Polícias invadem escadaria da Assembleia da República (Com vídeo)

Organização diz que foi a maior manifestação de sempre. Pela primeira vez os polícias do sector da segurança interna participaram em conjunto numa manifestação, em protesto contra os cortes previstos no orçamento. Em frente à AR, o ambiente foi de tensão. (Veja o vídeo aqui)

Faltavam poucos minutos para as 21h00, quando os manifestantes em protesto conseguiram furar o cordão dos polícias que os impediam de entrar na escadaria da Assembleia da República (AR). Já antes os ânimos se tinham exaltado, com muitos dos polícias a gritarem “invasão”. Apesar dos apelos à calma da organização, o Corpo de Intervenção foi chamado. “Temos família”, gritavam os profissionais em protesto.

Apesar de o ambiente ter acabado por serenar, a tensão foi visível, com manifestantes a empurrarem as grades, que acabariam por ser recuadas, tendo os profissionais, que protestam contra os cortes previstos no Orçamento de Estado (OE) 2014, acabado por conseguir subir a escadaria.

O presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) e secretário-Geral Comissão Coordenadora Permanente (CCP) dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança, Paulo Rodrigues, recusa a ideia de que os colegas que estavam a garantir a segurança tivessem facilitado o acesso e considera que foi uma “ação simbólica” e “espontânea”, que expressou “um estado de revolta” contra a governação do país. “O Governo tem de analisar muito bem o que aconteceu aqui. Não só a atitude simbólica de entrar nas escadas da AR, mas também pela mobilização”, afirmou.

A organização disse que esta foi a maior manifestação de sempre do setor e avançou que terão aderido ao protesto cerca de 12 mil profissionais. “Esta manifestação tem a particularidade de juntar todas as polícias que representam o setor da segurança interna. É uma situação inédita. Pela primeira vez chegamos todos à conclusão que há aqui uma tentativa de destruição das forças policiais, que acaba por ser uma irresponsabilidade”, afirmou, acrescentando que as políticas do Governo estão não só a “degradar” o funcionamento das instituições como “vão ter um impacto extremamente negativo na segurança dos portugueses”, podendo “comprometer a qualidade da segurança pública”.

A marcha foi do Largo de Camões até à AR, onde se pediu a demissão do Governo e onde também se ouviram alguns petardos. No meio da confusão, pelo menos duas pessoas caíram, tendo sido ajudadas pela organização e pela segurança.

O secretário-geral do Conselho Europeu dos Sindicatos de Polícia, Gérard Greneron, que esteve na manifestação, garantiu que vai levar as preocupações do sector ao Conselho Europeu: “A partir desta noite, este problema passa de uma dimensão nacional para uma questão de dimensão europeia”, disse, garantindo que vai pressionar as instâncias europeias para que adoptem “uma posição favorável” em relação às reivindicações destes profissionais.

“Polícias unidos jamais serão vencidos” e “Passos escuta, os polícias estão em luta” foram algumas das frases que ecoaram pelas ruas de Lisboa. Enquanto esperava por colegas, que partiram de todo o país, João Ceriz, de 55 anos e agente da PSP há 30, explica que está ali porque, desde que “entrou aqui a troika” só tem perdido direitos e dinheiro.

A manifestação foi organizada pela CCP dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança, e contou ainda com a presença dos inspectores da Polícia Judiciária e elementos das polícias municipais.

Com: publico e TVI

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