Que a máquina do Estado sempre foi e continua a ser um enorme albergue de clientelas partidárias, todos o sabemos.

“Parece…”

 Que o grande “El Dorado” português – com as mordomias, os ordenados chorudos e as benesses – tem o seu epicentro na actividade política, também não é novidade nenhuma para ninguém.

Que, hoje, ter um cartão partidário é com certeza o melhor passaporte para viajar no mundo da política – um mundo onde muitas portas se abrem –, também é um facto que a passiva opinião pública portuguesa, que de quatro em quatro anos é convidada a fazer mais uns furos no cinto, já interiorizou.

O que já me parece francamente mau – a mim e a todos os que têm direito à indignação –, é que o presidente/candidato de uma das principais estruturas partidárias do país – a Federação Distrital do Partido Socialista de Coimbra –, venha a Oliveira do Hospital apresentar a sua candidatura e caia na infelicidade de afirmar, publicamente, que muitos dos que hoje o contestam, por causa de umas eleições partidárias agendadas para Outubro, são aqueles que ele próprio ajudou a empurrar para alguns cargos políticos. Os tais “Jobs for the Boys”, de que se bem se lembram tão criticados eram por António Guterres, nos idos anos de 1995.

Com esta afirmação – em política, há frases assassinas –, Victor Baptista pôs a nu o que realmente acontece neste cantinho à beira mar plantado. Um empurrãozinho daqui… um empurrãozinho dali e o “rapaz” um dia telefona ao progenitor: – Pai, cheguei onde queria!

A irresponsabilidade desta frase é ainda mais grave porque Victor Baptista não é um qualquer: em 1995, foi nomeado governador civil de Coimbra; é actualmente presidente da Federação Distrital do PS e deputado da nação. E por certo, também terá tido o seu “empurrãozinho”…

Bem me dizia o meu filho mais velho, quando tinha para aí uns três ou quatro anos de idade. – “Papá, aquele senhor do “Parece” – PS, queria ele dizer, coitado – deu-me um autocolante”. Pois é: em política o que parece é…

Todos nós metemos cunhas e pedimos favores – está na massa do sangue dos portugueses e duvido que exista alguém que nunca o tenha feito –, mas serei sempre um inconformado contra uma nação que continua a empurrar o clientelismo partidário para as cadeiras do poder e a sufocar a competência.

Henrique Barreto

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