Imagem vazia padrãoMaria da Nazaré Ramos deixou a casa insalubre que habitava nas Seixas e mudou-se com os três filhos para uma habitação do Bairro Social Nª Sr.ª da Estrela, em Seixo da Beira.

“Não podia continuar aqui com os meninos”

Com um novo projecto de vida, a jovem mãe acredita num futuro melhor para os seus filhos. Agradece o apoio dos serviços sociais e ao Correio da Beira Serra diz: “valeu a pena contar a história da minha vida”.

A mulher que o Correio da Beira Serra encontrou numa manhã fria de Janeiro passado a lavar roupas de criança no lavadouro público da povoação das Seixas, freguesia de Seixo da Beira, testemunha na primeira pessoa a “maravilha” que mudou a sua vida e dos três filhos que corria o risco de perder.

Sem saber precisar a altura certa da mudança – julga ter sido há cerca de três meses – Maria Nazaré é a nova moradora do bairro social de Nª Sr.ª da Estrela, onde ocupa uma habitação com os seus três filhos: Catarina, Carlos e Marco com nove, seis e cinco anos de idade, respectivamente. Esta já era uma vontade antiga de Nazaré que, para tentar dar rumo à vida já tinha feito uma solicitação nesse sentido ao presidente da Junta de Freguesia de Seixo da Beira. A resposta tardava em chegar e passados 11 meses, Nazaré dá por bem empregue o tempo que perdeu em descrever ao CBS o drama diário da sua vida. “Valeu a pena contar a história da minha vida”, confessou, garantindo que “tudo mudou para melhor”.

Sem emprego, largada do marido, a jovem mãe de 32 anos via-se a braços com as carências económicas e temia, na altura, que as crianças lhe fossem retiradas. A casa que habitava com a mãe e um dos seis irmãos também não ajudava nada. Ainda está bem presente na memória a descrição que o CBS publicou nas suas páginas de 6 de Fevereiro passado e que sensibilizou toda a gente. Um espaço insalubre, sem água, nem luz, nem casa-de-banho e uma cama para cinco pessoas são apenas alguns dos pormenores da casa das Seixas, onde continuam a habitar os pais de Nazaré – o pai regressou ao lar – e um dos irmãos. Mas, para além da sua condição de desempregada e da falta de condições de Imagem vazia padrãohabitabilidade, o que mais agoniava Nazaré era a possível retirada dos filhos por decisão do Tribunal. “A Assistente Social disse que eu não podia continuar aqui com os meninos, porque senão o juiz vinha cá buscá-los”, disse na altura ao CBS, garantindo, no entanto que “os meninos comem bem e andam sempre limpinhos”. Recorde-se que Nazaré tinha sido despejada de uma casa que ocupava com os filhos, em Ervedal da Beira, por falta de pagamento das rendas. No início deste ano – segundo contou ao CBS – o sustento era assegurado com os “18 contos dos abonos” e com a ajuda da mãe, uma idosa de 78 anos.

Contudo, o caso que até àquela data era conhecido apenas por vizinhos, presidente da Junta de Freguesia e responsáveis pela Acção Social do concelho, tornou-se público. A história da jovem mãe ladeada pelos três filhos iluminados com a luz da candeia deixou de ser um problema só de Maria da Nazaré, para passar a ser um problema dos que têm responsabilidades no concelho. O futuro da Catarina de 9 anos, do Carlos de 6 e do Marco de 5 anos chegou à mesa de trabalho do executivo da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital. E, o presidente do Município não ficou insensível a este caso. A autarquia pôs mãos à obra, preparou-lhe a habitação e orientou a jovem mãe no sentido de proporcionar uma nova vida aos seus filhos. “O caso da Maria da Nazaré está no bom caminho. Ela já tem um novo projecto de vida”, disse numa reunião pública Mário Alves. E, agora Maria da Nazaré não deixa de lhe agradecer. “Nunca falei com o presidente da Câmara, mas estou-lhe muito agradecida”, confessou, realçando também o empenho das assistentes sociais na resolução do seu problema. “Elas têm sido impecáveis comigo. Estão muito contentes comigo e eu com elas”, sublinhou. Imagem vazia padrão

Nazaré quer recuperar emprego na Junta de Freguesia
Ainda antes de se mudar para nova casa – paga 25 euros mensais de renda – Nazaré passou por um período de trabalho de seis meses, ao serviço da Junta de Freguesia do Seixo da Beira. Segundo contou ao CBS, o contrato chegou ao fim e não houve possibilidade de renovação. Agora a beneficiar do Rendimento Social de Inserção, Nazaré ainda acredita que possa voltar a trabalhar para a Junta de Freguesia. Gostou do trabalho que fazia e a proximidade com o local de residência permitia-lhe cuidar dos meninos, sem necessitar de ajuda. “Pode ser que me chamem”, contou, lamentando a falta de empregos naquela localidade. Anseia por uma vida melhor, até porque tem consciência de que o subsídio é uma ajuda, mas não é uma solução. Diz-se movida pelos “meninos”. “Tudo o que tenho são os meus meninos e faço tudo para o bem deles”, contou, revelando que a mudança de vida “foi maravilhosa”. Está disposta a trabalhar para poder dar uma vida melhor aos três filhos. “Até eu poder eles vão andar na escola. Quando eu não puder, têm que ser eles a trabalhar para serem alguém na vida”, considerou a jovem mãe.

“Agora sim, passamos muito melhor”
Foi com orgulho que Maria da Nazaré abriu as portas da sua nova casa. Já sem luz do dia, foi sem hesitação que deitou a mão ao interruptor para, num só gesto, iluminar a sala da nova habitação. “Antes tínhamos que andar com a candeia para todo o lado”, recordou, ao mesmo tempo que circulava pelos dois quartos, a casa-de-banho e a cozinha que agora são uma realidade na vida daquela família monoparental. “Num quarto dormem os meninos e no outro fico eu com a minha Catarina”, explicava apontando para os beliches de cada um dos quartos. Na sala não faltam os respectivos sofás, a estante com televisão e as secretárias dos filhos. E, na cozinha existe um fogão “a sério”, uma mesa com quatro cadeiras, lava-loiça e os tão necessários frigorifico e aquecedor. Mas as novidades não se Imagem vazia padrãoficam por aqui. Nazaré conta já com a ajuda de uma máquina de lavar roupa e até tem telemóvel. “Comprei as coisas com os ordenados e com o dinheiro que recebo do rendimento mínimo”, contou ao CBS. Dá grande valor à casa-de-banho: “nas Seixas não tínhamos condições. Aquela sanita era horrível e nem sei como é que nunca apanhámos uma doença com aquele cheiro”.

Com uma vida mais desafogada e com outras condições de habitabilidade, Nazaré consegue também proporcionar uma melhor alimentação aos filhos. “Agora sim, passamos muito melhor, lá era pior”, frisou, não escondendo a satisfação por ver a felicidade estampada nos rostos dos três filhos. “Eles estão muito contentes. Eu adoro os meus meninos e eles adoram-me a mim também”, acrescentou. Nazaré não tem dúvidas de que este Natal será o melhor da sua vida e dos seus filhos. “Vou comprar uns enfeites de Natal e uma prenda para cada um dos meninos”, referiu satisfeita.

Liliana Lopes

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