Sessões de cinema não atraem em Oliveira do Hospital

Em Oliveira do Hospital o hábito de ir ao cinema começa a cair cada vez mais em desuso. E a comprovar tal facto estão os números de adesão às sessões de cinema da Casa da Cultura César Oliveira em 2011 e que, em pelo menos dois meses, nem chegaram a acontecer por falta de público.

Tomando por base o número de bilhetes vendidos, em 2011 registou-se uma perda situando-se a venda nos 1601 ingressos. Um número que fica muito aquém daquele que foi alcançado em 2010, em que a Casa da Cultura contabilizou mais de dois mil bilhetes vendidos.

Números que não deixam de preocupar a vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital que fala de uma redução “drástica”. De acordo com Graça Silva, o desinteresse pelo cinema entre os oliveirenses não se esgota apenas nas habituais sessões de fim-de-semana e estende-se também a outras ofertas como os “mestres do cinema” que também não se revelaram atrativas. “Acabámos por desistir desta experiência por falta de púbico” referiu.

Tomando por base um desinteresse que não é de agora, Graça Silva referiu porém que em 2011 houve a preocupação de não fazer coincidir sessões de cinema com outra programação cultural. Do mesmo modo – contou – também se conseguiu reduzir nos custos em horas extraordinárias, traduzindo-se numa poupança na ordem dos quatro mil Euros.

Como forma de contornar a reduzida adesão, Graça Silva conta que o município tem apostado mais na animação infantil, quer na calendarização de sessões de cinema para os mais novos, quer até de atividades que envolvam as crianças, porque isso é sinónimo de “casa cheia”.

Constatando que o desinteresse por cinema em Oliveira do Hospital não decorria da “falta de estratégia do anterior executivo”, o vereador do PSD na Câmara Municipal sugeriu, em reunião de executivo, a calendarização de outro tipo de atividades como o debate entre os jovens como forma de encher o auditório da Casa da Cultura.

Na opinião de Mário Alves a redução de afluência às salas de cinema “é uma questão nacional”, porque “é caro”, pelo que chegou até a sugerir que o município aposte na compra de DVDs e faça a sua exibição de forma gratuita.

O vereador do movimento independente “Oliveira do Hospital Sempre” questionou, porém a qualidade dos filmes exibidos em Oliveira do Hospital por verificar que, no último ano, a despesa do município no aluguer de filmes diminuiu. Uma redução que, segundo Grça Silva se deve ao facto de o município ter de alugar filmes de bobina que, quando chegam ao concelho “já vêm fora de tempo e já foram vistos nos grandes centros”.

Para o vice-presidente da Câmara Municipal, o afastamento das pessoas das salas de cinema está diretamente ligado à possibilidade que hoje em dia é dada aos jovens de poderem aceder a filmes via computador ainda antes de estrearem no grande ecrã. “Isto mata os cinemas das grandes salas”, verificou José Francisco Rolo.

O desinteresse dos oliveirenses não afeta, contudo, a Biblioteca Municipal de Oliveira do Hospital. De acordo com Graça Silva, a biblioteca regista uma média mensal de 500 utilizadores, sem contar com as crianças que frequentemente participam nas atividades didáticas e na animação de Natal.

“Em dezembro tivemos 803 crianças e em novembro 757”, contou, verificando que a adesão à Biblioteca – ao contrário do que acontece em Lagares da Beira, como referiu – “está a subir de forma bastante interessante”.

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