“A principal obra deste mandato e dos dois anteriores foi o tratamento às pessoas”

Ainda que pouco interessado em “obras de fachada” o autarca espera ver concluídos três projetos que considera essenciais para a freguesia e disse esperar que “seja desta”, por via da BLC3, que a ACIBEIRA saia do marasmo em que tem estado mergulhada desde há longos anos.

Correio da Beira Serra – Volvido mais de meio mandato, qual o balanço que faz do trabalho realizado?
Raul Costa –
Fazemos um balanço positivo. Neste momento já se fez uma série de obras, nomeadamente ao nível de pavimento de ruas. Atualmente, praticamente não existem ruas por pavimentar em Lagares da Beira. Foram concluídos também alguns acessos principais através da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital e por insistência nossa. Relativamente àquilo que foram as nossas intenções, temos ainda três ou quatro situações que nos falta concluir e que esperamos que se façam até ao final do mandato. Refiro-me concretamente ao antigo quartel dos bombeiros que, numa primeira fase, envolve a recuperação do salão e da parte principal do edifício. A ideia é tornar o espaço funcional e dignificá-lo. Atualmente está a ser usado por um dos ranchos mas em condições muito precárias.

CBS – Já existe projeto? Qual o investimento previsto?
RC
– Sim existe. Numa primeira fase o investimento deve orçar os 150 mil Euros. A ideia é eliminar a garagem onde funciona um dos ranchos e transformar o espaço num largo que mostre melhor aquela fonte antiga e crie ali uma zona central de acesso à igreja. É um projeto muito bonito e até já o apresentámos em reunião de Assembleia de Freguesia.

CBS – Mas ainda entrará em obra no presente mandato?
RC
– Acredito que arranque ainda em 2012 com o apoio da Câmara Municipal que é proprietária do edifício. Para já, há garantia da Câmara de arranjar o espaço e nós fazemos pressão, tal como nos compete. Outros projetos que gostaria de ver concluídos são o arrelvamento do campo de futebol e o alargamento do cemitério. No que respeita ao cemitério o projeto está pronto e a CCDRC vai proceder à análise de solos. A Junta já está a proceder à elaboração do concurso, contando para o efeito com subsídio da Câmara Municipal São três projetos que eu gostaria de ver concluídos neste mandato.

CBS – De facto nos últimos tempos, Lagares da Beira tem sido notícia pela questão do relvado sintético. Acredita que no presente mandato a obra seja feita e os lagarenses venham a ser brindados com um relvado que dignifique a prática desportiva na freguesia?
RC
– Se me perguntarem se esta é uma obra prioritária no momento de crise em que vivemos direi que não. Mas há uma promessa eleitoral que o presidente faz questão em cumprir. Nós temos que manter pressão e vamos ter reunião ainda hoje na Associação Desportiva e há garantia de que vai ser realidade. Acho que está tudo mais ou menos preparado para poder avançar.

CBS – Qual o investimento previsto?
RC –
O complexo desportivo na totalidade vai para os 600 mil Euros, o relvado sintético deve ficar por metade. Mas o que é realmente necessário é o complexo na totalidade, porque o espaço tem vindo a ser vandalizado e neste momento a equipa tem muitas dificuldades. Cada vez que têm treino ou jogo, têm que montar o esquentador e desmontar para não correrem o risco de novo roubo. Isto não é nada. A equipa vai subir à divisão de honra e não tem condições para receber as equipas adversárias. Tem necessariamente que ser. Na próxima época tem que poder contar com outro tipo de condições. E não tenho muitas dúvidas disso, porque acredito nas pessoas e em particular do presidente da Câmara Municipal.

CBS – Qual entende ser a principal marca do atual mandato autárquico?
RC-
A principal obra deste mandato e dos dois anteriores foi o tratamento às pessoas. Faz parte da nossa maneira de ser, conversar com as pessoas e tratar toda a gente bem. O nosso objetivo sempre foi de ajudar as pessoas, complementando com obras físicas que também são necessárias. Mas sempre tivemos a preocupação de fazer obras úteis e não de fachada. Temos muita obra feita em termos de caminhos rurais, pavimentos de ruas e pequenas obras de apoio à população. Por exemplo, a Junta passou a assumir o posto de Correios com o objetivo de continuar a assegurar esse serviço à população. Todo este tipo de apoios…arranjámos uma sala de espera para a população que acorre ao posto médico. Preocupamo-nos efetivamente com as pessoas e essa é a nossa prioridade.

