“Um blogue é a arma daqueles a quem não se pediu opinião”.

Os militantes do partido social-democrata, reconduziram José Carlos Mendes, na presidência da Comissão Política de Secção de Oliveira do Hospital. Este é o primeiro texto que publico depois de eleita nas fileiras da sua candidatura.

Saiu-nos a fava

Durante a etapa do processo eleitoral interno, furtei-me a escrever aqui fosse o que fosse, que fizesse recair sobre a parte que integrava, qualquer processo de intenção, uma vez que, tratando-se de uma campanha, o conflito de interesses ser por demais evidente. Por dever de ética e de elementar bom senso, instiguei um interregno, ao qual ponho hoje termo. Por considerar que, os verdadeiros lutadores, não estão imunes às críticas, nem ao dever de exercício de direitos cívicos – porque não se resguardam.

Não hesitei em aceitar o convite – sem condições prévias – que José Carlos Mendes, gentilmente me endereçou. Fi-lo determinada pela convicção, de que não precisava em nenhum momento, do Partido para ascender profissional ou civicamente. Mas esta afigurava-se-me, como uma conjuntura, em que publicar e enunciar opiniões sobre a vida interna do PSD, com o nome e a cara, podia não chegar para mudar um estado de coisas, que fruto de circunstâncias políticas ensombradas, a realidade tornou repugnáveis e as consequências futuras, não recomendam que continuem.

Como debutante nestas lidas partidárias, seja-me permitida primeiro de tudo, uma palavra prévia aos vencidos. É público que não nutro qualquer simpatia política por Paulo Rocha. Mas isso não é critério, para que uma vez ao lado dos vencedores, formule quaisquer votos de dúvida ou imponha um estilo de confronto que, numa visão demasiado imediata, pode parecer não levar a lado nenhum. Hoje os vencedores, devem fazer um voto de apaziguamento partidário, pela positiva.

Por isso, submergir no veredicto eleitoral, impõe que uns saibam que não se pode finar um ciclo mantendo todas as pessoas e as mesmas atitudes. E que outros percebam, definitivamente, que apesar de usufruírem da boa proximidade ao poder, com este resultado, precisam do Partido, para sair do logro político em que se enredaram, quando tomaram partido nesta votação. É a gestão interna disto, que deve conceber e pré anunciar um fim de ciclo no partido, onde até há pouco tempo, somente alguns se sentavam na poltrona.

Negá-lo é negar as virtudes da democracia. E o primeiro sinal de flagrante deterioração da democracia, é quando os eleitos se julgam representar a eles próprios, esquecendo que só estão nos cargos que ocupam por delegação de competências e confiança dos eleitores. A campanha interna produziu dois estilos, com dois resultados. Se a vitória tem de ser gerida com humildade e simplicidade, a derrota de um Vice-presidente da Câmara e da larga maioria dos autarcas das freguesias, não pode produzir um antagonismo que passará a ser, daqui em diante, segundo a terminologia de Miguel Unamuno, uma verdadeira “agonia” política.

Há muito para esclarecer e muito mais para fazer. É imperioso escavar muito – politicamente falando – ir ao âmago da terra, encontrar raízes sólidas e estáveis, para que o que lá for implantado não sofra abalos irreversíveis. Vêm aí tempos que não se avizinham fáceis ou afáveis. E os “cortesãos” não estarão, provavelmente, preparados para ceder a vez. Mas o concelho aguarda a alvorada de um sol partidário politicamente mais meridiano! E o PSD na sua tradição partidária e vocação de exercício de poder, mostrou nesta ida a votos, a prova da sua maturidade política, e de demonstração que sabe de facto marcar o seu passo.

Por isso, nesta eleição, o resultado deve representar o partido, a cujo líder incumbirá primeiro de tudo, agir em seu benefício. O Partido precisa e deve renovar-se, pela forma de fazer política, pela consciência cívica, pelo impor às pessoas sentido ao irem a votos e ter ideias claras e convicções fortes. E José Carlos Mendes sabe, que há uma rede de militância que precisa no futuro de ser consolidada.

Que os militantes são uma semente, uma planta que pode crescer, e produzir frutos ou difundir cheiros diferentes, ou mesmo sombras para o descanso merecido do partido, depois desta vitória. Ajuda e muito o facto de, a lista com a sigla B, encabeçada por José Carlos Mendes, ter ganho a Comissão Política e o plenário da Assembleia de Secção. Isso obriga a que a Presidente eleita, Sandra Fidalgo, seja a ponte entre os companheiros desavindos. Reflictamos. Não me parece que, tanto os militantes, como o poder e o partido, possam menosprezar o antecipado anúncio do candidato José Carlos Mendes, a presidente da Câmara nas próximas eleições autárquicas.

O anúncio de uma candidatura – numa campanha interna – a esta distância das eleições, demonstra, para além de coragem política (alguns darão outro nome), pelo desgaste a que o candidato se vai sujeitar, a inabalável vontade do PSD, político e partidário, em criar condições, para reconquistar o poder em Oliveira do Hospital. Mas este facto alargará, paradoxalmente, o campo de manobra do PS, se a Comissão Política, não estiver ciente, que apenas conquistou um universo de 550 militantes, num universo necessário de 7000 munícipes.

Indispensáveis, para que o partido venha a obter uma vitória eleitoral autárquica. Por isso se impõe, um trabalho excepcional, que consiga ombrear na ideia, de que o nosso projecto é útil ao concelho, a todos os estratos sociais, a todas as classes profissionais, a todas as faixas etárias. Tem e deve ser definida uma estratégia que estreite a ligação e reforço de comunicação com os militantes e munícipes. Concentrando a massa partidária e eleitoral do PSD, no valor político, ou empático, de José Carlos Mendes.

Resta-me esperar que haja bom senso e que a coabitação entre ambas as facções funcione e perdure. Sá Carneiro, inflexível com a dimensão ética que emprestava à sua intervenção política, referiu um dia: “a política sem luta é uma sensaboria e sem ética é uma pouca vergonha.” Pensemos nisto!

 

Lusitana Fonseca (Candidata eleita à CPS do PSD)

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