Pratica atletismo desde os 14 e aos 58 anos conquista títulos nacionais

António Madeira Dias sagrou-se, no sábado, vice-campeão nacional de pista em 10 000 metros. Para trás está um percurso de 44 anos de prática de atletismo que, a cada dia, dá mais força ao atleta que sonha correr até à idade dos 100 anos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConhecido dos oliveirenses devido ao habitual treino diário de duas horas, António Madeira Dias mantém vivo o gosto de correr. Natural de Gramaços e com residência na Catraia de S. Paio integra, desde há seis anos, a equipa do Maratona Clube de Vila Chã, no concelho de Seia, mas já vestiu em tempos idos a camisola do Benfica e do Académico de Viseu, assim como do Clube Mundiveste de Oliveira do Hospital e da Fercol de Seia. Associada à passagem por vários clubes estão também as medalhas e títulos conseguidos em provas da Federação Portuguesa de Atletismo. “Aos 20 anos fui campeão nacional de pista”, recorda com emoção o atleta que aos 14 anos fez uma primeira participação, a título amador, numa prova organizada pelos “Campos” na Catraia de S. Paio e logo ali foi cobiçado pelo Clube de Atletismo de Seia que o integrou na sua equipa.

Desde aí, António Madeira Dias não mais parou. E também não quer. “Se Deus me der saúde, quero correr até aos 100 anos”, confidenciou a este diário digital, o homem que no passado sábado, 29 de março se sagrou vice-campeão nacional de pista em 10 000 metros, no Estádio 1º de Maio em Lisboa, no dia 12 de janeiro se sagrou vice-campeão nacional em estrada, em Elvas, e ficou em 3º lugar no campeonato nacional de corta-mato realizado no passado dia 15 de março, em Portalegre. Em 2013, sagrou-se campeão nacional de pista de 10 000 metros em Febres, Cantanhede e Campeão Nacional de 3000 metros obstáculos no Luso.

Títulos que enchem de orgulho António Madeira Dias que, na condição de desempregado, se entrega de alma e coração à prática da modalidade. Os treinos são diários, de manhã ou ao fim do dia, e por norma fá-los sozinhos. Quando é possível faz-se acompanhar pelo colega de competição e também atleta do Maratona Clube da Vila Chã, António Borges – ficou em 3º lugar na prova de 3000 metros de pista coberta em Pombal, no passado mês de março – também conhecido dos oliveirense pelo habitual treino nas imediações da cidade. “Nas ruas já me cumprimentam e até me buzinam”, conta Madeira Dias que não se imagina a parar de correr. “Sinto-me muito bem”, relatou, contando que em tempos fez uma paragem de dois anos e, a comer menos do que come agora, chegou a pesar quase 100 quilos. “Hoje como melhor e peso entre os 68 e os 70 quilos”, afirmou, assegurando ser a corrida o segredo para o seu bem estar físico. Mas, associado à corrida Madeira Dias associa um “truque” semanal. “Uma vez por semana, depois do treino, faça chuva ou faça sol, entro no tanque de água que está junto à fonte de Nossa Senhora dos Milagres, em S. Paio de Gramaços, e deixo-me estar 10 minutos dentro de água”, contou o atleta, que se confessa rejuvenescido com o “choque térmico” que tal prática lhe proporciona.

Com 58 anos, António Madeira Dias conta correr por muitos e longos anos e continuar a participar nas competições da Federação e outros promovidas a título amador, em Portugal e na Espanha. Lamenta é que, por cá, poucos jovens sejam adeptos da modalidade e não exista no concelho uma equipa de atletismo. “Em Seia, ao fim do dia, dá gosto correr na pista com tantos jovens que ali vão treinar”, contou ainda o atleta.

A caminho dos 60 anos, Madeira Dias orgulha-se dos tempos de corrida que ainda consegue fazer . “Aos 20 anos fazia 5 km em 14minutos e 15 segundos, hoje faço a mesma distância em 18 minutos”, partilhou.

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  • Leandro Santos

    Antes de mais, parabéns a este grande Atleta cá da terra por todos os títulos e medalhas conquistados!

    Quantos mais é que poderiam haver se o nosso município apostasse nesta modalidade em vez de pensar tanto em futebol?

    Pelo menos este atleta ganha alguma coisa, coisa que não se vê no futebol…

  • Rui Gonçalves

    Grande Madeira! Já tive o prazer de correr ao lado dele (ou melhor, ele teve a amabilidade de me acompanhar, porque não tenho a pedalada dele…). Um Homem simples, de grande coração e um exemplo para todos.