Rafael Delaunay Gomes, o “Homem de Ferro” de Oliveira do Hospital

Rafael Delaunay Gomes, o “Homem de Ferro” de Oliveira do Hospital

Há um atleta em Oliveira do Hospital que tem o sonho de competir com a verdadeira Elite num dos desportos mais duros do mundo. Rafael Delaunay Gomes, 32 anos, está a apostar em participar, em 2015, no Campeonato do Mundo de Ironman, no Havaí. A prova de sonho de todos os praticantes da modalidade de triatlo de longa distância. Uma prova que obriga a nadar 3,9 quilómetros, pedalar 180 e correr de 42 mil metros. No total são entre 8 a 17 horas de prova. Algo muito distante das capacidades do comum dos mortais. “Mas tenho muita confiança, é um sonho, competir numa das provas mais conceituadas do mundo”, diz, este atleta que em Junho venceu a versão Ibérica da modalidade.

Este professor de educação física tem consciência que está em grande desvantagem em relação aos profissionais. “Se tivesse oportunidade de me dedicar exclusivamente à modalidade estou convencido que iria conseguir muito bons resultados, mas é impossível. Portugal nega-nos essa possibilidade”, lamenta. Treina o que pode. Uma média duas horas por dia. Pratica natação, faz ciclismo e corre. Tudo por gosto. Afinal, são as três componentes do triatlo, que tem no Ironman a sua versão extrema: são no total cerca de 225 quilómetros, entre nadar, pedalar e correr.

Depois de ter conseguido o título de campeão de Triatlo Cross, em Julho, Rafael está agora a treinar afincadamente para no próximo dia 5 de Outubro se bater por um lugar no pódio no campeonato nacional de Triatlo Longo Absoluto. Uma versão light da prova de peso. Limita-se a 1900 metros a nadar, 90 quilómetros de ciclismo e a 21 mil metros a correr.

“Já estou a preparar-me. Em rigor treino sempre duas horas em média por dia. Mas antes ainda tenho o Duatlo Cross onde também pretendo chegar a um dos três primeiros lugares”, conta este atleta que assegura que em Portugal é impossível viver apenas da dedicação exclusiva a este desporto. “Infelizmente os patrocinadores só vêem o futebol e um atleta que muitas vezes representa Portugal nos campeonatos do Mundo e consegue resultados muito significativos ganha menos que um jogador de futebol da III Divisão”, sublinha, Rafael Gomes que desde que se sagrou campeão nacional de triatlo, como juvenil, em 1997, nunca mais perdeu o gosto pela modalidade. Foi somando títulos. Falhou, porém, o seu grande objectivo que era participar nos jogos Olímpicos de Atenas. “Essa é uma das minhas maiores desilusões, mas era preciso um ritmo incrível”, confessa.

Em 2008 passou a dedicar-se quase em exclusivo à modalidade de longa distância. Já registou títulos dignos de registo. Em 2012, numa competição de Ironman em Nice, na qual participaram 2500 atletas, grande parte profissionais conseguiu um 14º lugar. Em Inglaterra, perante 1200 adversários, ficou com o 11º lugar. Mas nem isso lhe permitiu angariar apoios suficientes para se dedicar em exclusivo à prática da modalidade. Nem a vitória do Iberman, a versão ibérica do Ironman, em Julho, alterou o panorama. Mas Rafael Delaunay Gomes ama aquilo que faz.

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