Imagem vazia padrãoEm entrevista ao CBS – realizada poucos dias após a demissão de Menezes –, o reeleito líder do PSD, José Carlos Mendes, está convicto de que a sua candidatura vai ser ratificada pela nova liderança do partido, mas admite que “esta situação pode trazer, do outro lado, algumas esperanças de que o próximo líder que for eleito a nível nacional possa tomar uma outra posição”.

“Está a terminar-se um ciclo e é tempo de se fazer uma mudança”

CBS – Na campanha eleitoral para as eleições do PSD disse ter garantias por parte do secretário-geral do partido e do próprio Luís Filipe Menezes no sentido de que o processo da escolha do candidato às próximas eleições autárquicas seria conduzido por quem vencesse as eleições. Cinco dias depois, Menezes apresentou a demissão do partido. Acha que este facto pode, de alguma forma, vir a inviabilizar a sua candidatura à CMOH?
José Carlos Mendes –
Na minha perspectiva, acho que não. As bases devem ser respeitadas e, nada melhor do que as bases para escolherem o líder às próximas autárquicas de 2009. Nestas eleições apresentámos um projecto em que dizíamos às pessoas que eu seria o candidato do PSD nas próximas autárquicas, caso vencêssemos as eleições, e tendo por base as conversas que existiram quer com o secretário-geral do PSD, quer com o dr. Filipe Menezes. Mas, independentemente dessas conversas, estou convencido que o líder que agora for eleito irá respeitar aquilo que as bases escolheram.

CBS – Mas, pelo menos, estará convicto de que o processo deverá atrasar-se e poderá abrir uma nova polémica no seio do PSD…
JC –
Estou…acho que esta situação pode trazer, do outro lado, algumas esperanças de que o próximo líder que for eleito a nível nacional possa tomar uma outra posição. Mas nós temos os nossos argumentos para fazer vingar as nossas posições. O secretário-geral do partido disse-nos em Lisboa que a lista que ganhasse as eleições tinha todo o direito de escolher o candidato às eleições autárquicas. Disse também que na reunião que iria ter a seguir – com o sr presidente da Câmara e o seu vice-presidente, candidato a estas eleições – ia dizer a mesma coisa. Nós desafiámos a seguir o sr presidente da Câmara a apresentar-se como candidato – achávamos que era ele que devia estar nesta disputa –, ele não o quis fazer, mandou o seu vice-presidente, mas por trás toda a gente sabe que ele esteve na organização da campanha e participou activamente nos bastidores. Portanto, a derrota não foi só do seu vice-presidente, mas também dele próprio. Era um projecto corporizado pelos dois que estava em questão.

CBS – O CBS sabe que alguns elementos da lista que saiu derrotada vêm afirmando que, com a demissão de Menezes, o prof. José Carlos Mendes não tem neste momento legitimidade para se auto-proclamar como candidato do PSD. Como é que comenta esta afirmação?
JCM –
São afirmações de pessoas que estão agarradas ao poder e que têm dificuldade em deixá-lo. Eu acho que neste momento está a terminar-se um ciclo – essa é pelo menos a minha visão – e é tempo, dentro do próprio partido, de se fazer uma mudança. As pessoas estão ansiosas por uma mudança de políticas ao nível da Câmara municipal e sabem que somos a melhor opção para o PSD em 2009. O projecto que nós apresentamos, trará outro desenvolvimento ao concelho de Oliveira do Hospital e isso é fundamental que aconteça. Acho que os elementos ligados à outra lista têm que ter a noção de que foram a eleições e perderam. Têm que respeitar os vencedores e aceitar de uma forma democrática aquilo que os militantes lhes fizeram, ao darem-nos a vitória.

CBS – Já obteve alguma reacção política por parte da distrital do PSD à sua vitória nas eleições do dia 12?
JCM –
Até agora ainda não…

CBS – Espera vir a recebê-la?
JCM –
Espero vir a conversar com o presidente da comissão política distrital e iremos convidá-lo para a nossa tomada de posse.

CBS – Como é que estão as relações entre a CPS e a distrital do PSD? Não acha que a distrital também poderá estar interessada em inviabilizar a sua candidatura e apoiar um candidato (Mário Alves) que, nas últimas duas eleições autárquicas, venceu com maioria absoluta?
JCM
– Não sei qual é o pensar da comissão política distrital sobre esse assunto, porque também ainda não se pronunciou, mas espero que eles respeitem as bases, que são a mais-valia do partido.

CBS – Mas convenhamos que nos últimos dois anos as relações com a distrital também não foram as melhores…
JCM –
É verdade! Durante estes dois anos, as relações com a distrital foram quase inexistentes.

