“Quando o Queijo Serra da Estrela custar 50 Euros tem o problema resolvido, porque a qualidade paga-se”

 

Num debate em que se discutia “A utilização das DOP Serra da Estrela: queijo, requeijão e borrego”, realizado na Casa da Cultura César Oliveira, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital revelou-se solidário para com os produtores de queijo concelhios, que se veem a braços com elevadas burocracias e custos no que respeita ao processo de certificação do Queijo Serra da Estrela.

“O Queijo Serra da Estrela tem o problema dos 15 Euros, porque quando custar 50 Euros tem o problema resolvido, porque a qualidade paga-se”, chegou a afirmar José Carlos Alexandrino, dirigindo-se à reduzida plateia que, no último sábado, assistiu à iniciativa organizada pela Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Serra da Estrela.

Assumindo, que hoje, na qualidade de presidente da Câmara, tem “outra ideia” daquilo que são as dificuldades que afetam os produtores, José Carlos Alexandrino deu conta da disponibilidade do município em apoiar as explorações ao nível do HCCP e das análises.

Paralelamente, anunciou estar a tentar conseguir financiamento para a resolução de outros problemas dos produtores como é o caso da eletrificação das explorações.

A uma semana da realização da XX Feira do Queijo Serra da Estrela que vai ter lugar em Oliveira do Hospital, Alexandrino destacou a aposta do município no certame. “Vai ser a maior Feira do Queijo do país”, afirmou o autarca, sublinhando que a intenção do município é de “fazer uma feira diferenciadora em relação aos concelhos limítrofes”.

Dando como certa a vinda de três centenas de visitantes, o presidente oliveirense considerou tratar-se de “um passo importante para vender este produto de excelência”.

Para Alexandrino, o mais importante “é inverter o rumo dos acontecimentos”. “É preciso passar das palavras aos atos”, observou, notando que “há aqui um estado depressivo brutal que é preciso inverter”.

“Não consigo aumentar o preço do queijo em Vila Franca, porque vendem mais barato do que eu”

Registando-se a ausência do representante do Gabinete de Planeamento e Políticas do ministério da Agricultura, o debate foi participado por todas as entidades envolvidas no Queijo Serra da Estrela.

Ancose, Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro (DRAPC), Beira Tradição e Estrelacoop estiveram representadas, bem como os produtores através da produtora de Vila Franca da Beira, Ana Paula Lameiras.

A disponibilidade manifestada pelas autarquias para a realização de um trabalho conjunto com a DRAPC foi um dos aspectos abordado por Pinto Sousa (DRAPC) que disse “estar tudo no caminho certo”. “Estamos a convencer para a certificação”, referiu o responsável, verificando um aumento de “10 para 18 produtores” que pediram a certificação do produto.

Foi, contudo, da voz de Ana Paula Lameiras que saiu a apreciação mais dura relativamente ao que o processo de certificação representa para os produtores. “Fica incomportável a certificação”, afirmou a produtora, contando que ainda certificou durante três anos, mas, devido aos elevados custos, se viu obrigada a deixar de certificar o queijo que produz.

Revelando que vende cada queijo a 13 Euros, a produtora de Vila Franca da Beira denunciou a forte concorrência com que se depara na própria freguesia, onde é a única a vender o queijo tão caro. “Não consigo aumentar o preço do queijo em Vila Franca, porque vendem mais barato do que eu”, confidenciou, considerando “muito difícil que os jovens continuem com esta profissão”.

Da plateia partiu ainda a apreciação negativa de um produtor que atribuiu aos políticos a responsabilidade pela crise que afeta o setor. “Os políticos vão às feiras internacionais e levam uma placa a dizer Queijo Serra da Estrela, mas apresentam queijos de fábrica”, observou o produtor, denunciando ainda a inexistência de proteção.

“Atualmente não temos ninguém que nos defenda, nem políticos, nem associações”, considerou, entendendo que o problema não está nos custos do processo de certificação. “A certificação não é cara, se o produtor tiver comprador para o seu queijo”, considerou.

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