Apesar das críticas oriundas sobretudo da bancada socialista, a Assembleia Municipal (AM) de Oliveira do Hospital aprovou no último sábado, dia 22 de Dezembro, o Orçamento para 2008 e as Grandes Opções do Plano (GOP) que orientarão a gestão autárquica da Câmara Municipal até ao final do mandato, em 2009.

PS vota contra Plano e Orçamento no executivo camarário mas abstém-se na Assembleia

Os documentos, aprovados pela maioria do PSD com 9 abstenções do PS e da CDU, não suscitaram grande discussão, mas os dois “pivots” escolhidos pela bancada do principal partido da oposição, José Carlos Alexandrino e Carlos Artur Maia, não deixaram contudo de enviar alguns recados ao presidente da Câmara Municipal (CM), Mário Alves.

 

“O senhor presidente da Câmara consegue fazer de um mau presidente de Junta um bom presidente e de um bom presidente um mau presidente”

“Este Plano tem aqui um grande decalque de anos anteriores”, começou por criticar José Carlos, sem no entanto deixar de se “congratular com algumas obras” inscritas nas GOP, como, por exemplo, a rectificação e beneficiação da estrada entre Oliveira do Hospital e Felgueira Velha. No capítulo do apoio às freguesias, aquele deputado do PS defendeu ser “importante a delegação de competências nos presidentes de Junta” e, implicitamente, acusou Mário Alves de tratamento político diferenciado aos 21 autarcas que governam as freguesias do concelho, ao afirmar que “o senhor presidente da Câmara consegue fazer de um mau presidente de Junta um bom presidente e de um bom presidente um mau presidente”.

De resto, aquele eleito socialista voltou a reivindicar a construção de um complexo de piscinas na zona da Cordinha, e deixou no ar uma pergunta: “Entre umas piscinas e uma rotunda, o que é que é mais necessário?”.

Carlos Maia acusa Mário Alves de não apostar

no desenvolvimento económico do concelho

Numa toada politicamente mais ofensiva, surgiu entretanto Carlos Maia, ao responsabilizar o presidente da Câmara por “continuar a não querer apostar no desenvolvimento económico do concelho”. “O senhor em vez de ir buscar a riqueza que anda por aí espalhada por tudo quanto é sítio (…) continua a remar contra a maré”, criticou o deputado socialista, salientando também que para Mário Alves “o desenvolvimento económico continua a não dizer nada, é uma palavra vã”.

Para Carlos Maia, as GOP para 2008 não só não contemplam “nada de novo” como incluem “obras que não contribuem para o crescimento económico do concelho e das suas pessoas”. “Este plano não é outra coisa senão «show-off» eleitoral”, frisou o deputado do PS.

“Nunca estive tão perto de votar a favor de um Plano como este”, argumentou por sua vez, o presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca da Beira, João Dinis, explicando que não se pode “exigir à Câmara Municipal que faça aquilo que o Governo não faz”. “Andamos há 11 anos a levar porrada”, sentenciou o autarca da CDU, numa clara referência aos governos de Guterres e José Sócrates”.

Presidente promete apostar na modernização e criação de empresas

Em resposta dirigida às intervenções dos deputados do PS, Mário Alves explicou que o Plano “tem que ser um decalque porque foi um plano programado para quatro anos” e inquiriu o deputado Carlos Maia sobre as razões de tantas críticas: “Se não concordava, por que é que votou a favor do empréstimo?”, de 5 milhões de euros, recentemente aprovado em Assembleia Municipal. “Podia ter vindo aqui dizer que era contra as prioridades do empréstimo”, sublinhou o autarca do PSD, dando conta de que, em matéria de desenvolvimento económico, a autarquia tem previsto para o próximo ano o arranque de um projecto – denominado “Oliveira-Finicia” – que pretende incentivar a modernização de empresas já existentes e fomentar o aparecimento de outras.

Esclarecendo que neste programa, cujo regulamento ainda não foi aprovado, “haverá incentivos por parte da Câmara Municipal para a criação de postos de trabalho”, Alves exemplificou que “uma pessoa que crie uma pequena ou micro-empresa e crie três postos de trabalho, pode receber mil e 800 contos a fundo perdido” do Município de Oliveira do Hospital.

Relativamente à construção das piscinas da Cordinha, Alves admitiu que isso até possa vir a acontecer no futuro, mas "por enquanto" considerou que “não é uma prioridade”.

A marcar esta última sessão da Assembleia, ficou entretanto o pedido de suspensão de mandato, apresentado pelo deputado da CDU, António Lopes, que se ausentou da sala antes do final do período anterior à ordem do dia. É uma notícia que o correiodabeiraserra.com desenvolverá num dos seus próximos blocos informativos.

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