Quadrado Inverso: O meu desafio Intelectual. Autor Rui Campos

Fotografar para mim é um desafio intelectual. A minha abordagem à fotografia visa essencialmente elevar os meus índices de atenção. Já muitos fotógrafos e autores escreveram acerca deste assunto. Porém eu hoje quero abordar a minha visão e à luz daquilo que eu sinto é da minha interpretação do assunto. Chamam a isto que eu vou descrever muitas coisas. Eu chamo de desafio intelectual.

_DSF8364 copy (Medium)O que eu acho de apaixonante na fotografia são os imponderáveis, aquelas coisas que na hora de fazer uma fotografia podem correr mal e a forma como eu me posso defender e reduzir ao máximo esses imponderáveis.

Quando se está a observar há diversas coisas as quais prestar atenção. As condições de luz são a principal. Elas dizem-nos se o assunto é ou não fotografável, se vai ou não realçar o assunto e se o observador vai ou não reagir à imagem. Podemos de facto reunir todas as condições que pretendemos numa cena, porém se as condições de luz não forem boas a fotografia não vai resultar. As condições de luz dizem-nos se a fotografia pode ficar mais ou menos contrastada ou se as cores vão ficar saturadas ou não. Uma cena altamente contrastada permite despertar nos consumidores das nossas imagens emoções e condicionar leituras.

_DSF8368 copy (Medium)Quando encontro uma cena que tem potencial procuro aglutinar os elementos que me interessam a fim de potenciar o conteúdo da fotografia. No fundo é encontrar uma composição que me permita realçar a o seu conteúdo. Aí, o que eu normalmente faço é esperar que a vida se desenrole com normalidade e os elementos que pretendo se encaixem na cena que idealizei. Muitas vezes isso não acontece e tudo o que há a fazer é viver com a derrota e seguir em frente.

O conteúdo pode ser uma determinada acção. Há autores que se referem a uma “história” que se quer contar. E eu concordo, porém, não posso dedicar todo o tempo que seria ideal a esta forma de fotografar e as “histórias” que se podem encontrar no quotidiano para registar fazem parte dos meus imponderáveis.

_DSF8386 copy (Medium)Para conseguirmos resultado nesta forma de estar na fotografia importa estar familiarizado com a camera, com as suas “manias” e encontrar configurações que nos permitam fotografar com rapidez e em simultâneo conseguir resultados satisfatórios.

Quando fotografamos em zonas que estão perto das nossas áreas de residência e que nos oferecem potencial para fazer bons registos é conveniente ir passando para que as pessoas que ali fazem as suas vidas se acostumem à nossa presença e nos aceitem como mais uma pessoa que ocupa ali o seu espaço. Depois disso agem com naturalidade e permitem-nos fotografar sem que se sintam invadidos naquele espaço.

_DSF8436 copy (Medium)É também importante que se saia sozinho, é menos intrusivo. Porém, nos dias que correm é frequente que se juntem pequenos grupos de pessoas e saiam em conjunto para fotografar. Importa que estes grupos sejam mais ou menos homogéneos e que não haja pessoas que se sintam inferiorizados, mas antes que as companhias nos inspirem.

É importante dominarmos o ímpeto de fotografar. Não é a quantidade que nos faz melhores, mas sim a qualidade do pouco que fazemos. É preferível perder um momento por estar a ajustar a camera e aguardar por outro momento para fazer um registo com certeza. É sempre a tentativa e o erro. É sempre aprender a viver com as desilusões até que um dia nos damos conta de que começamos a conseguir resultados.

Para terminar, quando estamos a avaliar o trabalho que fizemos, na altura da selecção dos trabalhos que estamos a apresentar aos nossos “leitores” importa encontrar um compromisso entre a forma e o conteúdo. Uma fotografia pode não estar tecnicamente perfeita, mas a mensagem que passa pode ser mais forte do que a de outra fotografia que acaba por estar melhor em termos de forma. Por vezes uma fracção de segundo faz toda a diferença.

Rui CamposAutor: Rui Campos 

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