“São Restos” encerra ciclo de obras literárias de Manuel Cid Teles

 

O lançamento do livro que reúne os últimos escritos de Manuel Cid Teles constituiu, hoje, o ponto central da cerimónia de inauguração da Biblioteca Municipal de Oliveira do Hospital.

“São Restos” é o nome do trabalho literário que encerra o ciclo literário do artista multifacetado falecido em 2009 e que engrandece o legado do autor, bem como a riqueza cultural de Oliveira do Hospital.

A obra reúne um conjunto de poemas que o escritor registou, em jeito de rascunho, em papeis soltos que acabaram perdidos entre os seus pertencentes, mas que tinham o seu “herdeiro universal” como destino. Isto mesmo foi, hoje, assim explicado por António Simões Saraiva a quem, Cid Teles, dirigiu muitos dos seus escritos.

“No meio da papelada e lixeirada apareceram livros velhos que diziam que era para serem entregues a Simões Saraiva”, referiu o amigo pessoal do autor, contando que no processo de recolha do legado de Cid Teles muito contribuiu o também amigo Paulo Marques e Rosa Lobo. Contudo, a esta última, a quem é reconhecida a forte amizade e proximidade que mantinha com o escritor, coube essencialmente o papel de traduzir os escritos de Cid Teles.

Foi com várias declamações de poemas proferidas, entre outros por Álvaro Assunção, Rosa Lobo, José Vieira e com os elogios rasgados de Simões Saraiva e Francisco Correia das Neves – autor do prefácio de “São Restos” – que a obra foi lançada, passando a constar da sala que a nova biblioteca reserva, em exclusivo, para as publicações de autores concelhios.

Para além da escrita – Cid Teles deixa 1884 quadras, 220 sonetos, 38 folhas soltas e 58 outros poemas – o autor deixa também o seu cunho na música e na pintura. “Salvei 130 pinturas que estão em exposição no Museu D. Emília Vasconcelos Cabral”, contou Simões Saraiva, fazendo ainda questão de referir que o mobiliário de sua casa também se encontra naquele espaço e que os “12 mil contos que deixou em dinheiro foram doados à Casa da Obra”.

Por todos estes motivos, o presidente da Junta de Freguesia de Oliveira do Hospital – foi o mentor das comemorações do centenário do autor – defendeu hoje que o nome de Manuel Cid Teles deveria passar a ser “uma marca turística de Oliveira do Hospital”.

“Muitas vezes esquecemo-nos do bem que temos cá e vamos buscar outras relevâncias”, observou Nuno Oliveira, lembrando que Cid Teles é “uma personalidade de Oliveira do Hospital e deverá ser um orgulho para os oliveirenses”.

Para a vereadora da Educação e Cultura da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, Graça Silva, o lançamento do último livro de Cid Teles faz do 10 de junho de 2011 um “grande dia”.

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