Pólo Industrial da Cordinha continua deserto e proprietário de terrenos ameaça levar Câmara a tribunal por falta de pagamento

Pólo Industrial da Cordinha continua deserto e proprietário de terrenos ameaça levar Câmara a tribunal por falta de pagamento

Um dos proprietários dos terrenos onde está instalado o Pólo Industrial da Cordinha, em Aldeia Formosa, Seixo da Beira, perdeu a paciência com a Câmara Municipal que, alegadamente, tarda em lhe pagar os terrenos onde se situa parte do empreendimento. António Coelho diz que já aguardou tempo demasiado pela resolução do problema. Recentemente, enviou uma carta à autarquia, na qual exige o pagamento da quantia acordada, no prazo de 60 dias. Se nesse período de tempo não receber uma resposta, garante que irá avançar com uma acção judicial contra o Município, na qual irá pedir “juros, uma indemnização por invasão de propriedade e de realizarem loteamento sem autorização”. Aquela zona, recorde-se, deveria acolher várias empresas. Passou por vários autarcas e foi uma das bandeiras eleitorais do actual presidente da autarquia José Carlos Alexandrino nas duas últimas eleições. Mas nenhum projecto se instalou ainda no local.

António Coelho diz que comprou os terrenos em 1999, muitos deles a herdeiros que se encontravam no Brasil. Quando deu conta, explica, tinha o espaço loteado pela Câmara, sem que nada lhe tivesse sido dito. Mais: teve conhecimento que os lotes estavam à venda. “Um dia falei com o presidente José Carlos Alexandrino e disse-lhe para não vender aquilo que não era dele. Garantiu-me que o problema se ia resolver. Numa reunião, acordámos que me pagariam 10600 euros. Fui esperando e nada. Voltei à Câmara e disse-lhes que tinham de tomar uma decisão. Para evitar problemas até baixei o preço para seis mil euros. Nem assim me deram qualquer resposta”, conta António Coelho, assegurando que, desta vez, “tudo será resolvido de uma maneira ou de outra”. Quando lhe referimos que o loteamento foi feito ainda no período do ex-presidente Mário Alves, responde que o autarca na altura não tinha conhecimento de que os terrenos eram seus, mas que tudo seria facilmente resolvido. “Só que ele depois saiu da Câmara”, remata.

Pólo Industrial da Cordinha continua deserto e proprietário de terrenos ameaça levar Câmara a tribunal por falta de pagamentoAlém de não conseguir captar empresas, o espaço está a deixar muita gente insatisfeita. Duas delas são os sócios Mário Albernáz e José Lameiras Pereira. Compraram, em Barcelos, a estrutura do único pavilhão que se encontra no local para construírem uma carpintaria. Quando procuravam um espaço para o instalar, foram contactados pela autarquia a fim de se instalarem no Pólo. Aceitaram. Após acordo com a câmara, venderam a estrutura ao empreiteiro que estava a realizar a obra, na condição de, posteriormente, esta lhes ser alugada com opção de compra. “A proposta passava por pagarmos uma renda que depois seria deduzida no preço final da aquisição definitiva da estrutura. O pavilhão foi construído e nunca mais nos disseram nada. Não sabemos o que se passa e andamos nisto há três anos”, conta Mário Albernáz que já contactou a autarquia, mas a única resposta que recebeu foi que “não existia orçamentação para concluir a obra”. Fartos de esperar, alugaram outro espaço. “O mais caricato é que nós não pedimos nada, foram eles que vieram ter connosco”, remata.

A população local não está satisfeita com o que se está a passar. Dizem-se fartos de promessas. O local já é alvo de piadas. Dizem que dentro do pavilhão deve estar escondido o avião Boeing 777, da Malaysia Airlines, que desapareceu em Março sem deixar rasto, com 239 pessoas a bordo. “É uma vergonha, é um elefante branco. Não há palavras. Há 20 anos que andamos nisto, todos prometem e ninguém faz nada. A Câmara diz que tem candidatos, mas parece-me que nunca chegam ao papel, ficam pelo telefone”, conta o presidente da Junta de Seixo da Beira, Carlos Batista, para quem o mais irritante é que em todas as campanhas eleitorais as promessas se repetem. “As pessoas estão irritadas, claro, porque se repisou a mesma conversa ainda antes destas últimas eleições. O resultado é aquele pavilhão, sem janelas, nem nada. Não há empresa nenhuma lá. Sentem-se enganadas”, sublinha.

