Nuno Vilafanha

PSD acusa José Carlos Alexandrino de ânsia de protagonismo e de prejudicar os oliveirenses com a oferta de receber refugiados no concelho

“Extemporâneas” e “teatrais”. É assim que a Comissão Política do PSD de Oliveira do Hospital classifica as recentes declarações do Presidente da Câmara sobre a disponibilidade de acolher no concelho 20 famílias de refugiados provenientes do Norte de África. Os sociais-democratas dizem que apenas entendem as afirmações de José Carlos Alexandrino como “propaganda política” e pela “ânsia e necessidade de protagonismo”. “Não com um verdadeiro intuito social e humanitário”, sublinham em comunicado, no qual acusam o presidente da autarquia e o PS de estarem a tentar impor “ditatorialmente as suas vontades somente por tacticismo político, prejudicando o nosso concelho e as suas gentes”.

“O discurso paternalista do Sr. Presidente da Câmara soa a falso e não é compaginável com a frágil situação do nosso país e muito menos do nosso concelho. É uma falta de coerência e de respeito para com os oliveirenses quando se afirma que há, aparentemente, disponibilidade para ajudar os de fora e não se ajudam de forma efectiva as pessoas da nossa terra”, escrevem ainda os elementos do PSD local, adiantando que em Oliveira do Hospital há muitas pessoas desempregadas e outras que são obrigadas “a abandonar o seu seio familiar, o seu concelho e mesmo o país”.

Esclarecendo que nada tem contra os refugiados ou imigrantes ilegais que arriscam a vida na procura de melhores condições de vida, a estrutura liderada por Nuno Vilafanha lembra, porém, a José Carlos Alexandrino que em Oliveira do Hospital “muitos idosos mal sobrevivem” e onde o número de nascimentos é reduzido por falta de condições económicas”. “Canalize-se essa vontade numa maior ajuda aos oliveirenses e aos portugueses que mais necessitam e aumentem, por exemplo, os incentivos à natalidade”, aconselham, sublinhando que no município já existem imigrantes que necessitam de ajuda e que pouca ou nenhuma recebem. “Onde está a coerência nesta posição e atitude do Sr. Presidente?”, questionam, referindo-se às declarações do autarca, nas quais  refere que o município tem disponibilidade para financiar o acolhimento de 20 famílias de refugiados.

Os sociais-democratas confessam não ter medo de serem “politicamente” incorrectos quando se trata da “defesa do povo português e em particular dos oliveirenses”. “Estamos certos que muitos, se calhar a grande maioria, não concorda com o posicionamento tomado pelo Sr. Presidente e não desejam cá esses refugiados que irão, seguramente, viver à custa da nossa debilitada segurança social ou em actividades obscuras e sem controlo. Por esse motivo, julgamos que num assunto sério, delicado e sensível o mesmo não deveria ter mostrado, em nome de todos os oliveirenses, a sua disponibilidade para o acolhimento destas pessoas sem primeiro ter auscultado a Assembleia Municipal e outras instituições e organizações do nosso concelho”, rematam.

A estrutura liderada por Nuno Vilafanha termina com uma série de questões que gostaria de ver respondidas por José Carlos Alexandrino. Entre elas elas gostariam de saber em que lugares ficarão alojados os refugiados? Em que condições? Quanto vão custar esses alojamentos? Onde vão trabalhar? Quanto tempo cá ficarão? Que perigos representam?

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  • António Lopes

    O Senhor Presidente não pode “ajudar” tudo.Já nos “ajudou” a aliviar os bolsos aumentando a água mais trezentos mil euros que o anunciado e necessário, e para nos ajudar ainda mais, faz tudo para que não se saiba.Já “ajudou”, com um corte de 15 mil euros, no apoio aos estudantes do ensino superior.Já “ajudou” com um corte no subsídio de natalidade. Anda a criar um “projecto revolucionário” para a saúde.Está a implementar um projecto, ainda “mais revolucionário”, na contabilidade da Câmara, como o demonstram variadíssimas actas.
    Já criou um “exército de guerrilha”,para conseguir a construção do IC6. Agora vai instalar estas famílias no lar de Travanca que diz que pertence e é responsabilidade do Concelho de Tábua. Está a pensar criar um partido, que arranje “soluções governativas” que resolvam, de vez, o marasmo em que estamos mergulhados e equilibre as finanças públicas . Sejamos “justos”..! O Senhor Presidente também não pode fazer tudo..!

  • Alibaba

    Os refugiados vão para a sede do PSD, pois está sempre às moscas.
    Então não era o Alex que CPC queria para candidato? Depois do convite do PS ficaram amuados. Estão bem uns para os outros. Bom era irem todos para Lampedusa, na ilha, longe do concelho é que estavam bem.
    Trocávamos 20 da Serra Leoa por 20 que cá escolhêssemos.

    • Politicalex

      Ora aqui está uma proposta com pés e cabeça…Para eles não ficarem prejudicados a qualidade dificilmente não é melhor, podíamos mandar mais dez, de compensação…

  • respeitoaoproximo

    É um facto que a nossa Seg. Social tem que ter uma palavra no apoio a esta gente.A mim também me tiraram 400 e tal euros para ajudar o País,que o que está no 44 deixou na miséria,vamos agora ajudar os de fora,quando precisamos nós de ajuda e de trabalho para os nossos? Não está o Alex a pensar já em votos? De todo o lado ele os vai buscar..é muito esperto este Alex.Quer é fazer dos outros parvos.Era bom que se visse ao espelho.

  • Dr. Lacrau

    Dr. Lacrau

    Quando o lobo veste a capa do cordeiro…

    A rapaziada e a raparigada do PSD aproxima-se cada vez mais dos seus avós do PPD… Igualmente trauliteiros, reacionários, estúpidos, mas hábeis no paleio para o público…

    Nem oito nem oitenta. Bom-senso neste assunto dos eventuais refugiados. Nem foguetório de declarações espampanantes para a comunicação social como se apressou a fazer o Presidente da Câmara, nem insinuações xenófobas como faz a rapaziada do PSD/PPD.

    Por exemplo, uma coisa é receber um molho de refugiados a granel e amontoá-los num depósito em Travanca de Lagos — como tenderia para fazer a Câmara apesar das pretensas boas intenções. Outra coisa bem diferente será acolher algumas crianças abandonadas em consequência das guerras em famílias de acolhimento apoiadas e selecionadas para esse efeito.

    Entretanto, é também necessário esclarecer coisas a que ninguém parece querer esclarecer. Afinal quem fornece o armamento aos grupos, aos exércitos que se engalfinham em combates em atrocidades em vários pontos do globo ? Que interesses geo-estratégicos das maiores potências se jogam nessas regiões ? Quem tem a pretensão criminosa em ser o polícia do mundo e despeja bombas onde lhe apetece?

    Pois no que toca ao médio oriente, há uns 150 anos que tudo aquilo que de pior por lá acontece tem por detrás, na frente ou no meio, os interesses das grandes multinacionais norte-americanas do petróleo e mais recentemente do armamento e da construção civil. É, “eles” os polícias do mundo, engendram os conflitos, despejam as bombas e rebentam com tudo cá em baixo e depois mandam as grandes empresas da construção civil reconstruir . Entretanto, sugam o petróleo do médio oriente ( e querem sugar o petróleo da Venezuela, entre outros países).

    E lá está a tragédia humana onde as crianças e os velhos são as primeiras vítimas.

    Dr. Lacrau

    • Politicalex

      Não diria melhor..! Análise correcta e realista…De onde vem tanta arma..?