Seis mil oliveirenses podem ficar sem Televisão

… os deputados do PS, BE e PCP para “o adiamento do apagão da TV analógica até que seja encontrada uma solução técnica para as designadas zonas sombra”.

Responsável autárquico num concelho onde se estima que cerca de seis mil pessoas possam ficar sem televisão decorrente do apagão do sinal analógico previsto para 26 de abril de 2012, José Francisco Rolo foi ontem à Assembleia da República alertar os deputados dos grupos parlamentes do PS, BE e PCP para uma realidade que, a nível nacional, poderá afetar um milhão e 300 mil portugueses.

Acompanhado pelos presidentes das juntas de freguesia de Alvôco de Várzeas e Penalva de Alva (concelho de Oliveira do Hospital), Piódão (Arganil) e Vide (Seia), José Francisco Rolo sensibilizou os deputados para o processo de exclusão inerente ao anunciado apagão, já que com a entrada em vigor, de modo definitivo, da Televisão Digital Terrestre (TDT) a taxa de cobertura se vai ficar pelos 87 por cento, ficando os restantes 13 por cento da população desprotegida no que respeita à receção de sinal de TV.

Em causa estão as designadas zonas sombra, que são realidade em cada um dos três concelhos, ontem, representados na audiência com os deputados e a cujas populações a PT não está a facilitar o processo de transição, obrigando-as a uma despesa extra e a que não estão sujeitos habitantes das zonas com boa receção do sinal.

“É um escândalo nacional”, considera o vice-presidente da autarquia oliveirense que junto dos deputados  teve a oportunidade de criticar a atitude “autista” da PT que com o apagão definitivo previsto para 26 de abril vai “privar um milhão e 300 mil portugueses da liberdade de ver televisão pública que já é paga através da taxa de audiovisual”.

Críticas que Rolo não centra apenas na PT e que estende à entidade reguladora ANACOM por “cumplicidade em todo o processo”.

“Há uma campanha maciça e hostil para subscrever TV por cabo”

No encontro que ontem teve com os deputados do PS, BE e PCP – aguarda agendamento de reunião com os deputados do PSD, CDS  e com o governo – o vice-presidente do município oliveirense denunciou ainda aquilo que tem sido a prática da PT que, ao invés de solucionar o problema da falta de sinal digital nas designadas zonas sombra, está apostada em aumentar o número de subscritores de TV por cabo.

“Há uma campanha maciça e hostil para subscrever TV por cabo”, adianta José Francisco Rolo que ontem também constatou que nem os próprios partidos políticos têm noção da verdadeira dimensão do problema.

“Ainda não tinham percebido que mais de um milhão de pessoas, se não tiver aparelho ou subscrever TV por cabo, deixa de ter acesso à televisão”, sublinha, lamentando ainda que tal aconteça maioritariamente em zonas do interior já sacrificadas pela frequente perda de outros serviços.

Em face de uma melhoria tecnológica que conduz à maior qualidade das emissões televisivas, Rolo não aceita que tal obrigue a uma redução na taxa de cobertura. “Com o sinal antigo, o analógico, a taxa de cobertura era de 98 por cento e com um sinal mais evoluído, digital, a taxa de cobertura fica-se nos 87 por cento”, constata.

A pouco mais de duas semanas para que sejam desligados alguns dos transmissores de sinal analógico – acontece a 12 de janeiro – e perspetivando-se o apagão total para 26 de abril, os autarcas solicitaram ontem aos deputados para que intercedam junto do governo no sentido de conseguir um adiamento do apagão junto da PT e Anacom até que seja encontrada uma solução técnica.

Solução que, segundo Rolo, já está a ser implementada em localidades do Alto Minho e Mira D’Aire e que se deseja que seja extensível a todas as zonas sombra.

O vice-presidente da Câmara Municipal lembra que a PT tem a obrigação de cumprir a missão social que consta dos seus estatutos. É que o autarca não vê com bons olhos que mais de um milhão de portugueses fique privado de TV no dia imediatamente a seguir àquele em que se assinala a liberdade.

São Sebastião da Feira, Avô e Alvôco de Várzeas são as três freguesias do concelho onde a receção de sinal digital é zero. Em São Gião, a TDT tem uma cobertura de 2,9 por cento e em Penalva de Alva fica-se nos 21 por cento. Lajeosa e Vila Franca da Beira são as únicas freguesias do concelho onde a cobertura é total.

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