“Que ninguém pense que nos vai fechar as urgências em Oliveira do Hospital, sobretudo as noturnas”

 

A participar na sessão de abertura de um colóquio onde o mote era “A participação do cidadão na saúde”, a decorrer esta tarde no Salão Nobre da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Carlos Alexandrino deixou bem clara a sua posição sobre o serviço de saúde à disposição dos oliveirenses.

“Acredito que seja preciso fazer reestruturações no centro de saúde, agora que ninguém pense que nos vai fechar as urgências de Oliveira do hospital, sobretudo as noturnas”, afirmou o presidente da Câmara Municipal que chegou ainda a avisar os “poderes políticos” de que “haverá da parte do município um combate feroz contra essas pessoas que querem continuar a roubar aquilo que o interior tem”.

José Carlos Alexandrino posicionava-se assim à defesa perante uma ameaça de encerramento do SAP de Oliveira do Hospital que, até agora, não chegou a ser totalmente dissipada. Ao mesmo tempo, o autarca revelou-se “menos preocupado” com o problema que está a afetar a Fundação Aurélio Amaro Diniz e que se pode traduzir na perda de 20 por cento da sua atividade hospitalar. Alexandrino referiu-se em concreto ao comunicado divulgado pela ARS Centro, segundo o qual, o processo está em fase de “negociação”.

A falta de recursos humanos e até de meios auxiliares de diagnóstico ao dispor do Centro de Saúde local  foi outra das preocupações manifestada pelo autarca oliveirense que, também aludiu ao impacto dos preços das taxas moderadoras, em especial para uma “nova classe de pobres que está a chegar devido à nova realidade”.

“É uma classe média que os diferentes governos têm vindo a querer esmagar com sobretaxas, impostos e outras imposições de que ninguém estava à espera”, observou o responsável concelhio que, perante uma plateia que encheu o Salão Nobre criticou a ideia que o governo tem vindo a passar relativamente aos funcionários públicos.

“Parece que hoje ser funcionário público até é crime”, frisou, opondo-se à adopçaõ de medidas desiguais para com os trabalhadores do Estado que “fazem a sua missão”.

O autarca chegou também a denunciar o clima de “medo” que o governo está a aplicar sobre os portugueses quando os confronta com a espécie de ultimato de que “se não for assim, o país está na bancarrota”.

Para José Carlos Alexandrino trata-se de um “discurso” que serve de desculpa para a “falta de soluções” e que funciona “como chavão para que as pessoas tenham medo”.

Numa iniciativa alusiva à saúde, e aos cuidados de saúde primários em particular, José Carlos Alexandrino alertou que “só podemos ter um bom país, se tivermos saúde de qualidade”. Assumiu, contudo, semelhante postura no que respeita a áreas como a Educação e a Justiça que carecem de “equilíbrio”.

“Hoje, em Portugal há justiça para ricos e para pobres, mas um país com cultura democrática não pode ser assim”, observou.

A moderar um colóquio participado por médicos, investigadores e outros responsáveis – o diretor executivo do Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Interior Norte 1, António Sequeira, não compareceu – o presidente do Conselho Clínico do ACeS PIN1 defendeu “o papel determinante” que os agrupamentos de centros de saúde devem ter, para que se alcance um “Serviço Nacional de Saúde de qualidade”, com destaque para a continuidade que deve ser dada à reforma dos cuidados de saúde primários.

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