“Se alguma República se implantou em Portugal foi em 25 de Abril”

Convidado para participar no encontro temático “…da Monarquia à República” promovido pelo Agrupamento de Escolas da Cordinha e realizado na sala de Teatro da Sociedade Recreativa Ervedalense, António Lopes recuou na história de Portugal e do mundo para verificar que “a República que hoje temos não é uma coisa nova de 100 anos”.

Sem nunca se opor ao regime monárquico – “Espanha e Inglaterra têm uma monarquia e não consta que estejam piores do que nós”, frisou – o presidente da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital sublinhou o atraso verificado na entrada em vigor da República em Portugal.

“Se alguma República se implantou em Portugal foi em 25 de Abril”, considerou, verificando que “até à guerra do Ultramar, em Portugal só os filhos da Nobreza é que entravam no meio militar”.

Estabelecendo constantes paralelos com a história, António Lopes lamentou que por altura da comemoração do Centenário da República “ainda não haja democracia em Portugal”.

Confiante de que “um dia ainda exista democracia”, o presidente da AM, considerou que o que existe actualmente são “ditaduras mais musculadas e menos musculadas”.

E relativamente à República Portuguesa revelou-se ainda crítico, por em Portugal vigorar um sistema parlamentar. “Temos este sistema representativo que tem as dificuldades que tem”, observou.

Embora tenha verificado que “se alguma república se implantou em Portugal foi em 25 de Abril”, Lopes não se escusou também em observar que à semelhança do que aconteceu até àquela data no domínio militar, também agora se continua a verificar igual cenário no domínio da banca e da economia.

“As pessoas mais preparadas é que conseguem vingar mais na vida”, sublinhou, constatando porém que – “tal como eu”, frisou – “a massa do nosso povo também vai lá chegando”.

Com a última campanha eleitoral ainda fresca na memória, Lopes referiu-se àquele episódio como uma “triste experiência”, porque “as pessoas vêem o voto como uma forma de melhorar a vida e de resolver problemas pessoais”.

Notícia de implantação da República não chegou atrasada a Oliveira do Hospital

Participado por Duarte Lencastre, assumido monárquico, António Simões Saraiva e Francisco Antunes, o encontro ficou ainda marcado pela revelação da verdadeira história do feriado municipal de Oliveira do Hospital, que se assinala dia 7 de Outubro.

Ainda interpretada por muitos como a data em que o povo de Oliveira do Hospital tomou conhecimento da implantação da República em Portugal, a efeméride tem adjacente uma outra versão que, ontem, foi partilhada pela professora da Escola Secundária de Oliveira do Hospital, Maria da Glória Vaz Patto, e que consta de uma acta da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital datada de 6 de Outubro de 1910.

“Neste dia houve uma reunião de Câmara, cuja acta fala da implantação da República”, contou a professora, aludindo ainda a um jornal da época que, na edição de 6 de Outubro, fazia referência à implantação da República ocorrida na véspera em Portugal.

Segundo, explicou, no dia 7 de Outubro, a “República” foi muito aclamada em Oliveira do Hospital e mais tarde, em Novembro de 1910, foi escolhida aquela data para assinalar o dia do município de Oliveira do Hospital.

Defensor do regime monárquico, Duarte Lencastre aproveitou para recordar que Avô foi “a última vila do país que teve uma Monarquia”. Ao presidente da AM, chegou a sugerir que seja criada uma rota dos vários locais concelhios, onde “muitos fulanos foram perseguidos pela República”.

Aludindo a vários aspectos históricos que marcaram a passagem da Monarquia à República, Francisco Antunes e António Simões Saraiva confessaram-se agradados pela iniciativa organizada pelo Agrupamento de Escolas da Cordinha e que permitiu estabelecer a ligação entre a escola e a comunidade.

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