“Sem cadastro é impossível as ZIF funcionarem em pleno”

 

Conhecida por ter sido responsável pela constituição, há quatro anos, da primeira Zona de Intervenção Florestal (ZIF) em território nacional, a CAULE – Associação Florestal da Beira Serra continua a esbarrar com parcelas de floresta abandonadas.

Ainda sem resolução, o problema já anteriormente tinha sido lançado pelo presidente da CAULE pelo facto de a associação florestal não conseguir colocar em marcha os propósitos que estiveram na base da criação das ZIF.

“Sem cadastro é impossível as ZIF funcionarem em pleno”, alertou José Vasco Campos, no decorrer da sessão “A importância da floresta na economia local” organizada pela Escola Básica Integrada da Ponte das Três Entradas.

A divisão florestal e o êxodo rural são, no entender de José Vasco campos, as principais razões para o abandono florestal com que a CAULE se tem vindo a deparar, desde que tenta colocar em marcha no terreno um modelo de organização e planeamento florestal. “Uma ZIF é um condomínio florestal”, explicou o engenheiro florestal, lamentando que a falta de identificação dos proprietários esteja a atrasar todo o processo.

É que, segundo explicou José Vasco Campos importa responsabilizar os proprietários pelos seus espaços florestais, ou então “ceder” a responsabilidade para outros. “Não podemos ter parcelas abandonadas”, observou, referindo que a CAULE continua à espera que o Estado disponibilize o cadastro florestal para que “este abandono seja diminuído”.

Sem condições para poder avançar com datas concretas, José Vasco Campos acredita que “em breve” vai poder contar com o cadastro do concelho de Oliveira do Hospital. Numa sessão onde se discutia a importância da floresta, o presidente da CAULE alertou ainda para a propagação das acácias, que está a criar “problemas gravíssimos na biodiversidade”.

“Onde há acácias não há mais nada”, frisou, opondo-se à ideia do município de Oliveira do Hospital de promover a rota das acácias. Pelo contrário, apelou à proteção de espécies autóctones como o azevinho e a azareira. “Estas florestas devem merecer atenção da nossa parte”, frisou.

Colaborante com as várias ações dinamizadas pela EBI da Ponte das Três Entradas, José Vasco Campos apreciou a qualidade do trabalho que está a ser desenvolvido pelos vários grupos em atividade na escola, em especial o projeto Rios. “Tiro o chapéu ao trabalho que têm vindo a desenvolver”, frisou.

Para além de evidenciar as práticas autárquicas em prol da floresta, o vice-presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital destacou a criação da Plataforma para o Desenvolvimento da Região Interior Centro enquanto estrutura de investigação e desenvolvimento ligada à produção de biocombustíveis. “O objetivo é tornar o concelho auto sustentável do ponto de vista energético”, explicou José Francisco Rolo.

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