Sócrates, o autêntico, proclamava a sua ignorância como pressuposto para aprender mais sobre si mesmo e os outros.

Só sei que nada sei

Ao declarar o seu desconhecimento de muita coisa, este Sócrates mostrava-se assim aberto ao conhecimento e revelava a humildade dos que quanto mais sabem mais consciência têm do muito que têm para aprender.

Infelizmente, em Portugal não lidamos com esse Sócrates mas com um outro. Este, por seu turno, não só não sabe que nada sabe como quer convencer-nos de que sabe tudo.

Veja-se, a esse título, a última mensagem de Natal do primeiro-ministro na qual reclamava para si os louros – um apontamento clássico fica bem neste contexto – da descida das taxas de juro no crédito à habitação. Logo na altura levantaram-se vozes denunciando a fraude. E era de fraude que se tratava.

O governo português não foi nem é tido nem achado nessa descida. Nem pode ser. Basta perder meio minuto a consultar os tratados para perceber o logro. O Banco Central Europeu é absolutamente independente das influências dos governos.

Sócrates achou que estávamos todos distraídos. Que íamos rejubilar pela habilidade negocial do governo. Que não íamos dar pela marosca.

Ao contrário do Sócrates que procurava a verdade acima de tudo, este, o outro, tentou fazer-nos passar por tolos. Mas não foi bem sucedido.

Andou bem o Dr. José Ribeiro e Castro, ex-líder do CDS-PP e deputado europeu, quando escreveu ao Presidente do Banco Central perguntando se, sem que ninguém tivesse dado por isso, os tratados tinham sido alterados e Sócrates, o nosso, passasse a poder ditar-lhe o que fazer.

Como não podia deixar de ser, Jean Claude Trichet respondeu o que já se sabia. O Banco Centrai não recebe ordens do Terreiro do Paço e as declarações de Sócrates não correspondem à realidade. São palavras daquelas a quem o vento costuma dar o destino costumeiro.

O governo ficou a saber que as suas declarações demagógicas, pensadas para serem usadas para consumo interno aqui no nosso cantinho, não passam desapercebidas nas instituições europeia. Doravante Sócrates, o político, vai pensar duas vezes antes de fazer declarações absurdas como as do Natal passado. Ou talvez não.

Esta resposta do BCE, clara e taxativa, pôs a nu a forma como este governo vem fazendo política. Declarações pomposas que não correspondem à realidade. Milagres tecnológicos pejados de erros de português. 150.000 postos de trabalho que nunca existiram. A lista é infindável.

Enquanto o primeiro Sócrates preferiu tomar cicuta a renegar as suas convicções, este Sócrates força-nos a tomá-la todos os dias embrulhada em cápsulas de demagogia. Estão todos avisados. Só engole quem quer.

Luís Lagos
Vice-Presidente do CDS/PP

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