“Oliveira do Hospital aproxima-se dramaticamente de um número de desemprego muito próximo do dobro da média nacional”

O presidente da Câmara de Oliveira do Hospital não teve grandes dificuldades em conseguir aprovar na Assembleia Municipal – realizada no dia 19 – o Plano de Actividades e o Orçamento para 2010.

Os documentos, que integram também as Grandes Opções do Plano (GOP), foram aprovados por maioria e com apenas duas abstenções oriundas dos autarcas das freguesias governadas pela CDU: Vila Franca da Beira e Meruge.

Fazendo questão de sublinhar que o facto de o PS estar a governar em minoria não o preocupa, José Carlos Alexandrino deu no entanto a entender que o seu executivo poderia ter outra estabilidade, quando se referiu à tentativa de acordo que tentou fazer com os dois vereadores do movimento de eleitores independentes “Oliveira do Hospital, Sempre”. “Tentei fazer um acordo com o grupo dos independentes…assumo-o aqui sem reservas”, frisou o autarca do PS, que não perdeu a oportunidade para deixar um recado à oposição ao afirmar que “todos nós estamos aqui interessados em que isto corra bem, até porque isto está difícil e não está para brincadeiras”.

“Nenhum presidente da Junta vai ficar dependente do humor ou da boa vontade do presidente da Câmara… esse é o meu sonho”

Salientando que “o povo de Oliveira do Hospital” não compreenderia outra atitude, Alexandrino prometeu cumprir com o seu programa eleitoral, que considerou como “bastante ambicioso”, e prometeu inaugurar um novo ciclo na vida política oliveirense. “Quando não souber uma coisa não vou inventar que sei… vou documentar-me para depois poder dar as respostas”, garantiu o autarca.

Explicando que o Plano e Orçamento do seu executivo foram elaborados em “muito pouco tempo” – no espaço de um mês, sensivelmente –, Alexandrino salientou que a lei prevê que aqueles documentos pudessem ser apresentados em Abril, mas considerou não ser essa a melhor opção.

De resto, o chefe do executivo deu conta de que tanto as GOP como o Orçamento para 2010 “têm uma linha de continuidade que vem dos executivos anteriores”, em virtude de existirem algumas “condicionantes”, como obras que já se encontravam lançadas e adjudicadas e, algumas delas, comparticipadas pelos dinheiros do QREN. Estão nesta situação, por exemplo, a biblioteca municipal, a rectificação da estrada entre Oliveira do Hospital e Aldeia de Nogueira e as obras de saneamento a Casal de Abade.

Sobre a biblioteca, Alexandrino contestou a opção do anterior executivo em localizar aquele equipamento na antiga casa dos magistrados, e revelou ter informações de que a obra já tem uma “derrapagem” financeira na ordem dos “200 mil euros”. Quanto ao saneamento básico de Casal de Abade, existe também a indicação de que a obra parou por alegados problemas financeiros do empreiteiro.

Sustentando que este “não será ainda o Plano e Orçamento que nós desejamos”, Alexandrino colocou no entanto ênfase nalguns projectos que a autarquia oliveirense quer levar por diante – como a central de camionagem e o centro escolar de Nogueira do Cravo, por exemplo –, e defendeu que “no próximo ano é importante ouvir mais as freguesias”, para que o Orçamento reflicta “uma cultura de participação” através da “descentralização de poderes”. “Nenhum presidente da Junta vai ficar dependente do humor ou da boa vontade do presidente da Câmara… esse é o meu sonho”, observou o autarca, que aproveitou para considerar que no passado houve freguesias “que não tiveram tantos apoios como outras” e também existiram presidentes de Junta “que estavam sempre satisfeitos com a Câmara Municipal”.