A autarquia garante que está tudo em condições. O vice-presidente, Francisco Rolo, explicou ao Correio da Beira Serra que existem lotes para atribuir e interessados. “O problema é a falta de capacidade de investimento privado. A Câmara até já criou melhores condições na atribuição de lotes, mais vantajosas, baixando o preço. Já foram atribuídos alguns, agora só falta a parte referente ao investimento privado. Também houve outros lotes que foram atribuídos e depois os empresários perderam o interesse”, conta este autarca, enfatizando que qualquer projecto apresentado à Câmara e que seja aprovado tem todas as condições para avançar e começar a laborar. Esta versão é confirmada por Carlos Coelho, proprietário de uma padaria e que tem um lote adquirido há três anos. Explica que só ainda não avançou, porque não tomou uma decisão definitiva. “Não tenho conhecimento de que exista qualquer impedimento, poderei avançar assim que entender”, conta. Por explicar, porém, fica o caso do pavilhão já existente.

Francisco Rolo garante que a autarquia tem ideias para dinamizar o local. Como a construção de pavilhões que Pólo Industrial da Cordinha continua deserto e proprietário de terrenos ameaça levar Câmara a tribunal por falta de pagamentoalberguem, na mesma estrutura, empresas com actividades completares. “Será feito desde que exista disponibilidade financeira. Espero que o novo Quadro Comunitário de Apoio dê essa hipótese às autarquias: a possibilidade de desenvolverem zonas de acolhimento industrial ”, conta.

Considerando que Oliveira do Hospital até está melhor que o resto do país em termos de emprego e de investimento, Francisco Rolo aponta o dedo ao Governo que não cumpre a sua parte, nomeadamente na criação de acessibilidades. “Têm uma dívida moral para com estes empresários que têm feito muito. Falta a conclusão do IC6 e o IC7 com ligação à A25. Essas lacunas, aliadas à crise existente em todo o país, é que são factores inibidores do investimento”, conta, adiantando que o Governo terá de pensar numa redução do IRC para os territórios com menor densidade populacional, como é o interior. “Só a Sonae tem um projecto de investimento de 50 milhões de euros para Oliveira do Hospital”, frisa.

No que respeita à carta enviada por António Coelho, o vice-presidente, numa conversa inicial, disse desconhecer o assunto. Mais tarde, contactou o CBS a confirmar que, de facto, depois de se informar, teve conhecimento que existia um problema. “Esse caso já se arrasta desde os mandatos de Carlos Portugal e Mário Alves. Tem existido um esforço do actual presidente para solucionar o problema e apresentou no anterior mandato uma proposta que não passou na reunião de Câmara. Não houve acordo”, diz.

O genro de António Coelho não confirma que seja exactamente assim. Manuel Simões diz que como existia uma boa relação no tempo de Mário Alves foi feito o loteamento. Posteriormente, o ex- autarca, que se recusou a prestar declarações ao CBS, perdeu as eleições para José Carlos Alexandrino. Foi com o actual presidente que o proprietário dos terrenos terá firmado um acordo de venda. “Pouco depois, recebemos uma carta a dizer que não podia ser o preço combinado”, conta.

Mário Alves, na oposição, ter-se-á oposto aos preços acordados. Segundo uma acta de Julho de 2013, foi mesmo confrontado pelos proprietários que o questionaram na rua sobre a sua posição. No documento, pode ler-se que Mário Alves explicou aquilo que havia dito: “Ou seja, que no meu entender o preço era excessivo e que, tendo em atenção os critérios que tinham sido adoptados na aquisição dos outros terrenos, deveria ser aplicado o mesmo critério, com os referenciais da actualização da inflação”. A seguir, no mesmo documento, o antigo presidente sublinha que a pessoa que o interpelou teria conversado com alguém próximo de José Carlos Alexandrino e que terá sido essa pessoa a colocar a sua oposição como impedimento para a proposta avançar. “Perante esta afirmação vi-me na necessidade de dizer… que eu apenas tenho um voto e os outros são seis, ou seja se os seis defenderem uma proposta diferente de um é a de seis que mais vale”, lê-se na acta.

