Sampaense quer manutenção na Liga Portuguesa de Basquetebol mas não deixa de sonhar com a conquista do título

 

Pedro Veloso, que perante um cenário de duas derrotas já sofridas em casa, apela a uma maior adesão dos oliveirenses aos jogos realizados no Pavilhão Serafim Marques.

Correio da Beira Serra – Como carateriza a atual equipa do Sampaense Basket?
Pedro Veloso
– Este ano fizemos uma aposta diferente da que foi seguida em anos anteriores. O Sampaense tem um orçamento muito definido e dentro disso tentámos escalonar, em conjunto com o treinador, a qualidade dos atletas em número suficiente para ter uma equipa base com 12 jogadores.

Esta época, um jogador de Oliveira do Hospital foi jogar para o Luxemburgo… então optámos por ter menos um jogador, e com a diferença do valor que era gasto, conseguimos apostar em jogadores mais experientes.

Caraterizo o Sampaense como sendo uma equipa mais experiente, com jogadores com maior currículo, sendo que alguns deles até já cá estiveram e agora voltaram. Acho que é uma equipa mais experiente em relação à do ano passado e que pode dar mais garantias ao nível de reputação.

CBS – Houve grandes mexidas em relação ao plantel anterior?
PV –
Houve algumas. Tínhamos uma base que gostamos de chamar da casa, mas esse núcleo que andávamos a manter ao longo dos anos, foi ligeiramente diminuído. Mas ao mesmo tempo fomos buscar jogadores bastante experientes que é o caso do Ekyviana que jogou no Benfica, do João Reveles que estava no Ginásio e João Balseiro que esteve Ílhavo. Tentámos assim colmatar a ausência do chamado jogador da casa.

CBS – E qual é a presença de jogadores concelhios no plantel?
PV –
Tendo menos jogadores profissionais tivemos necessidade de recorrer a mais jogadores de formação. Este ano, incluímos dois na equipa principal.

CBS – E ao nível da equipa técnica também há novidades?
PV
– Mantém-se o treinador João Moutinho e fomos buscar auxílio, o treinador de formação, o Alexandre Fernandes, porque os treinos são cada vez mais exigentes e é necessário um maior controlo do trabalho desenvolvido. O João Moutinho é profissional da área e treina com os jogadores diariamente. O treinador inicia a segunda época no Sampaense. No ano passado, cumpriu os objetivos da manutenção e, este ano, continua na equipa técnica.

CBS – Quais são os objetivos que o Sampaense pretende atingir?
PV –
Tentar uma consolidação da presença do Sampaense no quadro da Liga. Ser uma equipa da Liga como uma normalidade. Queremos tentar ir até onde nos deixarem ir. Os nossos adversários são fortes. Ainda agora tivemos aqui dois jogos com duas equipas dos Açores que têm quatro norte-americanos – nós só temos três – e não têm tantos jogadores portugueses. Percebemos que são equipas às quais, no passado, ganhámos com alguma facilidade e este ano apresentam-se mais fortes.

Perdemos os dois primeiros jogos do campeonato em casa. Também já participámos no torneio de abertura “António Pratas” realizado há três semanas, em que devíamos ter disputado um jogo com o CAB Madeira que não compareceu. E depois jogámos fora com o Ovarense. Só passaríamos à fase seguinte se ganhássemos, mas a Ovarense é uma equipa muito experiente e também não conseguimos vencer.

CBS – Na época anterior, ainda que tenha assegurado a manutenção, o Sampaense nem chegou ao playoff. O que é que faltou?
PV –
O playoff é sempre o objetivo secreto. Toda gente lá quer chegar, é a fase a que os próprios jornais dão mais atenção. É lógico que seria um objetivo nosso. O que falhou foi desporto. Quando se entra no jogo, pode-se ganhar e perder. Nós tivemos dois, três jogos que poderíamos ter ganho. Recordo-me do Ginásio em casa e do Penafiel. Eram jogos que poderíamos ter ganho, mas devido às circunstâncias não conseguimos. Ficámos naquela fase em que apenas mais um jogo e uma vitória seriam suficientes.

“Se a Câmara e o comendador Serafim Marques deixarem de apoiar tal como apoiam, não há como sustentar uma equipa na 1ª divisão”

CBS – Como é que avalia os jogos que se realizam em casa? Há apoio à equipa?
PV –
Nunca há apoio suficiente. Este ano até tentámos mudar os jogos. Eram sempre ao domingo à tarde e tentámos mudar para sábado à tarde para ver se cativamos maior público, porque ao domingo há futebol e outros desportos. Tentámos que houvesse espaço para toda a gente poder ver o jogo.

Também não cobramos bilhetes, no ano passado éramos o único clube da liga que não cobrava bilhetes, o pavilhão tem condições e as pessoas sabem que se trata de um desporto de alta competição… acho que deveria ir mais gente. Mas também vejo que nos outros pavilhões e em cidades maiores também acontece o mesmo. Há locais próprios onde a raiz do basquetebol existe, como na zona de Aveiro, em Ovar, Ílhavo. Aí sim, aquilo é basket. Aqui disputamos um pouco a atenção. Poderia ser melhor.

