PS percorre 21 freguesias do concelho com “caravana da mudança”

Um autocarro perseguido por cerca de 200 automóveis, segundo os números revelados pela candidatura de José Carlos Alexandrino, arrancou ontem de Oliveira do Hospital em direcção às 21 freguesias do concelho de Oliveira do Hospital.

“É a maior caravana de sempre. Nem no tempo do César Oliveira conseguimos juntar tantos carros”, afirmava um dos muitos socialistas que, neste domingo, tiraram o dia para uma passeata por todas as freguesias do concelho.

A “Caravana da Mudança” – foi assim que a organização a intitulou –, arrancou por volta das 09h45 de Oliveira do Hospital e, ruidosamente, dirigiu-se à zona norte concelho. Logo à saída da cidade, o presidente-candidato do PSD foi apanhado de surpresa pelo “buzinão”, poucos minutos após ter saído de casa. O som das buzinas aumentou de tom, e Mário Alves também até reagiu com o tímido apito do seu inseparável Toyota Starlet.

A caravana rumou em direcção a Travanca de Lagos e deteve-se durante algum tempo na terra do candidato – Ervedal da Beira. Os simpatizantes da candidatura de Alexandrino estavam impressionados com o verdadeiro comboio formado por automóveis. “Quando chegámos ao cimo dos Fiais da Beira, ainda se viam automóveis na estrada de Andorinha”, comentava um outro participante desta caravana que, algum tempo depois, entupiu por completo todo o troço de estrada entre Ervedal e Seixo da Beira.

No regresso à zona sul do concelho, a fila de automóveis manteve-se quase intacta e, na passagem por Meruge, a organização deu instruções para que o atravessamento daquela localidade fosse feito em silêncio, já que a mãe do autarca local, João Abreu, tinha falecido. O mesmo aconteceu em Gramaços, onde também havia quem chorasse a morte de um ente querido.

“O ar que se respira em Oliveira do Hospital já é diferente” 

Com cerca de uma hora de atraso, a caravana chegou entretanto ao parque Merendeiro do Senhor das Almas, local onde se concentraram para almoço – o porco no espeto entrou definitivamente nas ementas políticas – os apoiantes da candidatura de Alexandrino.

Entusiasmado com a adesão àquela iniciativa – “o ar que se respira em Oliveira do Hospital já é diferente”, sublinhou o candidato do PS –, Alexandrino aproveitou para fazer uma breve referência ao alegado clima de medo que as candidaturas adversárias de Mário Alves dizem existir no concelho. “As pessoas tinham medo de dar o seu nome para as listas do PS, mas, hoje, as pessoas dizem-me: ‘professor José Carlos, ainda não me quero expor mas você pode contar comigo porque nós precisamos de mudar este concelho. Este é um sentimento colectivo que ninguém vai parar, e é também por isso que no dia 11 de Outubro vou ser o próximo presidente da Câmara de Oliveira do Hospital: para tratar todos da mesma maneira”, afirmou.

O candidato socialista referiu-se também ao cabeça-de-lista do PS à Assembleia Municipal, alegando não compreender como é que uma pessoa que “já deu 750 mil euros ao concelho – em actos de benemerência – é hoje atacado só porque faz parte desta candidatura independente”.

Sustentando que tudo seria diferente “se um homem destes fosse do PSD”, Alexandrino sublinhou que “António Lopes é um homem que não quer estátuas”, e invocou mesmo a altura em que a Câmara Municipal lhe atribuiu o nome de uma rua em Vila Franca da Beira, para se insurgir contra os que agora lhe “apontam defeitos só porque sabem que ele vai ganhar e vai ajudar a mudar este concelho”.

António Lopes apela ao voto em Sócrates 

Terminado o discurso, a caravana voltou a entupir a estrada da Beira, e após uma visita a S. Paio de Gramaços, deslizou para os Vale dos Alva e Alvôco. No final da tarde – e já ao anoitecer –, Santa Ovaia foi invadida pelo cortejo automóvel.

