“Se soubesse que o concelho estava bem entregue, eu nem seria candidato”

Com um discurso crítico e muito direccionado para o actual executivo camarário do PSD, José Carlos Alexandrino insistiu na tecla de que é “um homem livre com um pensamento independente” – “isso até está a incomodar muita gente”, sublinhou –, e sustentou que o PS o convidou para tentar conquistar a presidência da Câmara de Oliveira do Hospital por saber que ele é “um homem sério, um homem de causas e determinado”.

Insurgindo-se contra “um poder que – na sua óptica – quer controlar tudo e todos”, José Carlos acusou ainda o poder instituído de estar a exercer uma “enorme pressão” sobre candidatos que têm vindo a ser contactados pela sua candidatura para fazerem parte das listas às eleições autárquicas do dia 11 de Outubro.

O candidato do PS elevou mesmo o tom de voz para garantir que “se o povo de Oliveira do Hospital” o eleger como presidente da Câmara, “não haverá nenhuma junta de freguesia que tenha de mudar o seu sentido de voto” para que consiga realizar determinadas obras. “isto é uma vergonha”, afirmou o candidato, dando conta de que o executivo presidido por Mário Alves tem vindo a “boicotar” o trabalho de algumas juntas governadas pelo PS.

Prometendo pôr todo o seu “saber”, a sua “experiência” e “determinação” ao serviço do concelho, o candidato socialista disse que já há indicadores que demonstram que o município de Oliveira do Hospital está a perder cada vez mais importância no distrito de Coimbra, e salientou que as próximas autárquicas não vão ser uma luta entre PS e PSD, mas antes “uma luta entre projectos políticos” que as duas candidaturas preconizam para Oliveira do Hospital.

 

Mário Alves “é perito em andar nos tribunais” 

José Carlos, que se assumiu como uma pessoa determinada em gerar consensos, entrou depois no campo das comparações, garantindo que entre ele e Mário Alves há pelo menos uma grande diferença. É uma diferença que, conforme sublinhou, se centra sobretudo ao nível do clima de conflitualidade que se instalou em Oliveira do Hospital.

Acusando Mário Alves de ser “perito em andar nos tribunais”, o cabeça-de-lista do PS sentenciou que “um presidente, depois de ser eleito, tem de ser um traço de união entre as pessoas”.

Para criar um clima de diálogo entre o poder político e os cidadãos, Alexandrino avançou mesmo com uma das suas primeiras promessas eleitorais, ao dar conta de que se for eleito, vai instituir na Câmara Municipal a figura do “Provedor do Município”, que será “a voz do cidadão”.

“Nomearei um cidadão independente”, disse Alexandrino, afiançando não ter “medo de ouvir as pessoas para tentar encontrar soluções”.

Criticando o actual presidente da Câmara por uma postura de sistemática desresponsabilização – “quando alguma coisa falha, vem logo dizer que a culpa foi do técnico… a culpa é sempre dos outros”, observou – Alexandrino prometeu estar sempre pronto a assumir os seus erros e salientou ser um candidato com uma “vasta experiência de trabalho em equipa”.

O candidato socialista, que este mês decidiu suspender o cargo de director da Caixa de Crédito Agrícola de Oliveira do Hospital até ao final das eleições, teceu também duras críticas aos “interesses pessoais que predominam” no actual poder autárquico e se sobrepõem ao “interesse colectivo”.

“O concelho vai ter que vencer a mediocridade e os interesses” que giram em volta do actual presidente da Câmara”, afirmou o antigo presidente da EBI da Cordinha, lançando uma pergunta para a plateia: “Acham que este concelho vai aguentar mais quatro anos da forma que tem sido gerido?”.

Prometendo a constituição de uma equipa com “pessoas competentes” – “pessoas que estão para servir o povo, e não para se servirem do povo, conforme salientou –, Alexandrino disse ainda que já não se instala uma empresa em Oliveira do Hospital “há cerca de 12 anos”, e lamentou o facto de não ver o presidente da Câmara a preocupar-se com esta questão, contrariamente aos autarcas de municípios vizinhos.

“À Câmara o que é da Câmara, e aos empresários o que é dos empresários… era assim, e com desdém, que o senhor presidente me respondia, quando o interpelava na assembleia municipal”, referiu o cabeça de cartaz dos socialistas.

“Eu não tenho medo que alguém saiba mais do que eu” 

Defendendo que o concelho  “só pode ser construído através da riqueza”, o também director do Núcleo de Desenvolvimento Empresarial do Interior e Beiras (NDEIB), salientou ainda que uma das linhas mestras da sua candidatura vai ser o desenvolvimento empresarial que, em sua opinião, deverá ser promovido em parceria com a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital e outras universidades.

“Eu não tenho medo de quem saiba mais do que eu”, realçou o candidato do PS, criticando o facto de o município de Oliveira do Hospital nunca ter sido “capaz de criar empresas municipais”.

De resto, Alexandrino considerou os vales do Alva e Avôco “como uma zona de beleza extraordinária” que pode ser “um cartão de visita” para o concelho, e disse estar muito satisfeito com o contributo que aquele fórum deu para a elaboração do seu programa eleitoral, que – conforme especificou –, “está em construção”.

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