O antigo governador civil de Coimbra, que actualmente exerce o lugar de deputado na Assembleia da República, esteve esta sexta-feira na Lajeosa num jantar/debate com cerca de 40 militantes socialistas...

“Quando me pediam para os ajudar a ir para os cargos não viam defeitos em mim…”

 … para a apresentação da sua recandidatura a à presidência da Federação Distrital do Partido Socialista de Coimbra. Num “território difícil”, já que algumas das principais figuras do PS local deverão apoiar a candidatura de Mário Ruivo – o director do Centro Distrital da Segurança Social de Coimbra –, Baptista conseguiu no entanto que Arménio Tavares e Ricardo Figueiredo assumissem as funções, respectivamente, de mandatário concelhio e mandatário para a juventude. Luciano Figueiredo, um membro da comissão política do PS de Oliveira do Hospital que, nesta candidatura, se auto-designa como “um operacional”, abriu o debate com um pedido de “um minuto de silêncio”pela morte de Manuel Caldeira – um conhecido socialista de Lagares da Beira – , e disse estar com Victor Baptista porque “em equipa que ganha, não se mexe”.

O mandatário concelhio, com poucas palavras, foi telegráfico: “Devem estranhar a minha presença nestas lides, mas por motivos de saúde e não só coloquei-me no terceiro anel”, vincou Arménio Tavares sem deixar de frisar que “todas as candidaturas são do PS, não são contra o PS”. Nesse sentido – sublinhou – “aqui estou para dar o meu modesto contributo”.

“Ele não esteve sentado na cadeira de governador à espera que as coisas caíssem no distrito”

Com o semblante bem-disposto que o caracteriza, o também ex-Governador Civil de Coimbra, Horácio Antunes – nas autárquicas de 2005 optou por declinar o convite para se candidatar pelo PS à autarquia de Oliveira do Hospital, decidindo antes sentar-se na Assembleia da República –, recordou as várias vitórias que Victor Baptista conquistou no distrito, em termos de eleições autárquicas, legislativas e europeias, e foi peremptório: “Se com este homem à frente do PS ganhámos todas estas eleições é porque é o caminho certo”.

O também antigo presidente da Câmara da Lousã, explicou que já anteriormente tinha apoiado Victor Baptista por lhe reconhecer “capacidade” e referiu que “é a candidatura mais forte no terreno”. Refira-se que Mário Ruivo – o principal adversário de Baptista –, foi assessor de Horácio Antunes aquando da sua passagem pelo governo civil de Coimbra.

Enaltecendo o candidato que apoia porque na sua óptica “continua a exercer fielmente as missões que lhe foram confiadas”, Antunes salientou também que quando Victor Baptista “foi Governador Civil de Coimbra não esteve sentado na cadeira à espera que as coisas caíssem no distrito” e – entre outros – deu o exemplo da criação da Escola Superior de Tecnologia e Gestão em Oliveira do Hospital (ESTGOH). “Foi ele que conseguiu com o ministro da Educação (Marçal Grilo) e com Carlos Portugal que esta escola viesse para Oliveira do Hospital”, recordou aquele que é um dos principais apoiantes da candidatura de Baptista no distrito de Coimbra.

“Divergência de opinião, convergência na acção”

Numa postura de “politicamente correcto”, o líder do PS local, que fez questão de aparecer neste jantar – apesar de nunca ter tomado nenhuma posição pública, José Francisco Rolo é tido como apoiante de Mário Ruivo –, elogiou o “pluralismo”, o “confronto de ideias, quando ele é necessário” como características fundamentais na vida do partido e deixou um “slogan”: “divergência de opinião, mas convergência na acção”. Mostrando disponibilidade para “debater o partido independentemente das divisões circunstanciais que possamos ter”, Rolo deixou no entanto um recado a Victor Baptista. “É preciso mais PS no concelho, é preciso mais PS no distrito. Precisamos de um PS mais ágil, um partido que vá do litoral ao interior”, advertiu o presidente da concelhia socialista, com os olhos postos “nos três grandes combates” eleitorais de 2009.

“Passei de bestial a besta, como se diz na gíria do futebol”

Victor Baptista agradeceu a presença de Rolo – “é uma forma saudável de estar na democracia”, sublinhou –, mas também não o deixou sem resposta. “Sou um rosto permanente de combate… não posso fazer mais do que faço. Já não tenho horas de descanso”, referiu Baptista sem deixar de referir que enquanto andam “alguns a sonhar em irem para a lista de deputados” ele colocou “sempre os interesses partidários acima dos pessoais”.

Vincando que o seu “primeiro cargo político” foi em 1995, enquanto governador civil, Baptista fez um auto-elogio. “Não precisei do PS para organizar a minha vida. Dediquei-me à política, quando já estavam os meus problemas pessoais resolvidos”. Depois dos “apartes”, o candidato desferiu um implícito ataque a alguns dos seus adversários, notando ser para si “uma surpresa” o facto de “aqueles” que o “apoiavam em 2006” estarem agora do outro lado da barricada. “Porque é que me apoiavam em 2006… não sei se foi só para o Victor Baptista os empurrar para os lugares… quando me pediam para os ajudar a ir para os cargos não viam defeitos em mim… passei de bestial a besta, como se diz na gíria do futebol”, argumentou Baptista.

Num tom sempre polémico, o candidato à Federação Distrital do PS acusou a candidatura de Mário Ruivo de falta “de um projecto político num momento difícil do PS”. “Não há projecto… apenas há ambição pessoal, perdoem-me a expressão”, disse Baptista. Realçando ter sido um dos “apoiantes de José Sócrates da primeira hora”, o antigo governador civil observou que foi nessa altura que começou o seu “ciclo político” e “com bons resultados” tanto no país como no distrito, já que pela primeira vez o PS obteve uma maioria absoluta.

Se vencer este acto eleitoral, no próximo mês de Outubro, Baptista promete desempenhar o cargo pela última vez, já que – conforme sublinhou – fica encerrado “um ciclo político”. Referindo-se à sua acção concreta no concelho de Oliveira do Hospital enquanto governador civil, Baptista não deixou passar em claro o empenho que colocou no processo da criação da criação da ESTGOH, recordando que – na altura – chegou a declarar na imprensa que se o Governo de António Guterres não aprovasse a criação daquele estabelecimento de ensino encararia o facto “como uma derrota pessoal do governador civil”.

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