O Correio da Beira Serra faz uma análise sobre quem foram os principais vencedores e vencidos de uma “contenda” eleitoral que mobilizou 94,4 por cento dos militantes, num universo de 1.194 eleitores inscritos.

Quem ganhou e quem perdeu na noite de 12 de Abril

 VENCEDORES

José Carlos Mendes

Imagem vazia padrãoCom uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma, travou uma luta com armas desiguais. Percebeu que para derrubar Mário Alves do poder não podia contar com as cerca de três centenas de militantes do PSD tradicional. Ampliou a sua base de apoio – é certo que muitos dos militantes angariados dificilmente permanecerão no partido –, viu-se obrigado a fazer algum caciquismo, mas conseguiu novamente sair vitorioso de uma contenda política iniciada há mais de dois anos.

Com estas eleições e todo o mediatismo que se gerou em torno da sua figura, ganhou balanço para uma candidatura – já por si anunciada – às eleições autárquicas de 2009. Esteve bem quando garantiu publicamente que se ganhar as autárquicas de 2009, provocará eleições no PSD.

Como candidato anunciado a mais de um ano das próximas eleições – leva vantagem sobre a oposição – , recai sobre si uma grande expectativa quanto à confiança no futuro. Consiste, fundamentalmente, na capacidade de criação de um “executivo sombra” que traduza uma imagem de competência e não de pagamento de qualquer tipo de favores políticos.

 

 

Imagem vazia padrãoAntónio Duarte

Depois de ter sido o grande criador do senhor todo-poderoso que chegou a presidente da Câmara, rompeu com o passado e voltou a assumir-se como o principal estratega do PSD em matéria de eleições. Deixou de ser o braço direito de Mário Alves para passar a ser o de José Carlos Mendes. Percebeu que o seu nome estava a gerar alguma polémica nalguns sectores do PSD e optou por sair da lista. No entanto, com um pé dentro e outro fora fez muito trabalho de formiguinha e esta vitória também é muito sua.

 

 

 

 

 

Sandra Fidalgo 

Imagem vazia padrãoFoi uma espécie de “refresh” no PSD esta cara jovem. Com um currículo ligado à Educação, apareceu e logo venceu as eleições para a presidência da Mesa da Assembleia de Secção do PSD. Muito “low-profile”, soube fazer o seu trabalho e “roubou” a presidência daquele órgão político à lista afecta a Paulo Rocha.

 

 

 

 

 

 

 

 VENCIDOS

Imagem vazia padrãoPaulo Rocha

Contrariamente ao candidato da lista B, Paulo Rocha tinha uma mão cheia de oferendas oriundas dessas grandes superfícies políticas em que estão transformadas muitas das câmaras municipais do país e onde existe de tudo: empregos, favores, cunhas, benesses, privilégios, etecétera.

O candidato conseguiu contudo uma boa mobilização e, ao perder por 25 votos – numa votação participada por 1.127 eleitores –, não sai politicamente desonrado. É óbvio que, muitos dos militantes que também inscreveu no partido, são de circunstância e o caciquismo imperou.

Ao aceitar ser uma espécie de candidato imposto por Mário Alves, Rocha poderá no futuro ter que se sujeitar a um novo rumo que poderá consistir numa longa travessia no deserto. “C´est la vie”, como dizem os franceses.

Mas o delfim do presidente da Câmara – muito novo e, por isso, com muitos anos para aprender com as derrotas –, teve uma campanha civilizada e soube aceitar com dignidade e elevação o desaire eleitoral.

 

 

Mário Alves 

Imagem vazia padrãoDepois de nunca ter sabido lidar com a “doença do stress pós-eleitoral” que contraiu logo após as eleições internas do PSD de Março de 2006, Mário Alves é inequivocamente o principal derrotado da noite de 12 de Abril. Na actual conjuntura política, não lhe ficaria mal se se demitisse da presidência da Câmara Municipal, uma vez que o partido que o elegeu já disse publicamente, pela voz do seu líder, que não conta consigo para mais nada.

Alves fretou o seu vice-presidente para esta disputa eleitoral, mas na campanha – numa postura politicamente correcta, embora de forma hipócrita –, nunca quis estar ao seu lado porque sabia que, ao fazê-lo, a derrota podia-lhe ser imputada de forma mais flagrante.

Jogou nos bastidores, arregimentou quase todos os autarcas do PSD, funcionários da Câmara, e fez muito “tráfico” de influências. Apesar do esforço, as contas saíram-lhe no entanto furadas e o autarca do PSD ainda corre o risco de sair pela porta mais pequena do município.

 

José Carlos Vitorino 

Imagem vazia padrãoAo aceitar o segundo lugar da lista de Paulo Rocha para dar mais credibilidade àquela candidatura, o presidente da junta de freguesia de Oliveira do Hospital, José Carlos Vitorino, fez uma opção. Perdeu. Os seus colegas de partido de Seixo da Beira e Lajeosa, fizeram outra. Ganharam.

O facto de os autarcas do PSD se terem envolvido nestas eleições internas – a maioria deles esteve, no entanto, do lado da lista A – não traz nenhum mal ao mundo. É perfeitamente legítimo que isso aconteça.

O que já não é aceitável é que esses autarcas – por ordens “superiores” e receio de represálias, certamente – tenham entrado em rota de colisão com o partido que os elegeu, faltando deliberadamente às reuniões e encontros magnos do PSD.

Com esta atitude, muitos desses autarcas perdem agora, aos olhos do partido, legitimidade para se recandidatarem nas suas freguesias pela sigla do PSD, já que não se pode estar bem com Deus e com o Diabo.

Comportamento diferente, teve no entanto o autarca de Bobadela, Fernando Duarte, que não se deixou manipular e manteve-se equidistante de todo o processo, participando em várias iniciativas promovidas pelo PSD.

Henrique Barreto

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