CBS – Têm médico com que frequência?
RC –
Todos os dias e devo sublinhar o excelente serviço que a médica tem prestado à população. Apesar de ter um horário de trabalho, não deixa de atender as pessoas que se encontrem à espera de consulta. Tem sido uma pessoa inexcedível no esforço que tem feito para atender os utentes.

CBS – Às portas cidade, a freguesia mantém uma dinâmica própria e continua a assegurar um conjunto de serviços ..
RC –
Sim é verdade. Nós temos aqui praticamente tudo. Temos creche, agrupamento de escolas, bombeiros, lar com três valências, dois ranchos folclóricos, associação desportiva, associação de pais. As associações estão todas vivas. O apoio que temos dado às associações é outra marca do nosso trabalho. Nenhuma outra Junta deu o apoio que nós temos dado às associações, com o objetivo de as manter vivas. Temos apoiado sistematicamente e isso custa-nos dinheiro, mas entendo que é uma mais valia.

CBS – Com esta dinâmica tem sido possível à freguesia assegurar postos de trabalho?
RC
– Claro que hoje o desemprego afeta toda a região e Lagares da Beira não é exceção. Mas temos a sorte de ter aqui uma fábrica de confeções que emprega muita gente. A empresa passou por um período menos favorável, mas julgo que já está ultrapassado. A continuar assim penso que se vai manter e isso é bom para Lagares. Temos também empresas de construção civil, os bombeiros, o lar, a obra D. Eugénia e o agrupamento de escolas que dão emprego a muita gente. Alguns lagarenses acabaram foi por perder os seus postos de trabalho em empresas da cidade que não resistiram à crise.

CBS – Estão garantidas as condições para a necessária qualidade de vida em matéria de saneamento básico?
RC
– Temos cerca de 90 por cento da freguesia coberta com rede de saneamento. Falta-nos uma parte que é a rua Fonte Oliveira, Bairro do Seixinho e o Forninho, ainda na zona urbana da vila. As tubagens já estão colocadas, mas falta fazer a estação elevatória, estamos a pressionar nesse sentido. Em matéria de água ao domicílio, também conseguimos ultrapassar os problemas da falta de água. Esta foi outra conquista porque aqui há uns anos, no verão, havia constantes falhas de água. E uma das nossas lutas foi tentar regularizar e normalizar o abastecimento de água à população. Isso conseguiu-se ainda com o anterior executivo municipal e já há anos que a água não tem faltado em Lagares da Beira.

“Já é tempo de se dar vida àquele espaço (ACIBEIRA) que, tal como está, não dignifica a freguesia”

CBS – A ACIBEIRA continua a ser uma pedra no sapato da freguesia. Existe alguma ideia de revitalização do espaço?
RC-
Sim finalmente. A ideia é a recuperação do espaço por fases e pensamos que a solução poderá passar pela BLC3. O objetivo é dar vida ao espaço e até criar ali alguns postos de trabalho. A BLC3 tem vários projetos em curso com várias universidades e a ACIBEIRA é vista como um bom espaço para acolher a Plataforma que atualmente está sedeada na Zona Industrial, num espaço arrendado pela Câmara Municipal.

CBS – Perspetiva um novo fôlego para a freguesia?
RC –
Penso que sim. Tem visto a minha insistência relativamente àquele espaço. Esperamos sinceramente que ainda venha a acontecer durante este mandato. A Câmara está a fazer negociação com a Caixa de Crédito Agrícola da Beira Centro para que o espaço reverta para o município. Já é tempo de se dar vida àquele espaço que, tal como está, não dignifica a freguesia. Em tempos até cheguei a dizer que preferia não ter aquele espaço na freguesia.

CBS – Acha que houve falta de vontade dos anteriores executivos municipais para resolver o problema?
RC
– Acho que não foi uma questão de desinteresse. Tentaram a negociação, mas as coisas nem sempre são fáceis. Também não havia nenhuma ideia em concreto para revitalizar o espaço. Em tempos, até se falou na criação de um centro de estágio desportivo. Mas agora com a Plataforma surgiu a ideia de se arranjar o espaço para aquele efeito. Agora começa a surgir uma luz ao fundo do túnel para que a ACIBEIRA possa renascer.