Pólo Industrial da Cordinha continua deserto e proprietário de terrenos ameaça levar Câmara a tribunal por falta de pagamentoNum outro documento, Mário Alves diz-se arrependido por ter concordado com o concurso para arrendamento do pavilhão adquirido aos sócios Mário Albernáz e José Lameiras Pereira. “Tenho de o dizer aqui e assumo publicamente que me sinto envergonhado”, consta numa acta de Setembro do ano passado. “A Câmara devia ter feito um pavilhão que pudesse servir de modelo, ter todo o espaço arranjado, ter uma vedação à volta do lote e ter pavimentado pelo menos o acesso à porta principal”, acrescentou. José Carlos Alexandrino concordou com estas observações, acrescentando que o pavilhão não tem ainda energia eléctrica, mas que “já foram solicitados dois orçamentos para executar obras de melhoria e beneficiação”. Só que, aparentemente, nem estas obras foram realizadas.

O processo do Pólo Industrial da Cordinha terá começado a ser pensado pelo Pólo Industrial da Cordinha continua deserto e proprietário de terrenos ameaça levar Câmara a tribunal por falta de pagamentoantigo presidente César de Oliveira. Passou por Carlos Portugal e Mário Alves. Este último terá feito avançar o projecto com a aquisição dos terrenos e os loteamentos. A Zona Industrial foi depois apadrinhada por José Carlos Alexandrino, na sua primeira candidatura, transformando-a, na altura, em Pólo Tecnológico. Em Janeiro de 2011, parecia tudo bem encaminhado. A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital procedeu junto de duas empresas – Sociedade Alperkan Lda e Sociedade Carlos Alberto Coelho Lda – à assinatura das escrituras de atribuição de dois lotes. “Acredito que estas empresas vão ter um efeito multiplicador”, afirmou na altura, durante a cerimónia, que decorreu em Seixo da Beira, o presidente José Carlos Alexandrino, considerando que o problema do pólo foi a “falta de arranque”. O resultado não foi o que esperava. Na segunda campanha, foi mais modesto e passou a designar o espaço por Pólo Industrial. Só que, após todo este tempo e todas estas definições, continua sem uma única empresa.

 

 

 

 

 

LEIA TAMBÉM

Capoula Santos apresentou em Oliveira do Hospital novas medidas de apoio aos agricultores afectados pelos fogos

O Ministro da Agricultura apresentou, ontem, em Oliveira do Hospital, as novas medidas de apoio …

O “Ciclone de Fogo” varreu aquela noite que o foi de (quase) todos os medos… Autor: João Dinis, Jano

Naquela noite de (quase) todos os Fogos e de (quase) todos os medos, morreu Gente …

  • Senhora da Agonia

    Se fosse uma “festinha” ao tempo que estava feita…Não falhava nada.Ofereceram o pavilhão, agora falta orçamento…andam para resolver ,acertam um preço depois dizem que não pode ser.Era Pólo Tecnológico acabou-se a tecnologia.O tempo é para conferência de imprensa de festas,move-te, mexe-te concursos das compras de Natal e Páscoa. Pensar nestes assuntos, resolvê-los “tá keto”. Há centenas de milhar para festas e não há 6 mil para pagar ao homem? Não há orçamentos porquê? Passam tanto tempo lá ao lado nas jantaradas e almoçaradas, não têm um bocadinho para pensar o futuro..? Isto é mesmo uma agonia.

    • Votou neles, agora aguente-os

      O que quer?
      A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital transformou-se na maior agência de eventos do interior centro.
      Empreendedorismo, tecido empresarial, etc, para eles é grego. Do que sabem é de festas e estoirarem o dinheiro que é nosso, não é deles.

  • Três Anos???

    Três anos à espera para lhe entregarem o armazém??? Foram-se embora.Claro!!! O Rolo e a lenga lenga dos ICs é que é um gozo. Há três anos quem é que era governo? E quantos anos o foram? Não os fizeram porquê? Não mudes o discurso que vais longe.