Na terra dos arguinas, o candidato do PS à Assembleia de Freguesia, Licínio Neves, subiu ao palco para anunciar os propósitos da sua candidatura, e anunciou que – caso seja eleito – todos os membros que o acompanham vão prescindir dos vencimentos para constituir um fundo de apoio financeiro, destinado a apoiar pessoas carenciadas da freguesia.

Tomando a palavra, o candidato socialista à Assembleia Municipal apelou ao voto em José Sócrates nas legislativas de domingo, e até tratou de enumerar algumas diferenças na forma como ele e os santovaienses tratam a pedra. “Também eu passei grande parte da minha vida a trabalhar na pedra, mas não a tratava tão bem como vocês aqui. Como os senhores sabem, fiz 59 túneis na ilha da Madeira e, portanto, não a tratei com o carinho que vocês a tratam. Peço-vos desculpa por não tratar a pedra tão bem quanto vocês, mas às vezes também é necessário tratá-la mal”, ironizou António Lopes.

Enaltecendo a beleza que Santa Ovaia desfruta, Lopes entrou no campo político e disse que – caso seja eleito – estará à altura do que se pede a um presidente da Assembleia Municipal: “que seja um traço de união entre todos os partidos políticos, todos os eleitos, e entre todos os habitantes do concelho”.

Considerando-se “chocado” com algumas situações de subdesenvolvimento que se continuam a observar no concelho – Lopes invocou, por exemplo, a situação em que se encontram várias vias internas de comunicação, assim como a questão do saneamento básico com inúmeras fossas sépticas a drenar esgotos a céu aberto –, o candidato socialista deixou um repto: “No dia 11 de Outubro temos todos que nos juntar para mudar o futuro deste concelho, que em minha opinião está adiado já há 16 anos”.

Candidato do PS compara a forma como Alves utiliza o poder à dos “regimes ditatoriais” 

Com a voz muito rouca, José Carlos Alexandrino voltou a produzir um discurso corrosivo contra aquele que considera ser o seu principal adversário nestas eleições. “Este poder que nós temos em Oliveira do Hospital não ouve o povo, não quer ouvir opiniões, e quer ser autista”, disse o candidato do PS, salientando ainda que Mário Alves “trata os seus presidentes da Junta pelas suas cores políticas”.

Garantindo que dia 11 de Outubro será “o presidente de todos os oliveirenses”, Alexandrino condenou também o facto de Mário Alves ter assumido recentemente que não apresentou programa eleitoral eleitoral nas eleições. “Não apresenta um projecto (…) e sabem por que é que não apresenta um projecto? Para que ninguém lhe peça contas. Eu vou apresentar um programa, com as obras que vamos fazer, e vocês daqui a quatro anos podem-me dizer: ‘você não cumpriu’”, referiu.

Muito crítico contra a “perda de centralidade” que Oliveira do Hospital vem registando para concelhos vizinhos, como Tábua e Arganil, Alexandrino chegou a comparar a forma como Alves utiliza o poder à dos “regimes ditatoriais”. “É um poder autárquico que alimenta alguns clientes, mas não alimenta o povo em geral”, disse.

Sublinhando novamente aquelas que vêm sendo as principais tónicas dos seus discursos – a criação de emprego e o apoio aos jovens –, Alexandrino acentuou aquela que considerou ser uma das principais diferenças entre a sua candidatura e a do PSD. “A candidatura de Mário Alves representa o passado, e a minha representa o futuro”, observou.

Considerando que “Santa Ovaia será injusta se não eleger” o candidato local do PS , Licínio Neves, Alexandrino deixou uma promessa aos santovaienses, ao garantir que se for eleito desenvolverá esforços no sentido de colocar Santa Ovaia na rota das rampas automóveis, através da panorâmica estrada que liga aquela localidade à Ponte das Três Entradas.

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