“Viemos ganhar umas massas…”

Os projectos de curta duração têm uma duração mínima de duas semanas e máxima de 1 de Julho a 15 de Setembro. É neste contexto que se enquadram as actividades dos jovens estudantes, patrocinadas por entidades oficiais ou privadas, com a designação “Tempos Livres” a ter acrescentos, ou outra denominação, como fez a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital: “Férias Ocupadas”.

Os (poucos) jovens interessados tiveram um período específico para se inscreverem e, no tempo certo, deitaram mãos à obra: cuidaram do património e do ambiente, limpando caminhos e jardins, em alguns casos participaram na protecção civil e… pouco mais.

Dos contactos que o Correio da Beira Serra desenvolveu para apurar da participação dos jovens noutras acções, como o combate à exclusão social, por exemplo, não recebemos qualquer indicação positiva, o que nos leva a concluir, embora de forma simplista como é bom de ver, que o Programa no Concelho de Oliveira do Hospital se resumiu aos trabalhos ligeiros e sem grande controlo por parte das entidades patrocinadoras.

Ainda que o espírito da Lei seja abrangente, é explícito quanto aos direitos e deveres de quem assume a tarefa de promover e executar o Programa. Estamos em acreditar que apenas se cumpre por inteiro a promoção do projecto e a obrigação de efectuar o pagamento combinado; quanto à orientação e fiscalização das tarefas distribuídas aos jovens, algumas reticências.

Encontrámos nas piscinas da cidade um jovem integrado no Projecto, “descobrimos” mais três a cuidar do portão do cemitério em Vila Pouca da Beira e ficámos por estes breves encontros – andámos (os jovens trabalhadores e o repórter) desencontrados nas horas!

O Gonçalo tem 14 anos, o Miguel 12 e o Bruno 17. Munidos de folhas de lixa, tentavam, sem grande sucesso, retirar a ferrugem ao portão do antigo cemitério de Vila Pouca. Entre sorrisos sempre foram dizendo que na freguesia havia “uns dez jovens estudantes inscritos na Junta de Freguesia”.

Como não tinham nada para fazer nas férias, aproveitaram para ganhar umas “massas”; os que ainda não completaram os 16 anos cumprem cinco horas por dia de trabalho durante duas semana e irão receber quarenta e cinco euros, enquanto os mais velhos, setenta e cinco.

O Gonçalo, o mais falador, encolheu os ombros quando inquirido sobre quem iria conferir a execução da tarefa que tinham entre mãos: –“Não sei, acho que ninguém” – respondeu depois da insistência na pergunta.

Ao acaso escolhemos outro ponto do Concelho: Vila Franca da Beira. Numa breve visita, foi-nos dito que a Junta de Freguesia proporcionou ocupação temporária a mais de vinte jovens voluntários, uns patrocinados pela Câmara Municipal outros pelo IPJ e quatro pela União Desportiva Vilafranquense. Também aqui em nada se altera o sistema, à excepção da participação financeira da Junta, que ajusta as diferenças pagas pelas entidades promotoras de modo a que todos usufruam dos mesmos valores.

Carlos Alberto

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