Professor, Treinador, Técnico……….a importância do legado. Autor: Luís Marques

Em dezassete anos de profissional já “vesti” diferentes formas de intervenção desportiva sobre a sociedade, desde idades mais tenras, a natação para bebés, a idades mais sólidas, como a hidroginástica, personal trainer, etc…

Em todos os contextos sempre tive a preocupação do legado. Preocupam-me as ideias, os conhecimentos, as experiências, os erros, o respeito, a partilha, a amizade que fica, tudo o que fica e que pode, e deve, ficar de uma relação de confiança e de procura constante pelo mais e melhor. Não é possível manter o contacto com todos, não é possível ficar “perto” de todos, mas se o legado for forte, de uma coisa tenho a certeza, nunca deixarei de fazer parte das vidas das pessoas com quem tenho o prazer de trabalhar.

Há cerca de um ano atrás participei numa prova de atletismo, 10kms pós lesão e com pouco entusiasmo, mas a magia aconteceu, a meio da prova, e numa fase de grande esforço, ouço um jovem rapaz que corria sôfrego, “O senhor foi meu professor de Educação Física.” Incrédulo, cansado e “orgulhoso” perguntei, “Onde e como te chamas?”; “Foi na Covilhã, sou o Fernando e não tinha nenhum jeito para a Educação Física. O professor estava sempre a berrar para eu correr e agora olhe, gosto de correr!!!!”

Atualmente leciono aulas de hidroginástica e quando estou a iniciar a aula costuma entrar uma mulher que me pisca o olho e se dirije para a piscina “grande” para a sua dose de 1500m. Mantém este ritmo de dois treinos de 1500 metros por semana desde que foi minha aluna há 16 anos atrás. Em confidência diz-me “Foi um vício que me deixaste!”

Num clube de referência na formação de jovens atletas na modalidade de futebol da cidade da Guarda, na categoria de Infantis, existe um treinador, mestrado em Ciências do Desporto, que foi meu atleta com 11 anos. Não me vai levar a mal (caso leia) de poder partilhar o seu exemplo de superação juvenil, pois quando iniciou a sua carreia desportiva, enquanto atleta, era “gordinho” e escolheu o lugar de Guarda-Redes. Ao longo da sua evolução foi perdendo kilos e ganhando performance, pois sempre insisti no controle da sua alimentação e na exigência do seu treino. Hoje, treinador de sucesso, partilha comigo as vivências que partilhámos, e o que de importante lhes servem para a sua forma de estar enquanto treinador de jovens.

Sempre que posso e consigo convencer um amigo, ou conhecido, a partilhar comigo uma corrida, um giro de bicicleta ou mesmo dar umas braçadas, percebo que estou a abrir uma porta, nunca o percebi efetivamente na hora da ação, mas percebo-o agora, que estou sentado e a teclar, e sei que essas pessoas continuam a praticar de forma contínua e persistente. Uma vez convidei um amigo a correr uma São Silvestre de 7kms num dia 31 de Dezembro e passado 11 meses estava a correr uma maratona e agora treina para IronMan.

No local onde leciono aulas de Educação Física, e onde acabo por passar muito tempo livre, pratico desporto ao ar livre e tento fazê-lo no centro da localidade, perto das escolas, pois julgo que posso ser um estímulo para qualquer um dos jovens que hoje se “desgasta” no álcool e/ou tabaco……..idades parvas!!!!!

Claro que o profissionalismo carece de remuneração.

Claro que a ambição motiva e cria novas ambições.

Claro que ser um bom profissional e bem remunerado não tem que criar amizades, nem conhecimentos, apenas tem que ser o melhor no que faz.

Claro e óbvio que o professor de Educação Física não é importante na vida académica dos seus alunos, pois o sistema assim o define.

Claro que quando uma equipa perde é o treinador o culpado.

Pois!!!!!

Cada profissional escolhe a sua conduta e a sua imagem.

Na minha opinião ser um bom orientador desportivo, quer seja professor, técnico ou treinador é criar uma ponte de comunicação que permita instalar comportamentos saudáveis para o resto da vida, daí que o legado seja uma responsabilidade constante.

É a minha opinião.

 

Luís MarquesLuís Marques

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