CBS – Como é que vai lidar com a maioria dos presidentes de Junta eleitos pelo PSD e que, à semelhança do que aconteceu com o presidente e o vice-presidente da Câmara, também hostilizaram o partido? Estão neste caso, por exemplo – e entre outros –, os autarcas de Oliveira do Hospital, Nogueira do Cravo e Lagos da Beira.
Imagem vazia padrãoJCM –
Quando existe um acto eleitoral onde se apresenta mais do que uma candidatura, as pessoas têm a possibilidade de escolher aquela que na sua perspectiva lhes dá mais garantias. A maior parte dos presidentes da Junta fez a opção pela lista liderada pelo Paulo Rocha. No entanto, nós afirmámos durante a campanha – e já depois disso – que uma coisa é a campanha eleitoral, outra coisa é o partido depois das eleições. Nós pretendemos unir o partido e não excluímos ninguém: quer tenha estado connosco quer tenha estado a apoiar a outra lista. Iremos com certeza conversar com os presidentes de Junta, porque do outro lado há pessoas com muito valor e que nós queremos, também, no nosso projecto político. Estou convencido que eles, como bons sociais-democratas que são, irão ouvir-nos e participar no projecto que pretendemos implementar. Pelo menos, é essa a nossa postura: unir o partido, fazendo-o com os presidentes de Junta do PSD que temos no concelho.

CBS – No entanto, não deverá estar agradado com a forma como os presidentes de Junta que foram citados e outros hostilizaram o partido, não comparecendo a iniciativas e reuniões do PSD, não aparecendo no convívio das Caldas de S. Paulo…
JCM –
Às vezes eu compreendo as posições dos presidentes de Junta, mas no entanto é verdade que gostaria de os ter visto nessas organizações. Alguns deles estiveram lá, mas gostaria de os ver lá a todos porque o partido é um só e quem tem estado a liderar o partido sou eu, com a equipa que comigo concorreu às últimas eleições. Acho que é dever daqueles que foram eleitos pelo partido – desde que o possam fazer – comparecer nas iniciativas. Espero que no futuro isso venha a acontecer. Foi com o símbolo do PSD que os presidentes concorreram e foram eleitos nas últimas eleições autárquicas.

CBS – Pelo que afirma, a sua preocupação é a de criar um clima de paz e não penalizar esses autarcas…
JCM –
Sim. A nossa posição é a da união do partido, porque achamos que terminadas as eleições, quem foi eleito deve ser respeitado, desde que ele respeite também os outros. Nós, sempre respeitámos aqueles que estiveram do outro lado quando disputámos eleições. Vamo-lo fazer agora e esperamos que, das três, quatro, cinco pessoas principais, aconteça a mesma coisa. Nós ouvimos no debate na rádio Boa Nova o candidato da lista A – o Paulo Rocha – dizer que quer ganhasse quer perdesse as eleições, não se candidataria em listas independentes e estaria disponível para unir o partido. Da nossa parte, também estamos interessados em que isso aconteça.

CBS – Embora também tenha dito nesse debate, que não lhe reconhecia perfil de liderança…
JCM –
Eu aceito o pensamento dos outros. Cada um é livre de pensar aquilo que entende relativamente aos seus adversários políticos. Acho é que as pessoas devem-se reunir de todos os dados para poderem dizer o que ele disse. E, nesse aspecto, quem me poderá julgar melhor são aqueles com quem eu trabalhei ao longo da minha vida em determinadas organizações. Nomeadamente, na associação da minha terra onde estive 15 anos à frente da direcção e tive várias pessoas comigo que podem dizer como é que eu trabalhava; na Escola da Cordinha, fui presidente da comissão instaladora e as pessoas que estiveram comigo podem dizer o que é que pensam das minhas lideranças; na Escola Secundária, onde fui presidente do Conselho Executivo, as pessoas também podem falar sobre a forma como eu trabalho; e também na câmara municipal (CM), quando por lá passei – apesar dos constrangimentos, porque toda a gente sabe que a liderança na CM é centralizada, feita à base de uma só pessoa –, mesmo apesar das limitações, consegui fazer um trabalho que não me envergonho dele. Tinha muitas limitações… vim-me embora. Não concordava com muito daquilo que era feito e, apesar de ser solicitado para continuar, decidi regressar à escola.

CBS – Como é que comenta o aparecimento na corrida de um peso pesado do PSD – Manuela Ferreira Leite?
JCM –
É salutar que elementos com determinado peso no PSD e que têm estado na retaguarda se apresentem para que o partido, de uma vez por todas, estabilize e não aconteça o que tem acontecido até agora. É eleito um líder e a seguir estão logo uma grande parte dos notáveis do partido – passe a expressão – a criticá-lo e, no fundo, a deitá-lo abaixo. Esperamos que estas eleições façam com que o partido acalme e que deixem trabalhar o líder que foi eleito, para que o PSD no futuro possa ser um partido vencedor.

Henrique Barreto
Liliana Lopes

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