Se não gostarmos de nós, quem gostará?

Em muitas situações, a vida faz com que, para seguirmos o nosso caminho, tenhamos de nos afastar das coisas que mais gostamos. Nem sempre o futuro se compadece de fatores emocionais e nem sempre o tempo é capaz de esperar por um último abraço.

Foi assim que, em 2009, tive de sair da minha casa, da minha terra, das maiores paixões de toda a minha vida, para perseguir um sonho. Concretizei-o e fui ganhando outros pelo caminho, enquanto continuava a ter uma única certeza: um dia quero voltar.

E fui voltando. E voltei. Algumas vezes trouxe gente comigo, outras levei esta terra no bolso esquerdo da camisa, espalhei-a como um postal ilustrado de quem sou, fiz questão que todos a conhecessem. As histórias de um Império que teve aqui a sua Splendissimae Civitas, as lendas memoráveis de um cavaleiro heroico, o mergulho gostoso na frescura do Alva e do Alvôco, os encantadores nasceres do sol no topo do Colcurinho, o sabor forte e sempre presente do Queijo Serra da Estrela sobre o melhor pão do mundo, acompanhado pelos copos de bom vinho.

Contei também histórias de gente boa, de noites bem espirituosas e com alegria, de quem resiste e está aqui, bem no Interior de Portugal, a lutar por ser maior. Histórias de gente a quem tentam tirar tudo e, nem assim, abandona o seu posto, o de dar o seu melhor por aquilo que ainda aí vem.

A contar histórias, disse sempre a verdade. E, quem já veio a Oliveira do Hospital comigo pôde comprovar que eu não estava a mentir. E cada um de nós, e sei que somos muitos, que tem orgulho nesta terra e nestas gentes, deve fazer isso – trazer um amigo também. É no nosso amor, na nossa vontade de mostrar o quanto gostamos de tudo isto, que também está o desenvolvimento da nossa terra. É com este orgulho que também podemos fazer muito, até porque o amor às vezes é uma emoção contagiante.

Esta é uma terra a que se vem e se quer voltar. Este é o sítio onde encontrei sempre um porto de abrigo, longe da confusão e do stress. Este é o sítio que tive, em muitos dias, longe da vista mas sempre no coração. Sei que vou voltar para ficar. Até lá, tenho a minha Oliveira presente em tudo o que faço, porque ser daqui não se desliga, não é uma coisa “de ir e vir”.

E vale também a pena dizer que…

– A Volta a Portugal em Bicicleta voltou a passar em Oliveira do Hospital. Esta é daquelas coisas que também contribui para que o nosso nome vá chegando mais longe, aliado a um apoio importante e necessário a uma das provas mais importantes do desporto português.

– A Filarmónica Avoense comemorou 147 anos no passado dia 15 de agosto. O trabalho que fazem, absolutamente imponente ao nível da sua musicalidade e ainda mais grandioso se tivermos em conta o esforço pessoal que todos os seus elementos fazem em prol deste projeto, merece calorosas felicitações. Já pude partilhar o palco com eles, em iniciativas várias, e é com grande contentamento que envio este cumprimento.

– Assisti em Gouveia, numa sessão de cinema ao ar livre, ao filme A Gaiola Dourada. É um filme inteiramente produzido com fundos franceses, mas com muito de português. Excelente para conseguir perceber o que é a vida dos emigrantes na Europa e muito propício para bons momentos em família. Espero que chegue rápido à Casa da Cultura César de Oliveira.

Pedro Coelho

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