Professora de Oliveira do Hospital seleccionada para elite europeia dedicada à inovação do ensino da ciência

A professora Honorata Pereira, docente da Escola Profissional de Oliveira do Hospital, Tábua e Arganil (EPTOLIVA ) foi seleccionada para representar Portugal no Science on Stage festival 2015, um certame que reúne a elite dos professores mais criativos no campo das ciências do Velho Continente e do Canadá no que de melhor se consegue para o desenvolvimento de estratégias afim de cativar  alunos para a área das ciências. O maior encontro desta temática na Europa, que ocorre de dois em dois anos, leva esta edição que se realiza de 17 a 20 de Junho em Londres e conta com 400 seleccionados de 24 países europeus e do Canadá. Todos reunidos no Queen Mary University of London, onde vão poder trocar ideias, experiências e mostrar as formas mais inovadoras de ensino. “Queremos que os professores saiam daqui com uma centena de planos para melhorar seu método de ensino”, concluiu Charlotte Thorley, Chair of Science on Stage Reino Unido.

Honorata Pereira é uma dos oito representantes de Portugal no certame, tendo conseguido o acesso ao evento, em Maio, com a apresentação do projecto ‘Empreender e aprender’ durante o processo de selecção nacional que decorreu em Lisboa. A tese, na categoria ‘Ciência e Nosso Mundo Sustentável ‘ convenceu o júri e mereceu elogios da Science on Stage Europe. “Deixou uma forte impressão com o seu projecto de ensino, convencendo o júri, afirmando-se contra concorrentes de todo o país”, refere a instituição com sede em Berlim na Alemanha.

Honorato Pereira“O foco de seu projecto é encontrar formas inovadoras para lidar com grupos de estudantes que parecem ser indiferentes às questões actuais, como as alterações climáticas ou problemas de recursos de energia. No seu projecto não há uma abordagem única para tornar essas áreas mais interessante para os alunos, mas muitas diferentes, adequadas a cada aluno”, explica Science on Stage Europe, adiantando que Honorata Pereira “incentiva os alunos a perceber que há uma conexão entre sua própria vida quotidiana e as ciências naturais gerais, tais como a física ou a biologia, trazendo discussões animadas para a sala de aula, onde os alunos exploraram questões que os envolvem pessoalmente e, em seguida, vão estudá-los em grupo”.

A professora da EPTOLIVA mostra uma forte paixão pelo ensino na área das ciências. Tem uma Licenciatura e Mestrado em Ensino de Física e Química, além de uma Pós-Graduação em Educação Especial-Domínio Cognitivo e Motor. A participação neste certame será mais um instrumento “importante para ajudar os seus jovens aspirantes a cientistas”. “Vamos discutir e tomar conhecimento sobre as melhores metodologias da Europa e do Canadá que podem ajudar a incentivar os alunos a seguir as áreas das ciências. É uma feira onde estão presentes as melhores práticas nesta área”, explicou Honorata Pereira em declarações ao CBS. “Mas o mais importante é estabelecer contactos com colegas, permitindo depois troca de experiências e ideias regulares”, conta.

A sua prática de ensino permitiu aos seus alunos vencerem o prémio de jovens cientistas, com o projecto “Há queijo e Mais”, sobre a requalificação do soro do leite. Ou ainda no último sábado em que voltaram a ser reconhecidos com outro prémio de ciências. É com esta ideia que vai procurar inspirar os colegas de toda a Europa. Honorata Pereira considera que os miúdos aderem com facilidade ao que é novo. O maior entrave, porém, está num ensino demasiado formal que se pratica em Portugal. “A ciência não se consegue fazer numa sala de aulas, faz-se olhando para as necessidades da sociedade e procurando soluções. A Europa já está a despertar para esta problemática”, conta.

Na EPTOLIVA procura quebrar esse entrave. Honorata Pereira tem neste momento 13 projectos em desenvolvimento com os seus alunos. Trabalho que ocupa o tempo todo aos estudantes, que encontram enormes dificuldades em conjugar horários. Mas como consegue entusiasmar os jovens? “O nosso ensino nacional é como servir uma determinada ementa. Mas há quem não goste de determinados sabores. Então procuro que cada aluno escolha os seus. Temos de ir ao encontro do interesse do conhecimento dos alunos e a partir daí desenvolver competências”, responde esta professora que gosta de criar prazer nos seus jovens aspirantes a cientistas enquanto se dedicam à ciência. Uma prática que procura esbater igualmente a tendência nacional em que, cada vez mais, os jovens fogem desta área.

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