Promiscuidades… No Portugal de hoje, são cada vez mais os sintomas do empobrecimento da vida e da vivência democráticas. A nível nacional e a nível local.

Pobre democracia…

Nada de admirar, entretanto, tendo em conta a degradação a que assistimos da vida económica, social, política e cultural. Com a predominância dos grandes grupos económicos que trazem “ pela arreata” o poder político dominante a começar pelo (des)governo PS. Veja-se agora o caso da promiscuidade escandalosa entre a maior empresa (privada…) da construção civil – adjudicadora de várias das maiores obras públicas – e que agora vai nomear como “chefe” um conhecido político, ex-governante, membro destacadíssimo da direcção do PS e um daqueles elementos que costuma falar “grosso” em comícios de todo o tipo… Afinal, mais um caso que mostra a verdadeira natureza dos partidos que têm alternado nos (des)governos, e do tipo de autênticos “executivos” que têm fornecido ao grande capital quando se assolapam nas cadeiras do poder público.

As eleições para a concelhia local do PSD

 

Para além dos sucessivos “factos políticos” a que tais eleições têm vindo a dar azo, atente-se no respectivo processo preparatório. Sucessivas notícias vão dando conta dos grandes “números” de novos recrutamentos e de recuperações de “militantes” por iniciativa de cada uma das duas facções que disputam a direcção concelhia nas eleições marcadas para 12 de Abril. Depois, alguns dizem, farisaicamente, que tais processos são sintoma da “democracia interna” do PSD local. Eu cá, prefiro chamam-lhes os nomes por que devem ser chamados:- arregimentações de “militantes” como “carne para canhão” na batalha eleitoral. Os “chefes” e candidatos a “chefes” portam-se como autênticos caciques e utilizam todos os expedientes possíveis.

Utilizam os pequenos, médios e grandes “poderes” de que dispõem para influenciar os “companheiros” de ocasião para assim obterem votos no acto eleitoral. A seguir à contagem dos votos, é “tchau, tchau” e até à próxima que por agora já não precisamos mais de vós… Acontece que, nesta refrega interna, já se está também a jogar muito daquilo que se vai passar, a nível do PSD, nas listas para as próximas eleições autárquicas em 2009…quem poderá vir ou não a ser candidato a Presidente da Câmara e a Vereador. Ou seja, pode dizer-se que há quem esteja a fazer um forte “investimento” pessoal nesta contenda…

Entretanto, alguns são também os actuais Presidentes de Junta eleitos pelo PSD que aparecem numa das listas de candidatos e mais ainda são aqueles que a apoiam. Sendo óbvio que estão no seu direito, todavia também é legítimo questionar acerca das possíveis motivações para tamanho envolvimento partidário. Ou seja, uma das listas candidatas contém em si própria alguns germes pouco democráticos e ainda menos transparentes assim ao jeito de “agora apoio-te eu a ti nestas eleições para a concelhia para que tu me apoies, a mim, como Presidente de Junta”… Sim, sabemos o que pode significar este tipo de posicionamentos. Mas então, e as outras Juntas de Freguesia??…

Mais uma rotunda enviesada…

Para cortar eventuais especulações típicas de certos “confusionistas militantes”, começo por dizer que prezo muito, mas muito mesmo, a memória e a obra de Manuel Serra, assim como reconheço o mérito dos Bombeiros. Portanto, é justo homenagear um e outros. Ora, a propósito de os homenagear, a Câmara Municipal resolveu enveredar por mais uma rotunda citadina e nela fazer enxertar mais um conjunto escultórico e decorativo, “de regime”, produzido pelo “artista único” ao seu serviço.

E, ao que se sabe, são mais cerca de 150 mil Euros… Assim, dentro da área urbana da Cidade e “só” em quatro rotundas do estilo, já lá está “enterrado” na ordem de um milhão de Euros do nosso dinheirinho. Um manifesto exagero sobretudo quando nós continuamos a sentir grandes dificuldades económicas e de todo o tipo. Mas o mais grave é esta continuada tendência da Câmara – ou de alguém por ela – para apenas entregar obras ao “artista único” (mas será que não há mais artistas em Portugal ??… ) e para assim impor uma estética urbana “de regime”.

Trata-se, e repito, de um dos piores sintomas da falta de transparência e de abuso contra a democracia cultural (e política) perpetrados pelo poder discricionário em Oliveira do Hospital. Por isso, estranho, muito estranho mesmo, é já o silêncio “ensurdecedor”, sobre este mesmo assunto, a que se remetem determinados círculos políticos e intelectuais radicados no município de Oliveira do Hospital. Pessoalmente, estou convencido que Manuel Serra estaria hoje muito crítico e exigente quanto a toda esta situação.

 

João Dinis (Autarca da CDU – Oliveira do Hospital)

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