No lote das freguesias onde o investimento municipal terá sido mais reduzido, Alexandrino citou os casos de Lajeosa, Seixo da Beira e Aldeia das Dez, mas observou que “no Seixo houve um ‘forcing’ antes das eleições”. Ao nível do problema que neste momento mais aflige o concelho – o desemprego –, o presidente da Câmara referiu já ter tido “contactos com empresários que se querem instalar em Oliveira do Hospital” e disse estar a tomar medidas no sentido de ampliar a zona industrial da cidade e para resolver o problema do Pólo Industrial da Cordinha.

“Oliveira do Hospital aproxima-se muito dramaticamente de um número de desemprego muito próximo do dobro da média nacional”

“O maior desespero é o número de pessoas que vêm aqui à Câmara pedir trabalho…Oliveira do Hospital aproxima-se muito dramaticamente de um número de desemprego muito próximo do dobro da média nacional”, afirmou Alexandrino, sublinhando que “resolver o problema das pessoas e a sua subsistência é prioritário”.

Num patamar preocupante está também a situação que o concelho vive em matéria de saneamento básico, e em que são poucas as freguesias onde não existam casos de esgotos a correrem a céu aberto. “Acho que temos um problema gravíssimo no concelho. Para mim, a seguir ao desemprego, os esgotos são o problema mais importante”, observou o chefe do executivo socialista, frisando que “nunca podemos ter um concelho de qualidade com esta situação”.

PS, PSD e independentes aprovam Orçamento e autarcas da CDU abstêm-se 

Sem criar grandes ondas, o PSD votou favoravelmente o Plano e Orçamento, mas com uma ressalva, já que o deputado municipal, João Esteves, afirmou que “sem pretender pôr em causa a capacidade de fazer novo ou diferente, todos certamente reconhecem hoje, que afinal as GOP anteriormente aprovadas não eram tão pouco ambiciosas ou prejudiciais para o desenvolvimento do concelho, já que, com alguns ‘retoques’, nos são novamente apresentadas”.

Aquele membro do PSD interveio ainda para considerar que “este executivo tem todas as condições para fazer muito por este concelho”, pois conforme explicou não se pode “ esquecer ou pôr de parte, que é da mesma cor política do Governo, que integra dois membros – uma ministra e um secretário de Estado – oriundos de Oliveira do Hospital”.

Em resposta, o presidente da Câmara não deixou de dizer que “isto tinha mesmo que ser de continuidade”, mas também explicou que o que conta não são só as GOP que estão inscritas em Plano, mas sim a capacidade de as executar. Sobre as condições políticas perante um Governo da mesma cor do executivo, Alexandrino já antes tinha afirmado – numa referência à construção dos novos itinerários complementares – que não era pelo facto de o Governo ser do PS que ia deixar de travar “uma luta feroz na defesa dos interesses do concelho”. “Ninguém pense que eu vou dar isto de barato”, garantiu o autarca.

Ainda da bancada do PSD, José António Madeira Dias fez uma breve intervenção para sustentar que este Orçamento tem poucas verbas destinadas à área da saúde e, referindo-se à Fundação Aurélio Amaro Diniz, apelou ao executivo para que apoie “a instituição do concelho que mais gente traz diariamente a Oliveira do Hospital”.

Alexandrino respondeu que, no próximo ano, vai querer recolher contributos das instituições ao nível da realização do Plano e disse ainda já ter agendada uma reunião com o presidente da Administração Regional de Saúde do Centro, João Pimentel, com vista a discutir o futuro da instituição agora liderada pelo médico Álvaro Herdade.

Para o autarca da CDU – João Dinis conseguiu aprovar por maioria duas moções onde reclama ao Governo que insira um vasto conjunto de obras, como a ESTGOH, por exemplo, no Orçamento Geral do Estado para 2010 – , é fundamental que nos próximos orçamentos exista um “reequilíbrio do investimento entre a zona norte e a zona sul do concelho”. O presidente da Junta de Freguesia é de opinião que, durante os mandatos de Mário Alves, a zona da Cordinha não teve as mesmas oportunidades que a parte sul do concelho.

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