CBS– A freguesia tem perdido população?
RC –
A nossa freguesia não é das que mais tem perdido. Neste momento, devemos ter cerca de 1800 habitantes..

CBS – Como encara o processo de extinção de freguesias e qual o desfecho que prevê para o concelho de Oliveira do Hospital?
RC –
Sou frontalmente contra o encerramento de qualquer freguesia seja pequena ou grande, porque entendo que as freguesias são governos de proximidade e o primeiro porto de abrigo das pessoas. Alvôco de Várzeas e S. Gião podem ser freguesias pequenas, mas ficam distantes da sede de concelho. São pequenas , mas necessárias. E se o governo pretendia poupar alguma coisa com a extinção de freguesias, penso que isso não vai acontecer, porque eles vão gastar mais dinheiro porque vão ter que manter os serviços à distância. Não concordamos com esta lei.

CBS – Na última Assembleia Municipal revelou-se indisponível para integrar um grupo de trabalho para avaliar este processo…
RC –
Sim é verdade. Não quero fazer parte dessa comissão. O governo antes de fazer uma lei deve-a estudar e analisar com a participação de todos. Neste caso, o governo não ouviu ninguém. Fez-se uma lei às cegas e à revelia das pessoas. Depois da lei estar feita, tem-se assistido à contestação das pessoas. Em Lisboa já aconteceu a maior manifestação de sempre… o governo assiste a tudo isso e agora quer fazer das Assembleias Municipais os maus da fita.

CBS – Mas Oliveira do Hospital tem um caso sensível entre mãos, Nogueira do Cravo, que é a segunda maior freguesia do concelho…
RC –
Em último recurso se tiver que ser feita uma comissão de trabalho para evitar males maiores, para que em vez de seis, sejam extintas apenas cinco ou quatro… pronto que se faça. Mas sou frontalmente contra isso.

“Mas com este executivo, é óbvio que as coisas são diferentes”

CBS – Exerce o seu último mandato na presidência da Junta de Freguesia. Para além da confiança que o povo lhe depositou, a que é que se deve a sua longa estadia na Junta de Freguesia?
RC
– Comecei desde muito novo nas associações. Esta sempre foi a minha vida e em todos os sítios por onde tenho passado também tenho contado com verdadeiras equipas de trabalho, porque não é só uma pessoa que faz isto, contrariamente ao que se pensa. Há equipas que nos auxiliam. No caso da Junta de Freguesia, em cada um dos três mandatos, contei com uma excelente equipa, que tem colaborado sempre e feito um bom trabalho. Não é o meu trabalho, é o trabalho de uma equipa e por isso é que eu aqui continuo e vou fazendo o que posso pela freguesia, porque parar é morrer.

CBS – Ainda que não se possa recandidatar à presidência, equaciona integrar uma lista candidata?
RC
– Pois… ainda é muito cedo para falarmos nisso. Vamos ver, mas também não coloco essa possibilidade de parte. Até se pode candidatar a mesma equipa, mas em lugares diferentes. Estou cá para colaborar sempre e se for preciso lá estarei.

CBS – No seu último mandato partilha a mesma cor política do executivo municipal. Isso de alguma forma beneficia a freguesia de Lagares da Beira?
RC –
Beneficia sempre. O início do anterior mandato foi um bocado conturbado, mas ao fim do segundo ano houve entendimentos, porque tinha que haver. Apesar de as pessoas serem de partidos diferentes têm que dialogar e se entender. Nós mantivemos sempre o diálogo institucional com o anterior executivo e também fizemos obra. Mas com este executivo, é óbvio que as coisas são diferentes. Há uma colaboração muito mais estreita e este executivo tem-nos ajudado imenso e tem sido indispensável porque sem ele não teríamos feito aquilo que já fizemos. Por exemplo a estrada da Ribeirinha que estava para ser feita há anos, o saneamento da 21 de junho que contamos que seja repavimentada no presente mandato… tem havido uma colaboração muito boa.

Vive-se melhor em Lagares da Beira. Da nossa parte, temos tido a preocupação de facilitar a vida às pessoas. Recentemente, em colaboração com a Caixa de Crédito Agrícola, decidimos colocar aqui uma Caixa Multibanco para permitir que as pessoas levantem aqui o seu dinheiro e possam fazer compras no comércio local.

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