1. Estamos quase a chegar ao fim da Primavera, mas os dias continuam cinzentos, como cinzento deverá continuar Portugal. O país está deprimido, como deprimida está a economia.

Os combustíveis estão a um preço já proibitivo para muitas famílias portuguesas; as elevadas taxas de juro continuam a engordar a banca e a asfixiar os portugueses; os impostos são um fardo cada vez mais difícil de carregar e, como há dias escreveu Nicolau Santos no Expresso, também eu e muito boa gente teme que o Governo “chegue às eleições com uma situação económica quase tão má como quando chegou ao poder”.

O problema é que, conforme sublinhou também Nicolau, “não era isto que estava previsto pelos estrategas de S. Bento”.

Portugal Cinzento

2. A escalada de preços nalguns dos bens mais essenciais – como a alimentação, a água e a energia eléctrica –, retira margem de manobra financeira a milhares e milhares de famílias. Principalmente, às mais numerosas. Hoje, para muitos casais, ter um filho é quase um comportamento de risco que pode degenerar em problema social. Educá-lo e conduzi-lo às auto-estradas do conhecimento – o ensino superior –, é cada vez mais difícil para um elevado número de famílias.

3. Quem vive o problema, sabe que qualquer semelhança entre aquilo que acabo de dizer e o Portugal de hoje, é pura realidade. Os estudos demonstram-no e só o país político sentado – ou o que está à espera de se sentar – é que ainda não percebeu que para sermos europeus, também precisamos de políticas comuns nos salários.

4. Pessoalmente, com 42 anos feitos nesta Primavera cinzenta, acho que não estarei a exagerar se disser que mais de metade da minha vida decorreu em clima de crise. É muito tempo! Quando em Maio de 1988 fundei este jornal – há 20 anos, portanto –, já a palavra crise era excessivamente pronunciada pelos portugueses.

5. Todavia – era só o que mais faltava! –, a crise não é nem nunca foi igual para todos. E no Portugal cinzento, não só há cada vez mais gente a “tresandar” de dinheiro como existem cada vez mais cidadãos a “tresandar” de pobreza.

6. Localmente, o que mais está a “tresandar” é o “intestino grosso” do PSD que, de há dois anos a esta parte, está a contaminar a vida política municipal. A crise intestinal do partido do poder, que simultaneamente também ocupa o lugar de principal partido da oposição, promete durar até 2009. É muito tempo!

Henrique Barreto

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