    • Assurancetourix Das Beiras

      Acerca desse assunto, eis a opinião do Bardo: no anterior governo, tínhamos um Secretário de Estado das Obras Públicas e uma Ministra do Ambiente naturais do Concelho. Acabámos com uma estrada a meio de um pinhal. União perfeita! Digam lá que não faz sentido…

  • PIC

    Não percebo porque é que esta zona industrial não funciona.
    Pensada, segundo dizem por o crânio socialista César de Oliveira. O Homem não queria que a estrada que alcatroou não tivesse uma zona industrial. Então uma ligação estrondosa como é a Nelas-Oliveira podia lá passar sem uma zona industrial? A região fervilhava com industriais. Ajudou-o a ganhar a câmara.
    Depois veio o desportista Carlos Portugal, e toca a desbravar terreno, se o César tinha dito mate-se, o Portugal avançou logo com esfole-se, e como também tinha prometido ás pessoas do Seixo, vai de meter as máquinas e alisar terrenos. Tivemos a sorte de se ter ido embora e entregado as chaves ao Mário Alves, que em vez de a fechar, manteve-a e quando se preparava para o terceiro mandato também foi no jogo das promessas, e preparou todas os infraestruturas, nessa altura já o Alexandrino, via ali um Polo Tecnológico de última geração, e graças a isso, teve a maior votação até então do PS no Seixo, entregando-lhe o Batista as chaves da Câmara.
    As festas e romarias não lhe deixaram tempo para tratar da tecnologia do Polo, e com o medo de “não se sabe bem o quê” vai de começar a prometer pavilhões a quem lá se quisesse, como mesmo assim não ia para lá ninguém, aqueles conterrâneos, caíram-lhe do céu com um pavilhãozinho pronto a ser aplicado, mesmo na altura da campanha. Então, não vai de modas, foi protocolos para a esquerda, entrevistas para a direita, fotografias nas assinaturas. Bem parecia que aqueles empresários já tinham a produção toda escoada.
    A verdade é só uma, aquilo estava bem melhor com pinheiros do que como está, sem a necessidade de terem dado arrombos na vida de terceiros.

  • Aparece ou não

    Ai aquilo é um Polo Industrial?
    Pensei que fosse a capela da Nª Sª das Aparições
    E que estivessem à espera que aparecesse.
    Pelos vistos não aparece.

  • Perguntar não ofende

    Com um Polo tecnológico na Cordinha, com a BLC3 devidamente equipada com material de ponta na ACIBEIRA, pergunto: Quando e onde uma base da NASA cá para o concelho?

  • Guerra Junqueiro

    “É uma vergonha, é um elefante branco”, afirma Carlos Batista.
    Mas afinal onde está o paquiderme Sr Presidente Batista que ninguém parece vê-lo?
    A verdade, é que é mesmo uma vergonha,…..mas triste.

    Cumprimentos
    Guerra Junqueiro

  • Combate

    Pois.. O Sr.Presidente sempre foi “derrancado” para as festas!!! Disseram-me que, aqui há uns anos, quando andava neste “tirocínio” lá pela Cordinha, que convidou a Daniela Mercury. Parece que a coisa correu mal e como era a meias com O FCOH, foi o Mário Brito que ardeu!!! Disseram-me não sei se foi assim… Agora, não há problemas. Convidam-se os amigos para almoçaradas e jantaradas, convidam-se os artistas, dá-se uma de campeão e, nós, pagamos!!! Depois, uns beijinhos e umas fotos e está tudo resolvido..! Acho muito bem. Para parvos, parvo e meio. Gozem e paguem, povoléu !!! Não dá para perceber o embuste..?

  • JPCRUZ

    MAis um elefante branco dos executivos autarquicos PSD-CDS e PS ja não bastava o parque subterrâneo que ainda por cima querem por apagar se á borla ja não enche

    quanto mais a pagar , depis o parque do mandanelho centenas de milhares de euros investidos para nem sequer ter rega autocomática.

  • neromotocross

    Se nao fosse a zona industrial da cordinha onde se fazia o TT Duas Antas??
    Para alguma coisa serve…….

  • Não pára

    Ameaça,

    Isto num sitio a sério não havia ameaças, cumpria-se.
    Aquilo está e morrrerá assimm aliás a vantagem das obras do Alex que são festas têm uma vantagem, aconteceu e pronto não fca nada, a não ser contas para pagar que se lá vão dissimulando nos orçamentos e ninguém diz nada.

    Aliás este Presidente ficará como o presidente das festas isso não haja dúvida, e preparem-se pois o próximo candidato do PS á Câmara é nada mais que o Bizu, isso então vai ser só rir.

    Adoro o meu concelho isto têm sido anos de brincadeira, quem não gosta. Já dizia o outro brica com o meu brinco.