António Lopes

“Queria, e quero, perguntar…”. Autor: António Lopes

Nesta Assembleia, até porque não estive presente na última, e muito de relevante, desde então aconteceu, pretendia abordar uma série alargada de questões que têm a ver com a vida Municipal. Tenho cinco minutos, e estes, ainda assim com advertências prévias, não vá extravasar! Vou de propósito de Cabo Verde a Oliveira do Hospital para “impor” os cinco minutos que a lei me permite (se não se inscreverem muitos), pese essa gestão ainda não ter sido feita. Talvez para não se virar o feitiço..!

Queria e quero, falar do “miserável processo” que contra mim instaurou, o Senhor presidente da Câmara, arguindo declarações que não proferi, pese ter junto ao processo, a acta da sessão de 26 de Abril de 2014, onde tais afirmações não constavam. E porque grande era a ânsia, “arregimentou” é o termo, três membros da Assembleia e um vereador, para irem testemunhar o que nunca me ouviram. Pretendia o Senhor Presidente que “os Hotéis de luxo” que nunca designei como tal, fossem, primeiro para seu uso pessoal. Qual era o problema? Como isso não consubstanciava um crime há que arranjar quem vá dizer que, afinal, os hotéis eram “para ir com meninas”! Isso sim já era difamação e crime. Mas as meritíssimas Juízas do tribunal e magistrada do Ministério Público, lá foram lembrando ao Senhor Presidente: “se ficou tão ofendido porque não disse isso na queixa inicial”? Isto já era triste, mas ver o Senhor vice-presidente, os senhores presidentes de Alvôco e Seixo da Beira, este com muitas reservas, dizerem que me ouviram dizer isso, isso sim doeu-me profundamente. Não por mim. Por eles, e pelo muito que os estimava! E gostava de ter tempo para lho dizer na cara e de caras, como é meu timbre. Vamos ver se consigo…Demais sabem eles –TODOS – a que hotéis me refiro e quem lá dormiu: VISITANTES DA FEIRA DO QUEIJO.

Também vou levar, para oferecer à mesa da Assembleia, para dela fazer o uso que melhor entenda, uma vela de aquecimento para motores a diesel. É da Perkins e custou-me 19, 6 euros. Levo a queimada na caixa da nova. Prejuízo já nos basta o que pagámos em impostos, para pagar tais preços. O objectivo é que seja oferecida ao senhor Presidente da BLC para ele me explicar se era a esta peça a que ele se referia para justificar a diferença de 7 200 euros para 35 000. Pode ser que, com a provocação, finalmente nos venham dizer qual é afinal, a marca e características dos geradores para que se possa aferir da boa aquisição e gestão da BLC. Ou não.

Queria falar do empréstimo, de que não falei por ter abandonado (mal), a Assembleia. Estou para saber como lhes “perdoei” esta. Tão poupadinhos.. quando de facto, estavam a atingir o nível da dívida, do Mário Alves,”pimba” decidiram, tal como ele para ganhar as eleições, pedir um empréstimo..! “Longe vá o agoiro” Mário Alves perdeu as eleições…

Também queria, e quero, falar do “comício” do senhor Presidente na apresentação das contas de 2015, na sessão de Abril. O senhor Presidente que, por lei tem cinco minutos para apresentar o ponto e cinco para responder, falou quase uma hora. Eu, que sou membro da Assembleia, não cheguei a falar cinco, porquanto fui impedido de discutir três páginas do relatório de contas. Pedi para mostrarem o mapa das empresas participadas. Não quiseram. Sabem porquê? Diz-se lá que a Câmara tem 44% na BLC. Mas, nas contas que o tribunal mandou entregar-me, diz-se que, em 2015, tem 31,8%.E eu pergunto: como é isto possível em documentos oficiais? Queria mostrar outro gráfico que explana o nível de execução de obras, que pouco varia nos últimos dez anos. Diria mesmo, quinze anos. Mas isto, combatia com os próprios documentos da Câmara, a verborreia, a imprecisão e a incompetência. E é para isso que têm lá uma confortável maioria! “A lei e a verdade”, são eles! Não me deixaram questionar e eu, abandonei…

Queria, e quero, perguntar porque continuam os locais mais distantes e “abandonados” a ser esquecidos. O empréstimo vai para os lugares do costume. Já no programa da CDU em 2005, questionava sobre os acessos de Alvôco/Parente a Avelar e Chão Sobral. Oitenta mil euros… é a fatia do empréstimo para estes acessos Isso dá para quê?

