PS mete “cerca de 2 mil pessoas” em Nogueira do Cravo e apela à maioria absoluta

No “sprint” final da campanha para as eleições autárquicas, a candidatura de José Carlos Alexandrino apostou em Nogueira do Cravo e lotou o pavilhão de S. Tiago. A organização do mega-jantar fala na presença de “mais de duas mil pessoas”, e os socialistas viram-se obrigados a improvisar uma tenda no exterior, que abrigou da chuva cerca de 200 pessoas.

O candidato do PS chegou mesmo a pedir desculpas aos apoiantes da sua candidatura por não haver lugar para todos e, num gesto de solidariedade, deixou vago o seu lugar na mesa de honra, para vir jantar com as pessoas que estavam no exterior.

“Por onde é que andou este homem para chegar tão tarde à política?” 

Naquela que foi a sua primeira aparição na campanha de José Carlos Alexandrino, o presidente da Federação Distrital do PS de Coimbra, Victor Batista, disse estar perante “uma estrutura humana como nunca tinha visto” no concelho de Oliveira do Hospital, e afiançou estar seguro na afirmação porque – de acordo com o que frisou – “conhece bem as campanhas eleitorais do distrito, nos últimos 20 anos”.

Agradecendo o convite que lhe foi dirigido pelo próprio candidato, Victor Baptista enalteceu “a grande escolha” feita pela comissão política do PS local e deixou uma interrogação. “Por onde é que andou este homem para chegar tão tarde à política?; por onde é que andou este homem para assumir tão tarde uma candidatura?”, perguntou o líder do PS, numa referência a José Carlos Alexandrino.

Entusiasticamente aplaudido – “nunca ninguém fez tanto em tão pouco tempo”, garantiu o líder do PS local, José Francisco Rolo –, Paulo Campos foi uma das principais estrelas da noite.

Num discurso essencialmente concebido contra a governação do PSD no concelho de Oliveira do Hospital, aquele membro do Governo de José Sócrates, que ocupa o último lugar na lista de candidatos do PS à Assembleia Municipal, afirmou estar convicto de que “os tempos de sofrimento em que Oliveira do Hospital tem perdido poder e influência estão a acabar”. “Agora é connosco”, prognosticou Paulo Campos.

Salientando que José Carlos Alexandrino e António Lopes “são duas pessoas com provas dadas (…) que sempre estiveram ao serviço de causas”, Campos garantiu que o próximo Governo do PS vai “concluir todas as infra-estruturas rodoviárias” que prometeu, como sejam a conclusão do IC 6 e o lançamento dos IC 7 e IC 37.

Paulo Campos, pergunta:  “Mais atraso? Mais desemprego? Mais tempo perdido? “

Numa referência ao slogan “Mais pelo Concelho”, da candidatura de Mário Alves, Campos disse ter ficado “surpreendido” e exortou o público a decifrar o que é que o presidente-candidato do PSD quer “mais”. “Mais atraso, mais desemprego, mais tempo perdido, mais oportunidades deitadas fora…, perguntou o candidato do PS.

Sempre muito aplaudido o cabeça-de-cartaz do PS, José Carlos Alexandrino, referiu estar perante “o maior desafio” da sua vida – “o de desenvolver o concelho de Oliveira do Hospital” –, e continuou a acusar o executivo de Mário Alves de exercer o poder de forma clientelar.

Garantindo que, a partir do dia 11 de Outubro, “todos os munícipes serão tratados da mesma forma e não haverá cidadãos de primeira e cidadãos de segunda”, Alexandrino deu o exemplo do incidente que ocorreu com a caravana do PSD em Nogueira do Cravo, onde os carros terão continuado a apitar no preciso momento em que se realizava uma procissão religiosa, para acusar a candidatura de Mário Alves de andar de “cabeça perdida”.

“Quem acham que é o melhor candidato para falar com o Governo”, pergunta Alexandrino

Aproveitando a presença de Paulo Campos, Alexandrino afirmou que aquele membro do Governo sempre se disponibilizou para apoiar Oliveira do Hospital, mas explicou que “o senhor presidente da Câmara nunca lhe pediu uma audiência”. “Quem acham que é o melhor candidato para falar com os membros do Governo”, perguntou ainda o candidato socialista, frisando que “O IC 6 – já em construção – vai-se fazer não com o governo do PSD, mas sim com o Governo do PS e com um presidente de Câmara do PS”.

De resto, Alexandrino prometeu fazer aquilo que “este presidente não sabe fazer, que é ir falar com quem sabe”. “Ele não vai a lado nenhum (…) pensa que sabe tudo (…) o senhor presidente da Câmara é do passado, eu serei do futuro”, continuou o candidato.

Sobre o desenvolvimento que o concelho tem atravessado, Alexandrino questionou os apoiantes com a perda de importância que Oliveira do Hospital vem registando no ranking dos indicadores de desenvolvimento no distrito de Coimbra. “Este município era o terceiro do distrito Coimbra em receita fiscal. Hoje, sabem o que é que aconteceu? Somos o 13º, estamos quase na cauda, porque há 13 anos que não se instala uma empresa em Oliveira do Hospital”, sublinhou.

Apresentado por José Francisco Rolo “como uma força da natureza, o candidato do PS à Assembleia Municipal, António Lopes, voltou a insistir na tese de que “em Oliveira do Hospital não há democracia, ou pelo menos está muito comprometida”. Alegando nada ter contra os seus adversários ou contra o cidadão Mário Alves – “o que eu desejo é que ele seja muito feliz na vida”, disse –, Lopes explicou que “o que está em questão são as políticas deste executivo camarário que – conforme referiu – “tem dinheiro para gastar na ostentação de rotundas, mas não o tem para resolver a praga dos esgotos a céu aberto em todas as freguesias”.

António Lopes pede maioria absoluta para o PS 

Num recado para as outras candidaturas, Lopes ironizou com o facto de andarem “por aí uns a falar de caravanas e em número de lugares nos jantares, para afirmar que “o nosso problema não é ter pessoas para sentar nas cadeiras. É ter cadeiras para sentar as pessoas”. Empolgado com a enchente de Nogueira do Cravo e, invocando as calorosas recepções que o PS teve em Penalva de Alva e em Seixo da Beira, Lopes já pediu “uma maioria absoluta” para o PS governar o concelho, a partir do dia 11 de Outubro.

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