Plano Municipal para a Igualdade propôe-se alterar comportamentos até 2015

Em Oliveira do Hospital existe, desde a passada sexta feira, um plano municipal destinado a alterar comportamentos e a promover a igualdade de género. Trata-se do Plano Municipal para a Igualdade com vigência até 2015 e  cujo êxito vai ser avaliado pela ESTGOH.

Depois de instituído o Dia Municipal para a Igualdade, criada a linha de apoio a vítimas de violência doméstica e nomeada a conselheira municipal para a Igualdade – a escolha recaiu sobre Maria Teresa Gouveia Serra – a autarquia oliveirense deu novo passo em frente no âmbito do projeto “Igualdade Local, Cidadania responsável” e apresentou o Plano Municipal para a Igualdade.

“Com o plano queremos que haja continuação de alteração de comportamentos”, explicou o vice-presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital na sessão de apresentação do plano e que possibilitou à autarquia assinalar, pelo segundo ano consecutivo, o Dia Municipal para Igualdade, que propositadamente coincide com o dia de solstício de verão, 21 de junho, sob o lema “o sol quando nasce é para [email protected]”. “Queremos mais participação igual de homens e mulheres. A vida comunitária só tem a ganhar com participação igual de todos e todas”, continuou José Francisco Rolo.

Também vereador da ação social na autarquia oliveirense, o responsável abriu assim a porta à apresentação de um plano que versa sobre um tema que “não é fácil”, mas que o município oliveirense conseguiu “colocar na agenda do concelho”. “Este não é um tema menor, nem acessório”, considerou ainda José Francisco Rolo que apesar de certo da vigência do projeto apenas até 2015 entende que o mesmo não deve ser interrompido. “Queremos dar continuidade ao projeto em ligação com as escolas, segurança social, sociedade civil e criar um movimento de transformação de comportamentos”, prosseguiu, contando que uma das próximas ações a realizar versará sobre “violência no namoro”.

Desenhado para um espaço temporal de dois anos, o plano Municipal para a Igualdade resulta de um diagnóstico efetuado ao estado do concelho e que, entre outros aspetos, aponta para o desemprego maioritariamente feminino, mulheres com baixas qualificações literárias, aumento do número de situações de violência, sendo este último ponto responsável pelos sete casos de violência doméstica acompanhados pelo projeto de base social. Na prática, o novo instrumento municipal pretende trabalhar diretamente nas áreas da educação, saúde, desporto e cultura, vida profissional, social e familiar e inserção social. “Não queremos fazer um documento todo bonito para ficar arquivado na estante, queremos um plano para além da reflexão, que seja operacional responda a problemas concretos e possa ser usado como ferramenta diária ”, explicou José Francisco Rolo, contando que o trabalho desenvolvido no âmbito do plano vai ser monitorizado pelo “Fórum para a Igualdade” e o seu êxito avaliado pela Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital.

Ao lado da autarquia na promoção da igualdade de género, Teresa Gouveia Serra reafirmou os seus ideais em torno da igualdade de oportunidades. Uma postura também assumida por Helena Berardo que se posicionou a favor do Plano Municipal para a Igualdade na condição de feminista assumida. “Sou feminista e sê-lo não é ser contra o sexo masculino. É querer usufruir do direito do ser plenamente humano”, referiu, lamentando que apesar de tão apregoada, a igualdade de género continuar a não ser praticada. Em concreto, Helena Berardo apontou o dedo às 40 mulheres que, em 2012, morreram vítimas de violência doméstica. Para a assumida feminista que convidou a uma olhar sobre a história para constatar que na atualidade pouco mudou, o caminho a seguir é o da “Educação”, porque lembra “a educação ajuda a pensar e pensar dá poder”.

Cristina Vieira, da Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra, valeu-se dos vários estudos que tem desenvolvido na área da igualdade de género para constatar que “as pessoas ainda são avessas a que a igualdade se concretize”. Uma realidade que, entende a especialista, só é possível de ser ultrapassada quando se encarar a igualdade de género, como uma igualdade de oportunidades e não de características. Para tal, a psicóloga também considera determinante a “independência económica das mulheres”.

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  • Sónia

    uma das razões que levam a que na actualidade pouco tenha mudado é precisamente porque se continua a “apontar o dedo” a vítimas e não aos agressores.

  • opraeles

    Senhor Lopes dizem que o Beira Serra vai pra cambra que o Barreto já lá está para isso?A maioria foi para isso?