Queria, e quero, perguntar ao Senhor Presidente da Câmara se assume a responsabilidade da não construção do IC6, pelo menos até Oliveira do Hospital, como foi prometido pelo Secretário de Estado, Leitão Amaro, na feira do queijo de 2014, quando se comprometeu, no Salão Nobre, perante a Câmara, Assembleia e alguns convidados que,”pelo menos até Oliveira, seria possível”. Não foi porquê? Há quem pense que política é falar mais alto e andar em bico de pés. O IC não chegou cá. Deve-se exclusivamente à irresponsabilidade do:”É preciso haver sangue”, “Vamos formar uma guerrilha”, “Vamos boicotar as eleições Europeias”. Foram estas declarações que “mataram” o troço até Oliveira. De nada valeu a vinda dos presidentes de Câmara das duas CIM envolvidas, para abafar o ruído. Vieram , agora, um alto responsável do PS e o Secretário de Estado, dizer que não há ICs. Mas não me admira que haja mais uma manifestação, mais próximo das eleições… Todos querem, muito, os ICs, mas só quando são oposição. Agora, até o CDS se juntou à “festa”. Saiu do Governo há meses mas já reivindica os benditos ICs..!

Queria e quero, perguntar ao Senhor Presidente da Câmara se, o “Projecto Revolucionário da Saúde” é isto de que temos vindo a tomar conhecimento, recentemente.

Queria e quero, perguntar como é que se perde a maioria de 53 para 31,8% na BLC, quando a Câmara é o único sócio a colocar lá dinheiro..!

Queria e quero perguntar à Assembleia Municipal se é esta política que defende os interesses do Concelho.

Não há cinco minutos que resistam..!

Naturalmente não me vão deixar colocar todas estas questões. Também quero fazer uma citação, sem livro aberto, do Padre António Vieira, para responder à citação, de livro aberto, de aluno de dez, que perdeu as eleições depois de ganhar a guerra. O Senhor Presidente escolhe-os bem…

Falando, agora, da próxima Assembleia: O período de antes da ordem do dia, onde normalmente se fazem as críticas e desabafos supra, uns subsídios às juntas. Pecam por ser poucos e poucas vezes. E as célebres medalhas. É isto que há para discutir. Volto a lembrar a pressuposta ilegalidade jurídica do funcionamento da nossa Assembleia, Faz no final deste mês, dois anos, que meti o processo de anulação da minha substituição.Com calma acabo o mandato sem uma decisão. É o País que temos. Para dizer que se corre o risco de todas as decisões serem ilegais, incluindo a atribuição das medalhas, como já alertei, anteriormente.

Quanto aos homenageados, nada a pôr nem a opor. Tirando o Carlos Martins são todos de meu conhecimento e convívio pessoal. Tenho por todos o máximo respeito, consideração e saudade, no caso dos homenageados póstumos. Naturalmente idem pelo Carlos Martins com quem nunca tive o privilégio de conviver pessoalmente. Seguindo o que é normal, usual e correcto, a senhora engenheira Dulce Pássaro e o Carlos Martins, por serem de factos situações excepcionais, merecem-me todo o apoio. Quanto aos demais, não me custa reconhecer a exemplaridade enquanto cidadãos. Mas esta proliferação de homenagens acaba por desvirtuar o objectivo e excepcionalidade das mesmas. Pessoalmente, já convivi, almocei ou jantei, com pelo menos mais quatro pessoas vivas, todos com nome numa rua. Em Vila Franca, há bem pouco tempo era-mos pelo menos quatro. Por exemplo, a Câmara de Lisboa tem nos seus regulamentos a proibição de atribuição de nomes de rua, a cidadãos vivos. E tem toda a razão. Atente-se no, cidadão “com o coração do tamanho das 21 freguesias” (ao tempo), que merecia uma estátua é, agora, o rufia e o vilão número um, do Concelho.

Em política não vale tudo. Este executivo vai sair como o que mais medalhas por ano atribuíram. O critério parece-me altamente discutível. O objectivo reprovável. A vulgarização. A continuar, torna normal o que é excepcional. Afinal, uma boa parte dos nossos munícipes não pode ombrear com a generalidade dos homenageados? Retiro as excepções. E as excepções são a Senhora Engenheira Dulce Pássaro, por que não é todos dias, nem todos os cidadão que chegam a ministro, mas, também, pela sua reconhecida e excepcional valia técnica. O Carlos Martins porque, afinal, é só o único oliveirense a representar a Selecção Nacional.

Esta é a minha posição, estas são as minhas opiniões, que me podem calar na Assembleia, mas não me impedem de as levar ao conhecimento dos oliveirenses a cujo juízo e crítica me submeto.