CBS– Quais as fragilidades com que o Sampaense se defronta? As condições físicas para treino e jogo estão asseguradas…continua a faltar algo à equipa?
PV
– Dois ou três pormenores. O pavilhão é nosso, mas temos um problema com o piso que é antigo e não tem sistema de caixa de ar como tem o piso do pavilhão de Oliveira do Hospital. Os jogadores acabam por sofrer um pouco com isso. Temos também o problema, nos dias mais húmidos com maior afluência de público, de muita humidade no chão do pavilhão. Por vezes torna-se impraticável. No ano passado, tivemos que ir jogar a Oliveira do Hospital por duas vezes e no jogo com o Benfica, tivemos que ir jogar ao pavilhão do Olivais na segunda parte do jogo. O pavilhão do Sampaense tem algumas deficiências ao nível da circulação de ar e precisava de ser mais estanque. No ano passado, a Câmara apoiou-nos com a renovação da cobertura que tinha caído com a tempestade e isso melhorou um pouco, mas não resolveu o problema.

CBS – Está em vista uma requalificação do pavilhão?
PV
– Não há hipótese. O problema é financeiro. O orçamento para a colocação de colunas industriais de desumidificação ronda números completamente insuportáveis. Se houvesse dinheiro, em primeira instância seria diretamente aplicado na equipa. Mas nós devemos ter um dos orçamentos mais baixos da Liga.

CBS – Qual é o valor do orçamento para a presente época?
PV –
É um valor variável que ronda os 130, 140 mil Euros. A Câmara Municipal garante o subsídio maior de 75 mil Euros. E a Fundação Serafim Marques assegura o segundo maior subsídio. Mas, poderemos considerar que, à luz de outros desportos, um jogador do Benfica absorve o nosso orçamento anual. A luta passa por encontrar oportunidades de ajudar o clube, por vezes até penalizando a nossa própria vida profissional. Andamos sempre a ver se conseguimos alguma coisa para o clube. Não vejo outra alternativa.

CBS – O sampaense corre o risco de não continuar com a equipa sénior?
PV –
Isto é claríssimo. Se a Câmara e o comendador Serafim Marques deixarem de apoiar tal como apoiam, não há como sustentar uma equipa na 1ª divisão. Porque nós temos que ser sinceros. Um atleta da 1ª divisão tem que ter uma certa dignidade.

“… para solidificar essa história, um título seria o ideal”

CBS– Quais considera serem as equipas que mais luta poderão dar ao Sampaense?
PV-
O Porto e o Benfica são sempre equipas de outro campeonato como se costuma dizer. A própria realidade dos clubes é diferente, porque toda a gente que lá está é profissional. A nossa direção, por exemplo, não é profissional e temos jogadores que são estudantes. A Ovarense é sempre um clube difícil. O Vitória de Guimarães também se afigura difícil. Agora também vamos conhecendo melhor as equipas com o desenrolar dos jogos.

CBS – O sampaense já ocupa um lugar de distinção no basquetebol nacional…
PV –
Eu arrisco-me a dizer que o Sampaense é mais conhecido fora de Oliveira do Hospital e de São Paio de Gramaços do que cá. Se falar com alguém ligado ao basquetebol, toda a gente conhece o Sampaense.

Nós temos quatro títulos de campeão nacional, estivemos presentes em mais duas finais, conseguimos uma subida de divisão ficando em segundo lugar nessa época e, foi uma subida com direito desportivo e não burocrática. Somos um clube com algumas credenciais. Agora é assim, para solidificar essa história, um título seria o ideal.

Um campeonato depende da regularidade das equipas. É difícil de ganhar e aceder aos playoff e depois também ganhar ao Benfica ou ao Porto. O Sampaense já ganhou a todas as equipas em Portugal, menos ao Benfica e espero que seja nesta época. Mas as diferenças de valores são imensas.

O que era bom era que houvesse maior adesão e apoio nos jogos. Gostava que as pessoas sentissem que o que o Sampaense faz é, sobretudo, para levar longe o nome da nossa terra.

CBS – O sampaense Basket não se esgota na equipa sénior. Há também todo um trabalho de formação. Como carateriza esse projeto?
PV
– aqui estará talvez o maior handicap do clube, que é o de não conseguir gerar valores para poderem integrar a equipa sénior. Já chegámos a integrar atletas da formação, mas não podemos dizer que são titulares no sampaense, ou em outro clube qualquer. O princípio base da formação não é preparar um jogador para ganhar dinheiro.

O objetivo é formar jovens saudáveis, com orientação e regras. Se, depois disso tudo, conseguirmos ter um atleta é otimo. Mas o número de jovens que se consegue cativar para o basket – o futebol, o hóquei e o futsal competem muito connosco e o basket acaba por ser um desporto não tão conhecido – não nos permite ter aquela seleção.

Agora temos um jovem com muito valor que vai à seleção nacional, o João Silva, e tem todas hipóteses de ter um futuro brilhante na modalidade.

LEIA TAMBÉM

“A minha luta ainda é de tentar que o sr presidente caia nele e veja que só foi eleito para ser presidente e não para ser dono da Câmara”

António Lopes admite em entrevista ao correiodabeiraserra.com que a solução política que defendeu  “não foi …

“O senhor presidente da Câmara diz que cumpre a lei, mas neste momento está em incumprimento claro”

O empresário a quem o município de Oliveira do Hospital não autoriza o arranque das …