SAP de Oliveira do Hospital vive dias de verdadeiro congestionamento

Não demorou muito para que, no dia 4 de janeiro, o período pós almoço no Serviço de Atendimento Permanente (SAP) do Centro de Saúde de Oliveira do Hospital se viesse a transformar num verdadeiro caos.

Apesar de ao início da tarde – às 13h40 – não existir nenhum utente na sala de espera para ser consultado, rapidamente aquele espaço se tornou quase irrespirável com a constante chegada de pessoas.

Uma afluência que não era contudo colmatada pela chamada do médico de serviço que se via obrigado a prestar socorro à vítimas que ao longo da tarde ali foram chegando através de ambulância.

No período de menos de três horas foram cinco as ambulâncias que acorreram ao SAP oliveirense. A novidade recai contudo no facto de três pertencerem à corporação de bombeiros de Vila Nova de Oliveirinha, concelho de Tábua. Uma situação que já não é nova no SAP de Oliveira do hospital e que é consequência direta do encerramento do serviço de urgências do Centro de Saúde de Tábua que, desde há alguns meses, funciona apenas em regime de consulta alargada.

“Todos os casos urgentes são canalizados para Oliveira do Hospital ou para Arganil”, confirmou este diário digital num contacto estabelecido com aquela unidade de saúde.

Intoxicação, falta de ar e quedas foram alguns dos episódios conduzidos por ambulância ao SAP oliveirense, local onde também foi chamada a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER).

Uma verdadeira prova de fogo para o médico e restante equipa que ontem se encontravam de serviço e que foi reconhecida por todos os utentes que ali resistiram à espera de consulta.

Uma espera que a cada minuto se revelava mais penosa. Por volta das 16h30, era possível contar, entre utentes e acompanhantes, cerca de 30 pessoas na sala de espera do SAP, sendo que àquela hora o número de utentes à espera de consulta se aproximava das duas dezenas.

“Isto não acontece só hoje, é todos os dias assim”, ouvia-se entre os presentes. Entre as vozes que na primeira semana do ano também se queixavam do custo excessivo da taxa moderadora – passou de 3,85 para 10 Euros – era visível o descontentamento por os episódios de urgência do concelho de Tábua serem canalizados para Oliveira do Hospital, onde só existe um médico e não para Arganil onde há dois médicos ao serviço.

Resolvidos e encaminhados os casos de verdadeira urgência, já passava das 17h00 quando o médico começou a prestar atendimento aos doentes que ali acorreram por via normal – entenda-se sem transporte de ambulância e por acesso direto ao balcão de atendimento. Na prática, demorou perto de quatro horas para que o utente que efetuou inscrição às 13h40 fosse visto pelo médico (17h30).

SAP “até já nem tem enquadramento legal” e não prevê reforço médico

Ainda que o SAP do Centro de Saúde de Oliveira do Hospital tenha vindo a assistir ao aumento dos episódios de urgência que ali acorrem via ambulância, tal facto não tem associado o reforço da equipa médica.

Isto mesmo foi garantido esta manhã a este diário digital pelo diretor do Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Interior Norte I que referindo-se ao SAP como sendo um modelo antigo, garantiu que o mesmo apenas prevê o funcionamento com recurso a um médico, um enfermeiro, um administrativo e um auxiliar.

Confrontado por este diário digital acerca do entupimento que é cada vez mais frequente no serviço de urgências oliveirense, António Sequeira revelou-se disponível para averiguar a situação, advertindo porém que a decisão de um utente de Tábua ser transportado para Oliveira do Hospital ou para o SUB de Arganil parte do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) e tem por base uma avaliação que é feita ao estado da vítima. “É uma avaliação médica e não nos podemos opor”, refere o responsável pelo ACES, verificando que as situações de entupimento não se esgotam em Oliveira do Hospital e são visíveis um pouco por todo o lado, dando mesmo o exemplo do serviço de urgência dos Hospitais da Universidade de Coimbra.

No que respeita à realidade de Oliveira do Hospital, António Sequeira lembra que o modelo de SAP “até já nem tem enquadramento legal”, pelo que – segundo contou – está a ser avaliada uma proposta no sentido de reorganizar as consultas de urgência em Oliveira do Hospital. A alternativa não deverá assentar no modelo de Serviço de Urgência Básica semelhante ao que existe em Arganil, porque “a rede ficou desenhada e a criação de mais SUB não está em cima da mesa”.

António Sequeira espera, contudo, ao longo deste ano poder suprir a falta de clínicos para o serviço de ambulatório por via dos novos médios com exame marcado para fevereiro. “Já fizémos o pedido à ARS e esperamos que os médicos escolham Oliveira do Hospital”, confidenciou o responsável pelo ACES que, desta forma, pretende colmatar a aposentação de dois médicos e conseguir atingir o número de médicos necessário para que todo o concelho fique coberto em matéria de acompanhamento familiar. “Temos 12 médicos e deveríamos ter 14”, contou, explicando que este é o número de médicos exigido para os 23 mil utentes inscritos no centro de saúde de Oliveira do Hospital”.

LEIA TAMBÉM

Alexandrino acusa alguns médicos de “boicote” ao SAP “numa tentativa de ele fechar” e coloca em causa qualificação de um clínico

O presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital teceu hoje duras críticas a “alguns …

Saúde em Oliveira do Hospital continua envolta em crise, utentes queixam-se e presidente da Câmara reconhece que solução não está nas mãos da autarquia

Uma utente não conseguia disfarçar a sua indignação por não ter, mais uma vez, conseguido a …