Os recursos naturais disponíveis, no Mundo, estão sob uma pressão crescente e preocupante. A produção agrícola,

Recursos naturais

através da incorporação de tecnologias cada vez mais evoluídas, acompanhava sem dificuldade a procura mundial. Dos seis mil milhões de cidadãos, só pouco mais de mil milhões eram consumidores com potencial económico.

Dos seis mil milhões de cidadãos, só pouco mais de mil milhões eram consumidores com potencial económico. A recuperação de novos consumidores, 500 milhões na China, mais de 200 milhões na Índia, as melhorias na Rússia etc, numa dezena de anos criaram mais mil milhões de consumidores. Isto é, em 10 anos a produção agrícola teve de responder a este aumento substancial da procura de bens alimentares. É bom recordar que mais de 800 milhões ainda vivem em pobreza extrema e muitos morrem à fome. Muitos dos que se preocupam com o que se passa no Mundo, viviam já altamente preocupados com a preservação dos recursos e a sua utilização de forma sustentável, de modo a garantir às gerações futuras a sua sobrevivência. Toda esta recuperação da produção e consumidores, foi feita à custa da utilização das energias fósseis, o petróleo e o gás.

Num ápice todos compreenderam que esses recursos eram limitados e que estas fontes energéticas a médio prazo iam fazer roturas fortes no modelo de desenvolvimento em que temos vivido, pondo em causa o bem-estar de milhões e milhões de cidadãos. As guerras pela posse do petróleo e do gás, com armas, com diplomacia ou por interesses já tinham começado. Os preços destes combustíveis dispararam de forma impressionante. Repentinamente os biocombustíveis surgem como uma alternativa ao petróleo. O milho, a soja, o trigo, a beterraba, o óleo de palma, a cana de açúcar etc, começam a ser desviados para a produção de etanol (álcool) para ser adicionado à gasolina ou ao gasóleo. Esta corrida louca às produções destinadas a bens alimentares está a provocar um aumento de preços que é humanamente condenável e que exige uma acção forte de governos e cidadãos. O milho, o trigo e a soja já duplicaram de preço. Os cidadãos mais pobres são assim sacrificados e a fome vai aumentar se não houver uma travagem imediata a esta corrida. É trocar combustível por fome, o que não é aceitável. As rações, a carne, o pão e o leite começaram já a subir de preço de uma forma assustadora, o que põe em risco a subsistência de grande parte da humanidade.

Nos Países desenvolvidos a alimentação representa entre 10 a 15% das despesas do agregado familiar, mas nos pobres representa 70 a 80%. O aumento de consumidores e a corrida aos biocombustiveis criou num ápice uma pressão violenta sobre a produção agrícola e um desajustamento tal entre a oferta e a procura que tornou o sector numa actividade especulativa e esbanjadora de recursos. A corrida aos biocombustíveis será tanto maior quanto mais subir o preço do petróleo e do gás. Todas as produções utilizadas para a produção de etanol são concorrentes com os bens alimentares, e com a agravante de serem produzidas com outro dos bens mais escassos que é a água. É fundamental investir na investigação para rapidamente passarmos para a utilização dos chamados biocombustiveis de 2ª geração.

Este esforço devia ser a preocupação de todos os Estados e políticos. O biocombustível celulósico e o hidrogénio aparecem como alternativas a prazo. O biocumbustível celulósico permitiria a utilização da giesta, da carqueja, do caule do milho, da esteva, do eucalipto etc. Era fundamental um empenhamento forte de toda a classe política e científica que permitisse o mais rapidamente possível avançar na investigação que permitisse a criação de enzimas de fermentação rápida, que desdobrassem a celulose em açúcar e esta em álcool. O hidrogénio, que precisa de energia para ser produzido é um recurso ilimitado e resolveria a substituição do petróleo a longo prazo. Se houver interesse político a ciência, a prazo, responde a esta questão. Substituir alimentos necessários aos cidadãos por combustível é que me parece um crime contra a humanidade.

António Campos

LEIA TAMBÉM

Crónicas de Lisboa: “Os Livros que ninguém lê”. Autor: Serafim Marques

Graças aos novos processos de produção, tornou-se relativamente fácil e barato editar um livro. Por …

Problemas nos pés podem aumentar durante a gravidez. Autor: Francisco Oliveira Freitas

Durante o período de gestação, o aumento do peso corporal pode alterar a forma como …