Presidente da Câmara de Oliveira do Hospital apela à internacionalização do queijo Serra da Estrela

Oliveira do Hospital foi, na sexta-feira, o palco escolhido pela Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro (DRAPC) para a apresentação de um plano de acção que visa o “relançamento da ovinicultura na Serra da Estrela”.

Numa cerimónia realizada na Casa da Cultura César Oliveira, que contou com a presença do secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Rui Barreiro, e de vários autarcas dos concelhos que integram a região demarcada do Queijo Serra da Estrela – os governadores civis dos distritos de Coimbra, Guarda e Viseu, também se associaram à iniciativa –, o presidente da Câmara de Oliveira do Hospital defendeu a necessidade de “promover o queijo Serra da Estrela, o requeijão e o borrego, junto da grande massa de consumidores”.

“Temos que saber vender estes nossos produtos – que são também a imagem identitária e genuína do nosso território – junto dos grandes centros urbanos, onde há escala de consumidores e onde se concentra o poder de compra para os produtos de excelência”, afirmou José Carlos Alexandrino.

Falando na qualidade de autarca anfitrião da iniciativa promovida pela DRAPC – já há muito tempo que não se via tanto presidente da Câmara a desfilar por Oliveira do Hospital –, Alexandrino sustentou ainda que a certificação do produto e a entrada nos mercados internacionais são dois caminhos que urge seguir com vista à valorização daquele que é considerado como um dos melhores queijos do mundo.

Para o autarca de Oliveira do Hospital, aquela iguaria serrana carece também de “evoluir tecnologicamente”, e é fundamental que o Agrupamento de Produtores de Queijo Certificado, com os apoios do Estado, consiga que o queijo Serra da Estrela passe a estar “nos restaurantes e hotéis de luxo, em modo fatiado e em doses individuais”.

Sublinhando que “qualquer queijo do mundo, com estas características, já evoluiu, de modo a ser comercializado em doses individuais e fatiadas”, Alexandrino considerou também que “hoje existe conhecimento científico disponível, nas universidades portuguesas”, para fazer evoluir aquele produto de Denominação de Origem Protegida (DOP) para um outro patamar.

Além disso – sublinhou o autarca – “o Estado dispõe hoje de programas de financiamento que os produtores não aproveitam, por não haver uma estratégia e organização claramente definida para o sector”.

Manifestando-se convicto de que a ovinicultura “tem dimensão de futuro”, Alexandrino regozijou-se também por se ter dado este “primeiro passo para que todas as entidades assumam as suas responsabilidades”, e prometeu empenho – Oliveira do Hospital passa agora a integrar a designada “Comissão Paritária de Observação e Promoção dos Produtos Serra da Estrela” –, no sentido de dar um contributo que “permita aumentar as vendas” dos produtores, “tornando esta actividade mais atractiva para todos aqueles que a ela queiram aderir”.

“Temos que dar uma lição ao país…”

Muito crítico em relação ao esquecimento “ancestral” a que tem vindo a ser votado o queijo Serra da Estrela, o director regional da DRAPC lembrou que está em causa um produto que é “um denominador comum a toda uma região”, e deixou uma certeza: “Se não fizermos nada, morre”.

Enaltecendo esta união de municípios, Rui Moreira, foi claro ao advertir que “é das pessoas que estamos a falar, e de um modo de vida bonito”, assegurando que o Plano de Relançamento da Ovinicultura na Serra da Estrela representa “um compromisso de ajudar a região e esta gente a levantar-se e a acreditar que tem futuro”.

“Temos que dar uma lição ao país daquilo que deve ser feito para salvarmos o que é nosso e é uma fonte de riqueza”, salientou igualmente aquele director regional, alertando para o facto de estar “muita coisa em jogo”, pois existem mais de trinta mil pessoas “que vivem desta actividade e que merecem uma vida digna”.

“Se os criadores não quiserem integrar este plano, o projecto fracassará”

A encerrar os trabalhos desta iniciativa, que culminou com a assinatura de um protocolo subscrito por cerca de 30 entidades, o secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural considerou este plano de acção como “um pequeno passo, dos muitos que têm que ser dados, relativamente a um produto emblemático da região”.

Enaltecendo o “empenho dos vários agentes económicos da região” que aderiram a este processo, Rui Barreiro sustentou que o queijo Serra da Estrela “tem que ser um pouco como o fado”, já que nas palavras daquele governante “só se pode identificar com esta região e com este país”. Igualmente defensor da internacionalização de um “produto de excelência”, Rui Barreiro advertiu, no entanto, que “se os criadores de ovinos não quiserem integrar este plano, o projecto fracassará”.

De resto, aquele governante, que em Março esteve presente na Feira do Queijo de Oliveira do Hospital, defendeu como um “passo importantíssimo” a criação de uma “grande feira de dimensão internacional” em Portugal ou até no estrangeiro.

Rui Barreiro disse já ter lançado o repto ao Pólo de Turismo da Serra da Estrela, e revelou inclusivamente a pretensão de “levar esta grande marca” à Expo-Xangai 2010, onde Portugal estará representado.

“Temos de inverter um ciclo de insucesso para um ciclo de sucesso”, frisou aquele secretário de Estado.

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