Problemas no funcionamento da ETAR provocam maus cheiros em Oliveira do Hospital

Em causa estão problemas no funcionamento da estrutura a cargo da empresa multimunicipal Águas do Zêzere e Côa (AZC).

Construída para pôr termo ao ‘massacre’ ambiental que vinha sendo cometido pela velha ETAR da cidade, que não tinha capacidade para receber e tratar os efluentes da cidade e localidades vizinhas, a nova estrutura tem também sentido alguma dificuldade em cumprir os objetivos para a qual foi criada.

O mau cheiro que emana da ETAR tem sido quase frequente e é, por esta altura, o problema que maior aflição causa aos moradores das redondezas, em particular, e da cidade em geral.

“É uma pouca vergonha. À noite não se consegue parar”, denunciou esta manhã o vereador do PSD na Câmara Municipal de Oliveira do Hospital que, começa a não encontrar vantagens na decisão do município em aderir ao sistema multimunicipal Águas do Zêzere e Côa.

Para Mário Alves, ex-presidente da autarquia oliveirense, “não faz sentido estarmos ligados a um sistema que nos fornece serviços de pior qualidade do que aqueles que anteriormente eram assegurados pela Câmara municipal”.

Uma situação que, denuncia, não se esgota na ETAR que em junho de 2008 entrou em funcionamento na cidade, já que se assiste a semelhante cenário na localidade de Andorinha, onde a ETAR também dá sinais de mau funcionamento.

Presidente da Câmara oliveirense à data da adesão do município à AZC, Mário Alves, constata que a tão apregoada “melhoria da qualidade” não está a ser assegurada, quer no campo do saneamento básico, quer também do abastecimento de água.

“A água está pior e não há justificação possível”, referiu o agora vereador da oposição na autarquia, notando porém não ser sua intenção ‘deitar’ culpas sobre o executivo municipal, por se tratar de uma matéria da responsabilidade da AZC, e por consequência do Estado. “Algumas pessoas estão convencidas de que a responsabilidade é da Câmara, mas não é”, clarificou.

“É uma vergonha…tenho estado sempre em cima deste assunto”

Uma preocupação partilhada pelo presidente da Câmara Municipal que na reunião pública do executivo fez questão de ler uma carta que recebeu da AZC, em 30 de julho, em reposta a e-mail por si enviado no passado dia 4 de julho, com o qual alertou e apelou à resolução do problema.

Através da carta, a AZC garantiu já terem sido efetuadas “diversas intervenções que têm diminuído odores”, adiantando que a “melhoria se irá acentuar ao longo dos dias”. “A beneficiação desta instalação permitirá recuperar o normal funcionamento”, leu José Carlos Alexandrino, revelando-se “insatisfeito” com as explicações dadas, sentimento que, como garantiu, expressou via telefone ao próprio presidente do Conselho de Administração da AZC.

“O que se está a passar é uma vergonha”, admitiu o autarca oliveirense, que garante “estar em cima” deste caso.

Ainda neste domínio, Alexandrino não deixou de chamar à atenção para a boa resolução do problema, recentemente, detetado na ETAR de Alvôco de Várzeas. Mas, também não escondeu a sua preocupação em torno da ETAR de Meruge, que continua parada. “A AZC diz que já pagaram tudo à empresa construtora, mas aquilo continua parado e o presidente da Junta de Freguesia continua a reclamar”, observou.

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