“Se a Câmara gastar meio milhão na ESTGOH, não faz mais do que a sua obrigação…”

“A escola tem que ser feita neste mandato… já estamos a trabalhar no projecto, afirmou esta manhã José Carlos Alexandrino durante a cerimónia de recepção ao Governador Civil de Coimbra, Henrique Fernandes, que se fez acompanhar pelo presidente do Instituto Politécnico, Rui Antunes, numa visita à ESTGOH.

Dando o exemplo do investimento de “meio milhão de contos” que o anterior executivo camarário gastou com a requalificação do largo Ribeiro do Amaral, Alexandrino deixou um desafio: “se a Câmara gastar meio milhão nesta escola, não faz mais do que a sua obrigação…a escola será uma realidade no meu mandato, e vamos ter com certeza uma escola nova e de raiz”, sublinhou o autarca.

Num discurso para uma plateia maioritariamente composta por alunos e professores daquele estabelecimento de ensino superior, Alexandrino erigiu o argumento de que a ESTGOH é imprescindível para “potenciar o desenvolvimento da região” e, dando o exemplo da Universidade de Aveiro, que recentemente “recebeu cerca de seis milhões de euros do QREN”, sentenciou que no país “não há alunos de primeira e alunos de segunda”.

Alegando ter tido necessidade de “reorganizar ideias” sobre todo este processo relacionado com as instalações da ESTGOH, o autarca que em Outubro do ano passado conquistou a presidência da autarquia oliveirense salientou ainda que “a política também é uma escola”.

“Eu também estou a aprender, e tenho aqui o meu principal professor, o engenheiro António Campos”, afirmou o presidente da Câmara aludindo ao facto de o antigo eurodeputado do PS – conjuntamente com o Governador Civil, o presidente do IPC e o director da ESTGOH, Jorge Alexandre – ser “um “aliado nesta grande luta e neste desafio”. Virando-se entretanto para o mais alto representante do Governo no distrito, Alexandrino deixou um recado político. “O senhor governador civil tem obrigação de nos ajudar neste combate… vai ter que me acompanhar nos corredores do poder”.

Dando conta do empenho que Henrique Fernandes vem manifestando relativamente a alguns problemas que têm ocorrido durante a sua gestão autárquica – como o dossiê relacionado com o encerramento da fábrica de confecções HBC –, Alexandrino quase exigiu que o Governo financie “pelo menos 50 por cento” das novas instalações da ESTGOH.

“Vamos avançar com os projectos”

Quem não enjeitou o desafio foi o próprio Governador Civil ao considerar que, nesta fase do campeonato, existem “todos os ingredientes para se desenvolver uma estratégia”.

Classificando Alexandrino como “um presidente da Câmara determinado” na função de maestro – “numa orquestra sem maestro não há sinfonia, há quando muito cacofonia” –, Henrique Fernandes frisou que “a vontade de vencer” do autarca “já contagiou o presidente do IPC” e também destacou a “garra e a vontade” do director da ESTGOH, Jorge Alexandre, para que este processo seja finalmente ultrapassado.

Numa referência a António Campos – sentado na “primeira fila” –, o principal inquilino do Governo Civil de Coimbra considerou-o como “uma referência de desenvolvimento” capaz de gerar “motivação” neste processo, e defendeu que, neste momento, “o que falta” para que as novas instalações da ESTGOH possam vir a ser construídas é “trabalho, determinação e muito suor”.

Garantindo ter já informações de que “há condições” no sentido de que a candidatura da construção da ESTGOH aos fundos comunitários “pode ser contemplada” pelo “POVT – Programa Operacional Valorização do Território”, Henrique Fernandes afiançou ainda que o próprio presidente da CCDRC “já se empenhou e é parte da solução”.

Portanto – sublinhou o governador – “a fase da viabilidade está preenchida… vamos agora avançar com os projectos”.

Presidente do IPC elogia “empenho” da Câmara Municipal

Entusiasmado com o evoluir da situação, mostrou-se também o presidente do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC).

Rui Antunes elogiou a “parceria inexcedível” que vem mantendo com a câmara municipal e, apesar de ter recordado o trabalho que vem do passado, disse nunca ter sentido “tanto empenho”.

Classificando a ESTGOH como “uma escola que dignifica o IPC”, Antunes observou no entanto que “estará amputada” enquanto não se ultrapassarem “todas as dificuldades inerentes à falta de instalações e de recursos que os estudantes estão habituados a encontrar nas grandes cidades”.

“Para o IPC a escola de Oliveira do Hospital é uma escola prioritária. Queremos considerá-la ao mesmo nível de todas as nossas outras escolas”, afirmou ainda o presidente daquele instituto politécnico, que se mostrou “convencido de que este momento pode ser o último passo” para resolver o problema das instalações.

Na qualidade de anfitrião, o director da ESTGOH também se revelou confiante quanto ao futuro daquela unidade de ensino, e deixou um recado ao poder político, quando frisou que “os tempos são de crise, de dificuldade, mas temos todos de encarar de frente a crise e saber distinguir despesa e investimento.”

Num plano ambicioso, Jorge Alexandre explicou ainda que o que está em causa não é “só uma escola” porque – conforme sublinhou – a ESTGOH pretende também a criação de um centro de incubação de empresas, bem como de um “Datacenter em regime de partilha de recursos informáticos com as escolas de Coimbra que integram o IPC”.

O objectivo – revelou – é “criar postos de trabalho altamente qualificados e fixá-los na região”.

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