Presidente do IPC: “A ESTGOH como está, é para acabar muito rapidamente”

… e muito longe das certezas, o presidente do IPC aponta a área da Saúde como sendo a solução “mais viável” para manter o ensino superior no concelho.

O presidente do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC) esteve, esta manhã, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital (ESTGOH) para dar posse aos novos elementos que integram os conselhos pedagógico e técnico-científico da escola.

Numa altura em que a escola passa por um dos momentos mais conturbados da sua curta história, as incertezas e indefinições em torno do futuro da ESTGOH serviram de mote à intervenção de Rui Antunes que de, forma muito crítica, se opôs ao modo como o caso ESTGOH tem sido “dramatizado” e exposto na comunicação social.

Numa sessão participada por professores e à qual não faltou um grupo considerável de alunos que, teve oportunidade, à porta da Escola de manifestar a sua oposição a qualquer tentativa de encerramento da Escola, Rui Antunes usou da total frontalidade para afirmar que “um número considerado de cursos da ESTGOH tem problema de sustentabilidade financeira”, integrando-os no grupo de cursos “problemáticos”.

O presidente do IPC referia-se em concreto à queda acentuada da procura das licenciaturas em vigor na ESTGOH e que justificou com a reduzida atratividade dos cursos e decréscimo demográfico.

Uma situação que, segundo explicou, se agrava com o facto de a ESTGOH estar localizada numa região do interior com baixa densidade populacional. “Milhares de escolas do ensino básico fecham por falta de alunos e isto já está a afetar o ensino superior”, referiu o responsável, notando que tal facto acarreta implicações ao nível daquilo que é o financiamento do governo em matéria de ensino superior. “Quando há menos alunos a frequentar os cursos, o dinheiro do Estado não chega para pagar as despesas”, avisou, aludindo ainda à redução de sete milhões de Euros no orçamento do IPC.

“A área de Saúde foi considerada a mais viável para manter ensino superior em Oliveira do Hospital”

“Mudar o rumo”, é a solução encontrada por Rui Antunes que chega a dar o exemplo da Escola Superior de Educação de Coimbra que já sofreu a alteração total dos seus cursos iniciais. “Nenhum professor ou funcionário foi despedido. A escola tinha 600 alunos e agora tem 2500, cresceu e tem condições especificas”, afirmou, notando que um estudo do Conselho Geral do IPC aponta a área da Saúde como sendo a “mais viável para manter ensino superior em Oliveira do Hospital”.

Rui Antunes adiantou que através da oferta formativa que está a ser pensada para a ESTGOH “é possível que gente de todo o país coloque Oliveira do Hospital entre as suas preferências”. “É a hipótese de manter uma escola de ensino superior em Oliveira do Hospital porque é importante para esta cidade”, verificou.

Ainda que com muita dificuldade em ultrapassar o campo das hipóteses, por ainda aguardar pelas conclusões da reestruturação do ensino superior que está a ser prepara pelo ministério de Ensino Superior, Rui Antunes explicou estarem em causa processos “dinâmicos” e que não devem ser dramatizados”.

“Devem ser vistos com a seriedade que merecem”, continuou, revelando-se muito crítico com a exposição que o caso da ESTGOH tem tido nos jornais e, que não acontece com outras escolas do país, “onde se tomam soluções e ninguém sabe de nada”.

Em Oliveira do Hospital, o presidente do IPC aproveitou ainda para clarificar que a frase que proferiu por ocasião da abertura do ano letivo –  “quem brinca com o fogo queima-se” –  não foi dirigida ao presidente da Câmara Municipal. “Foi dirigida ao engenheiro Jorge Almeida”, afirmou, avisando que “a partir do momento que discutimos na praça pública, temos que perceber que a discussão vai ser aproveitada em outras guerras que não são as nossas”.

Antunes criticou ainda o presidente demissionário da ESTGOH por ter votado contra, a par do presidente do ISCA, a proposta de reformulação da oferta formativa da ESTGOH – “estarão todos os outros enganados?”, questionou – e por “hoje dizer que concorda e amanhã dizer no jornal que não concorda”.

Num processo que está longe de ficar resolvido, Rui Antunes disse estar do lado da solução e recetivo a “alternativas exequíveis”, mas deixou bem claro que “a ESTGOH como está, é para acabar muito rapidamente”.

Sem condições para dar garantias e respostas às muitas incertezas dos alunos, Antunes assegurou estar disponível para todos os esclarecimentos, pelo que não deixou de registar “a indelicadeza” dos professores que lhe enviaram uma carta por via do sindicato. “Eu nunca me recusei a falar com um professor e eles vêm falar comigo através do sindicato”, criticou.

No encontro que teve com professores e alunos, Rui Antunes disse ainda que em caso de a reorganização prevista pelo ensino superior não alterar em nada a realidade da ESTGOH, haverá atribuição de vagas para os atuais cursos da ESTGOH no próximo concurso nacional de acesso ao ensino superior, porque, como explicou, a descontinuação das atuais licenciaturas só acontecerá no ano letivo 2013/2014.

Por esclarecer ficou, também, o futuro dos atuais docentes da ESTGOH cuja formação nada tem a ver com a área de saúde. A única certeza é de que, como afirmou, o presidente do IPC: “não vão ser estes professores a dar estes cursos de saúde”.

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