Processo HBC: Presidente da Câmara acusa o Estado de não saber fazer contas

Invocando o caso da HBC, onde existe uma empresária local interessada em retomar a actividade daquela empresa de confecções, José Carlos Alexandrino criticou o papel do Estado em todo este processo, referindo-se em concreto ao facto de o Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social (IGFSS) ter rejeitado, em assembleia de credores, a viabilização de uma proposta que representava a manutenção de cerca de 100 postos de trabalho.

O autarca independente do PS acusou mesmo o Estado de não saber “fazer contas”, e considerou a situação como “paradoxal”.

Alexandrino explicou que o IAPMEI estava disposto a injectar 750 mil euros naquele projecto, mas depois – frisou – “houve pessoas no IGFSS que arranjaram um conjunto de dificuldades”. Ou seja – continuou – “uma estrutura do Estado entra no projecto, e outra impede o projecto”.

Lamentando que o problema não esteja ainda resolvido, apesar dos esforços da Câmara Municipal, do próprio Governador Civil de Coimbra e, ainda, da sindicalista Fátima Carvalho – “tem travado uma luta titânica”, observou o autarca –, Alexandrino desabafou que “há técnicos que estão nos corredores e nos ministérios que não conhecem o país” (…) eles vivem bem, mas não sabem fazer contas”, disse.

Todavia, e insistindo na tese de que “o Estado poupava dinheiro” com a viabilização da HBC, Alexandrino manifestou-se “esperançado” na sua viabilização e deixou um recado: “Não estou derrotado…”

Mas as críticas ao Estado não se ficaram por aqui, já que o chefe do executivo oliveirense também disparou contra a forma como está a ser feita a gestão dos Programas Ocupacionais (POC) destinados a pessoas em situação de desemprego. “É uma vergonha”, sentenciou Alexandrino, explicando que neste momento “os POC estão parados numa plataforma electrónica em Lisboa”.

“Um bom jogador gosta de jogar com o estádio cheio”

Deixando aquilo que considerou como “disparates”, o presidente da Câmara, que esteve sensivelmente uma hora à espera de que as pessoas chegassem à plateia da sala da Casa da Cultura César Oliveira – “um bom jogador gosta de jogar com o estádio cheio”, ironizou –, quis entretanto deixar “um discurso de esperança”.

 Falando para uma plateia maioritariamente composta por mulheres que com o colapso na indústria de confecções local perdeu o emprego – embora com atraso, a sala quase encheu –, Alexandrino sublinhou que esta crise “mundial” estende-se a muitos concelhos do país , mas pode abrir janelas.

“Há pequenas oportunidades na crise que nós temos que aproveitar e também não podemos passar a vida a queixarmo-nos”, salientou o autarca, apelando a uma postura pró-activa. “Conto convosco. Ajudem-me a construir um concelho novo e com riqueza”, apelou.

Enaltecendo o facto de Oliveira do Hospital ser o “único concelho do país” que tem um “Contrato Local de Desenvolvimento Social” – estas jornadas foram organizadas pela CMOH em parceria com aquela entidade e o Gabinete de Inserção Profissional –, o director do Centro Distrital de Coimbra do Instituto da Segurança Social associou-se às preocupações do presidente da Câmara quanto ao caso HBC, e manifestou-se convicto de que Alexandrino “conseguirá encontrar uma solução com esta forma de combate e preserverança”.

Mário Ruivo prometeu ainda dar um contributo no sentido de “sensibilizar” o IGFSS para que se encontre “um equilíbrio que salvaguarde as partes envolvidas no processo”, e enalteceu o facto de Alexandrino não deixar de “dizer aquilo que tem que dizer” já que – segundo o próprio – está a colocar “os interesses de Oliveira do Hospital acima de qualquer outro interesse”.

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