“Rostos da Memória” um projecto que procura os protagonistas fotos esquecidas ao longo de meio século num estúdio de Foz Côa …

“Rostos da Memória”, um projecto que procura os protagonistas de fotos esquecidas ao longo de meio século num estúdio de Foz Côa …

Um estúdio de fotografia em Vila Nova de Foz Côa preservou durante décadas fotografias que os clientes nunca levantaram. Imagens que contam a evolução dos tempos. O detentor das imagens, Rui Campos, neto do proprietário do Estúdio, resolveu avançar com o projecto Rostos da Memória, no qual pretende identificar através dos próprios ou descendentes quem se encontra na película. Com a ajuda da internet e, em particular das redes sociais (ver endereço no final da página), acredita que existem condições para realizar um trabalho capaz de chamar a atenção para a preservação da nossa identidade e das memórias do passado. E também devolver os trabalhos aos seus donos, que o promotor acredita encontrarem-se por todo o país. Do Minho ao Algarve e, quem sabe, em Oliveira do Hospital.

São milhares de fotografias, a mais antiga datada dos anos 30 e a mais recente da década de 80, que ficaram esquecidas ao longo de décadas por clientes num estúdio daquela localidade do Distrito da Guarda. Um espólio guardado ao longo do tempo por Amândio Felizes Tetino, um homem que repartiu a sua vida entre o seu estúdio de fotografia e a arte da ourivesaria e relojoaria. As imagens acabaram agora nas mãos do neto, Rui Campos. Apaixonado pela arte da fotografia, achou que não podia deixar cair no esquecimento “estes elementos preciosos”. Quer que este legado, de momentos registados por pessoas que entregaram os seus rolos para revelar e que “por um motivo ou outro” nunca recolheram as imagens impressas, sirvam para ajudar a compreender o passado e o presente.

Com “Rostos da Memória”, Rui Campos abraça uma tarefa quase “ciclópica”. Desde logo, encontrar ou pelo menos identificar as pessoas das imagens. “Pretendo honrar a sua memória e reavivar outras memórias”, sublinha. “Algumas destas fotografias têm mais de 50 anos. Quem sabe se não há por aí alguém que se recorde desses dias e me conceda uma entrevista para contar como foi esse momento em que tiraram as fotografias”, conta.

 “Rostos da Memória” um projecto que procura os protagonistas fotos esquecidas ao longo de meio século num estúdio de Foz Côa …Rui Campos considera que existe a possibilidade de realizar um trabalho de valor inestimável. Já tem um projecto estruturado. Dividido em quatro fases. Com a ajuda dos internautas, vai tentar identificar os protagonistas das fotos. “Quem são estas pessoas se estão ou não vivas e se existem descendentes?”, questiona. Na fase seguinte, pretende registar em vídeo e áudio as recordações dos protagonistas dos acontecimentos “que ficaram perpetuados no tempo”. Feito este trabalho, passará para a organização e compilação de toda a informação, criando uma exposição itinerante. “Quero mostrar e chamar a atenção para a importância de preservar identidade e as memórias do nosso passado”, resume.

O objectivo de Rui Campos é ambicioso. Tenciona traçar uma linha de tempo. Saber as circunstâncias que levaram as pessoas a fazer aqueles registos. “Conceber uma comparação com a actualidade, situar as pessoas no tempo e compreendê-las”, explica, lembrando que tem fotos de todos os géneros, algumas delas que aparentemente registadas em África. “Não queria que permanecessem esquecidas”, concluiu.

No fim, e num gesto simbólico para salientar a ideia de que as memórias têm identidade, pretende, numa cerimónia devolver estes trabalhos aos seus legítimos proprietários e lança o desafio a toda a população. “Se são naturais, ou descendentes de naturais do concelho de Vila Nova de Foz Côa, não deixem de visualizar as fotografias e se reconheceram alguém, usem as caixas de comentários para identificar estas pessoas. Toda a informação, por pouca que seja tem um valor inestimável

Podem consultar as imagens neste endereço:
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.1515219765360894.1073741877.1437987403084131&type=1

 

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