Dentro de meio ano, já vai ser possível visitar os quatro monumentos dolménicos do concelho de Oliveira do Hospital e ficar a saber tudo sobre eles. A Câmara Municipal tem em marcha um projecto de recuperação desses espaços com vista à definição de rotas turísticas para a sua promoção. A equipa de arqueólogos já iniciou os trabalhos no monumento considerado “mais violado”: a Anta da Arcainha.

Recuperação de Dólmenes para definição de roteiros turísticos

Imagem vazia padrãoUma equipa de arqueólogos está, desde há duas semanas, a levar a cabo um trabalho de investigação e recuperação dos quatro monumentos dolménicos identificados no concelho de Oliveira do Hospital. O primeiro a ser intervencionado é o dólmen da Arcainha, em Seixo da Beira mas, no prazo de meio ano, a Arqueohoje – empresa responsável pelos trabalhos – espera intervencionar a totalidade dos dólmenes, localizados na Sobreda, Fiais da Beira e Bobadela, no âmbito de um projecto posto em marcha pela Câmara Municipal, com o objectivo de criar roteiros turísticos associados aos monumentos recuperados.

Vulgarmente apelidados de Antas, os dólmenes são monumentos com expressão considerável em território português. Segundo o arqueólogo responsável pela equipa de trabalho em actividade em Oliveira do Hospital, Paulo Perpétuo, está em causa “um fenómeno que apareceu em toda a Europa, incluindo Ilhas Britânicas, Mediterrâneo e Península Ibérica”. “Existem milhares de monumentos do género espalhados de Norte a Sul do país”, explicou o arqueólogo, esclarecendo que enquanto monumentos de enterramento colectivo, terão tido um primeiro momento de utilização, na fase final do Neolítico, perto dos cinco mil anos. Predominam nas regiões da Beira Alta, Alentejo e Norte de Portugal e o concelho de Oliveira do Hospital é um dos que apresenta o maior número de vestígios dolménicos. “É um concelho rico nesta área”, referiu Paulo Perpétuo, lamentando no entanto que no caso concreto da Anta da Arcainha sejam visíveis sinais de revolvimento. E há também os exemplos concretos das Antas da Sobreda e de Bobadela, onde já não existem as lajes de cobertura.

“Monumento extremamente violado e revolvido”

À Arqueohoje, a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital apresentou um projecto com o objectivo de reverter a degradação dos monumentos e delinear roteiros turísticos com vista à sua promoção.

O dólmen da Arcainha é, segundo Paulo Perpétuo, o que “está num estado de ruína mais avançado” e aquele que, por consequência, implicará “mais trabalho de escavação, restauro e consolidação”. “Estamos perante um monumento extremamente violado e revolvido sem níveis intactos praticamente preservados”, sublinhou o responsável pelos trabalhos, explicando que a “amálgama de pedra pequena” visível na zona de entrada para o dólmen “é fruto de uma destruição contínua em várias fases”. Perpétuo acredita terem-se tratado de escavações sem objectivos científicos, mas antes escavações “à procura do objecto, do vaso ou da ponta de seta”.

O trabalho levado a cabo pela Arqueohoje – que conta também com a colaboração do jovem oliveirense, Rui Silva, com formação em Arqueologia, mas a desempenhar funções no Parque do Mandanelho – cumpre uma metodologia estratigráfica, que implica escavação camada a camada. “Tentamos perceber cada camada dentro do seu contexto integrado de todo o monumento”, explicou o especialista em Arqueologia, notando que cada passo ficará registado em fotografia. Para além disso, há ainda a particularidade de o estado do monumento anterior aos trabalhos, ficar desenhando em planta, o mesmo acontecendo com a fase final. Porque – segundo o arqueólogo – “uma escavação é sempre uma destruição”. “Se eu não registar a informação, quem vier a seguir para fazer novas investigações não tem noção daquilo que nós aqui encontrámos”, referiu, explicando que junto a cada um dos dólmenes será colocado um painel informativo, que permitirá a qualquer visitante tomar conhecimento fácil do que está a apreciar.

Volvidas apenas duas semanas de trabalhos, a equipa de arqueólogos chegou já à conclusão de que a Anta da Arcainha teve dois momentos distintos de ocupação. “O monumento foi construído no final do período Neolítico, mas temos encontrado cerâmicas e vasos com forma própria e decoração típica do final do período da Idade do Cobre, início da Idade do Bronze”, contou Paulo Perpétuo, explicando que também têm aparecido materiais em sílex, micrólitos e utensílios multi-funcionais usados para cortar e também pontas de projécteis e elementos que, em conjunto, constituem foices usadas para cortar cereais, características do final do Neolítico. Apesar de se tratarem de espaços usados para enterramentos colectivos, o arqueólogo não acredita que venham a ser encontrados vestígios ósseos, pelo facto de estarem em causa solos muito ácidos.

Questionado pelo CBS sobre a forma como a equipa pondera resolver a inexistência de algumas lajes que, em tempos, constituíram os monumentos, o arqueólogo explicou que há sempre a possibilidade de serem colocados outros elementos com recurso a materiais distintos, para “que haja noção de que não pertencem ao monumento”.

Liliana Lopes

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