública na Rotunda da Queijeira, uma falha que é perigosa e pode causar, à noite, acidentes rodoviários nessa rotunda”, frisa, apelando à Junta de Freguesia e Câmara Municipal resolvam estas situações, bem e rapidamente.

“Iluminação da Rotunda da Queijeira está garantida”

O actual presidente da União de Freguesias de Ervedal e Vila Franca da Beira, por seu lado, garante que tem acompanhado o caso. Carlos Maia assegura que a situação terá de ser reparada, mas acredita que a seca dos pinheiros não se ficou a dever à falta de tratamento. “Já falei sobre o assunto e sei que a Câmara Municipal que tinha a responsabilidade de efectuar a manutenção tem regado os pinheiros”, explica. Admite que a regra, devido às fortes temperaturas que se fizeram sentir não tenham sido as suficientes, mas está mais inclinado para que a “morte” dos pinheiros tenha a ver com a qualidade da terra que foi colocada no local. “Não controlei as regas, mas vi regar várias vezes e estou em crer que o problema tem mais a ver com a qualidade do solo que lá foi colocado. Se reparar há pinheiros que estão bem e outros secos. É algo intrigante”, continua este autarca para quem a colocação do garrafão se deve “à boa disposição característica das gentes locais”. “Não passa de uma brincadeira”, remata.

rotundasJá no que respeita aos cardos, Carlos Maia admite que esta pode ser uma situação natural da planta que volta a rebentar quando vierem as chuvas. “Pelo que sei é normal ficarem assim. Mas se não voltarem a nascer certamente que a autarquia os irá substituir”, frisa, ao mesmo tempo que diz ter garantias que a rotunda [que surge após uma curva] irá ser iluminada. “Temos consciência de que a situação não é a melhor e tenho a garantia que a Câmara Municipal está a tratar de resolver o assunto. Só que estes casos levam o seu tempo. Mas a iluminação está garantida”, sublinha.

A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital não respondeu a qualquer das perguntas sobre este assunto colocadas pelo CBS. Não forneceu qualquer explicação para os pinheiros terem secado, tal como os cardos, nem qual o projecto para colmatar o problema e, a existir, para quando a sua aplicação. Também não referiu se está de facto prevista e para quando a iluminação da Rotunda da Queijeira.

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  • Guerra Junqueiro

    Será o “nemátodo Japonês” que matou os pinheiros e os cardos? Não tivesse chovido e íamos ver acontecer o mesmo aos outros.

    Cumprimentos
    Guerra Junqueiro

  • António Lopes

    O pessoal e o dinheiro, não podem estar em todo o lado.Ou estão a armar barracas e a gastar o dinheiro bem gerido do aluguer e das lonas, ou estão a regar as rotundas.Quem os manda há muito definiu as suas opções. Estão a reclamar de quê? O que é lá isso comparado com umas falácias, na TV a dizer que somos os melhores de todos, em tudo..!

  • Vermelhão

    A isto, chama-se diversidade. Provavelmente temos as rotundas do País com maior diversidade na sua flora. Quem sabe o que vai nascer no futuro. Com esta Câmara e porque não se regam plantas com foguetes, provavelmente seria melhor plantar cactos. Não tinham grande problema com a rega, e na minha opinião, seriam o melhor espelho dos seus autarcas. Um conjunto (para não dizer outra coisa) de seres vivos, secos como um deserto.

    • António Lopes

      “Vermelhão”: Bem visto.É verdade, há que reconhecer que temos elevada cultura democrático/profissional. Temos as ovelhas no Seixo.As queijeiras e os serradores no Ervedal. Os Bombeiros em Lagares.Os empresário, o cavaleiro e o pastor, em Oliveira.Temos as “virgens” na Bobadela. Antigamente, evidenciavam-se mais as personalidades.Não discuto.Mas que homens como o Conselheiro Cabral Metelo,Aurélio Amaro Dinis,Josefina da Fonseca,Sara Beirão Viscondes do Ervedal,Doutores Marques Antunes, pai e filho e mais uns quantos Oliveirenses distintos,mereciam outra atenção.Mas pronto.Opções…NO caso Cabral Metello não sei como é possível tanta passividade tanto desleixo tanto desrespeito…

      • Vermelhão

        Todos esses nomes de grandes Oliveirenses, nada diz a este tipo de pessoas. Estão a guardar os trocos para a família Campos. Disseram-me ao ouvido que a Câmara queria fazer uma praça de touros. Mas com a contestação abandonaram a ideia. E parece que querem fazer alguma coisa, mas não sabem o quê. Acho que, e como a BLC3 é um sucesso mundial, não só pelo pouco que fez, mas mais por ter conseguido um produto que olhando-se de um lado é transparente e do outro é opaco, querem criar e dar nome pomposo à BLC4. A dúvida é operacional: a sede em Oliveira e a sede executiva em Cascais.

        • andicor

          Praça de touros?! Quem teve uma ideia dessas devia levar uma daquelas cornadas e ser varrido para sempre da vida política.

  • oculum

    ego et imperator — o imperador sou eu !

    É uma espécie de complexo de imperador (de arremedo),esta desadequada, por perigosa, mania de instalar conjuntos escultóricos em rotundas rodoviárias.

    Sim, vem dos esclavagistas romanos essa forma de afirmação do império e do primus inter pares (primeiro entre pares) que era o imperador de turno, afirmação que consistia em mandar instalar monumentos em rotundas dentro das suas cidades ou mesmo em estradas principais… E os césares dos romanos esclavagistas faziam isso com a mesma facilidade com que mandavam instalar as cruzes com os crucificados ou as estacas com os empalados nas mesmas estradas principais. Ave Caesar morituri te salutant ! Avé ó César, os que vão morrer te saudam ! – diz-se que gritavam os gladiadores na arena, virados para o imperador esclavagista, antes de se matarem uns aos outros…

    Complexo de imperador, portanto, esse que se manifesta nas rotundas, ornamentadas à nossa custa, de Concelhos hoje presididas por bacocos paridos pelo novo-riquismo das avariadas finanças municipais. É isto !

    Oculum