António LopesAutor: António Lopes

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  • Vermelhão

    É muito material inconveniente de uma só vez. E como algumas das perguntas até já aqui estão feitas e certamente chegarão a quem de direito, ao mesmo tempo deixa de haver desculpas para não dar respostas às mesmas, pois mais de 24 horas é tempo suficiente para rabiscar umas respostas. O maior problema é existirem respostas; ou pelo menos respostas que permitam não ter de constantemente fazer as mesmas perguntas. Como aparentemente haverá em curso uma investigação judicial, também é possível que evitem dar respostas que possam ser comprometedoras. Provavelmente muita gente não pensa nisso, mas não se pode responder uma coisa ao senhor A. Lopes e outra à PJ. Mas com essa coisa do pouco tempo que lhe dão, e se efectivamente os membros da AM procuram a verdade, é fácil. Que se inscrevam todos, mesmo os que não tencionam falar, e que como de costume, até são muitos, e deleguem o seu tempo no A. Lopes. É assim que se faz, até na Assembleia da República e não há nada que o impeça. A minha dúvida é se haverá membros da AM que procurem a verdade e tenham a coragem suficiente para o fazer. Se tal não acontecer, então e porque ainda falta muito ara as eleições, 5 minutos é tempo suficiente para fazer uma boa pergunta. Faça uma em cada AM, e certifique-se que obtém a devida resposta (que é o mais difícil). Até às eleições tem (ou terá) as respostas todas que quer. Se forem todas “por junto e atacado”, é mais fácil não responderem a nenhuma.

    • António Lopes

      Tem razão.Mas como diz e bem, elas já foram feitas vezes sem conta.Já tiveram pareceres da CADA e até decisões judiciais..! Essa de me cederem tempo é que acho que não está a ver bem..! Em 27, poucos o fariam.Mas mesmo que o quisessem fazer caiam-lhe todos em cima.O Objectivo é que não fale…Responderem-me não é um favor.É um dever que a a lei lhes impõe.Mas como eu disse , a lei, são eles.Eles, o Senhor Presidente da Câmara e o PS, entenda-se…

  • Guerra Junqueiro

    E as contas do “grande sucesso” que foi a expoh 2016? Não vale a pena?
    E a situação do “Cabral Metelo”, também não vale a pena?
    A situação do tribunal? É para esquecer?
    E o empréstimo que está a pagar à BLC3? É para continuar?
    Os rios estão aptos a receber as próximas águas?

    Cumprimentos
    Guerra Junqueiro

  • Carlos Semedo

    Ó homem, mas de que lhe adianta perguntar? Eles só respondem ao que lhes interessa e a perguntas previamente programadas pelos seus acólitos. “Queria, e quero, perguntar”. Pois diz muito bem: queria. E fica-se pelo queria. É que quem se sentou no lugar que lhe foi atribuído a si pelos eleitores e ocupou a cadeira em jogada de secretaria, nem sequer lhe dá tempo para fazer as perguntas. Já o senhor presidente, a esse, aquele que chegou à cadeira contra a vontade dos eleitores que nunca o quiseram eleger para coisa nenhuma, permitirá todo o tempo do mundo para fazer os seus comícios. E aí dele que levante um dedo para mandar calar o edil sem pedir autorização. Estas Assembleias são uma anedota. Estou com curiosidade para ver se o PSD leu o seu artigo, aprendeu alguma coisa e mudou de facto com a nova liderança.

  • oculum

    oculum

    Focalizem…

    Pergunte, Lopes ! E volte a perguntar que perguntar não ofende.«Petere, Lopes, at sempere!».

    Focalizem…

    A «traquitana» BLC 3, que mais do que três BLC são já muitas…, é um filão a explorar. Fosse este um país em que a justiça funcionasse a sério, e a «ninhada» de casos mais do que dúbios e, pelo menos, a roçar o crime, a «ninhada» já estava atrás das grades…

    Focalizem…

    Há por lá uns «tubarões» serôdios e uns aprendizes de «tubarões»… E nós a pagar o «circo». «Panem at circenses» (pão e circo).

    Focalizem…

    Alexandrino anda a fazer o papel de ser o último a saber das «cousas» que são engenheiradas lá dentro das (várias) BLC 3 e, sempre, à custa dos dinheiros públicos dos nossos impostos em geral e também das nossas taxas municipais…

    Focalizem…
    Alexandrino tem nestas BLC 3 o mais frágil dos seus «tendões de aquiles». Ele também tem pelo menos essa sensação mas está a empurrar para a frente com a barriga. Um dia destes, pode dar-se (muito) mal com isto tudo. Para já, fica-lhe mal, fica feio, pretender que é o último a saber das «cousas» tal como elas se estão lá a passar. Pode pretender ser o último a saber mas corre sérios riscos de vir a ser dos primeiros a sofrer…e «at fodidum Alexandrinus est»…(não traduzo por razões que deixo ao escrutínio do leitor…).

    Focalizem…

    Pergunte, Lopes ! Pergunte sempre !«Magnus lingua»

    Oculum