1. Recorrendo às mais diversas técnicas de manipulação que o regime democrático ainda permite – Manuela Ferreira Leite que se informe porque em Oliveira do Hospital a democracia já está suspensa há muitos anos –, o PSD local continua a conseguir “arrebanhar” largas centenas de militantes, que não pensam pela sua própria cabeça.

Quatro Factos

Pensam antes no favor político, no seu próprio tacho, no emprego do familiar. São uma presa fácil para os caciques, que se servem do atraso cultural das pessoas para agradarem aos chefes e, depois, cobrarem os serviços prestados lá nas aldeias.

Não vale a pena sermos ingénuos: o que está a acontecer no PSD, que neste canto do Portugal profundo já tem mais gente a votar do que em Coimbra inteira, não passa de um jogo de poder pelo poder.

A situação é tão caricata, que um dos mais prestigiados blogues de Coimbra – “o sexo e a cidade” – pergunta ironicamente aos seus leitores se concordam ou não que a sede do PSD distrital seja transferida para Oliveira do Hospital.

Entretanto, e depois de mais um acto eleitoral em que o agora presidente eleito da comissão política distrital do PSD de Coimbra, Pedro Machado, afirmou que apoiaria todos os presidentes de câmara do distrito que se quisessem recandidatar a um novo mandato, nas autárquicas do próximo ano, o futuro do PSD de Oliveira do Hospital está mais uma vez suspenso.

2. No PCP local – não vale a pena sermos hipócritas –, “a CDU faz a diferença” porque há gente a trocar a liberdade pelas mordomias do regime. Foi precisamente por isso que o principal pivô da CDU, António Lopes, se viu forçado a renunciar ao lugar de deputado na assembleia municipal.

Enquanto estes modelos de política não forem suspensos, bem pode a CDU começar a tratar de arranjar um “papa-reformas”, de dois lugares, para as autárquicas de 2009. E mesmo assim, não sei se conseguirão lotar o quadriciclo.

3. Já o PS, está como a fábula da cigarra e a formiga. Canta, canta, mas deixa o trabalho político para o formigueiro da casa branca, que se mantém incansável na tarefa de preparar o sustento para os próximos quatro anos.

A sensivelmente um ano das eleições autárquicas, os socialistas deixaram-se condicionar pela indecisão que paira em torno do PSD, subestimando o ditado que diz: “candeia que vai à frente, alumia duas vezes”.

4. Quarto facto: é um pseudo-facto, porque por ora não existem factos. O CDS continua ligado à máquina e, mesmo que ressuscite, deverá ficar num estado vegetativo.

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