“Sobreviventes ainda se vão matar uns aos outros”

Debaixo da ameaça de um ciclone, previsto para esta terça-feira, os filipinos tentam sobreviver no meio da destruição provocada pelo supertufão Haiyan. Sem comida e sem água potável, os sobreviventes atacam as lojas e os cadáveres.

É o instinto de sobrevivência que prevalece entre os filipinos que conseguiram resistir à passagem do supertufão Haiyan que, segundo a ONU, provocou mais de 10 mil mortos, 600 mil desalojados e afetou 4,5 milhões de pessoas.

Sem água potável, comida, medicamentos e roupa, atacam casas, lojas, hospitais, escolas e até os cadáveres, à procura de algo que os ajude a continuar vivos no meio de tanta destruição.
O Governo das Filipinas enviou centenas de militares para a zona central do arquipélago – a mais afetada -, para evitar o saque, sendo detidas aquelas pessoas que furtem bens que não sejam de primeira necessidade.

“É muito difícil. É como se estivéssemos a começar de novo”, lamentava Awelina Hadloc, de 28 anos, proprietária de um supermercado.

A Cruz Vermelha Internacional denunciou, ontem, os assaltos aos seus comboios humanitários e a sua incapacidade para controlar a multidão desesperada, ensanguentada e moribunda.
“Temo que, dentro de uma semana, os sobreviventes morram de fome ou se matem uns aos outros”, disse, ao jornal espanhol “El Mundo” Andrew Pomeda, professor em Tacloban, capital da província de Leyte, a mais devastada pela catástrofe.

Para esta ilha estavam a caminho dois voluntários portugueses da Assistência Médica Internacional (AMI), que estavam já a trabalhar nas Filipinas. À TSF, Sofia Costa disse esperar encontrar “um cenário de grande tensão”. A viagem, porém, poderá não ser fácil, uma vez que ontem tinha sido acionado um novo alerta, devido à aproximação do ciclone Zoraida. Esta depressão tropical deverá tocar terra esta manhã, com chuvas moderadas a fortes, que poderão provocar inundações e desprendimento de terras.

Sete mil ilhas
No domingo, o presidente do país, Beningo Aquino, decretou o estado de emergência nacional e lançou um pedido de ajuda à comunidade internacional, ao qual Portugal também já respondeu. O governo filipino aprovou também fundos adicionais na ordem dos 18,8 milhões de euros para apoiar a população.

A tarefa, porém, revela-se complexa. As Filipinas são compostas por mais de sete mil ilhas e, ontem, várias povoações continuavam isoladas, devido às dificuldades de comunicação e à falta de energia elétrica. Por isso, os números da tragédia podem ser muito superiores.

“São mais de 10 mil os mortos e não conhecemos o número de desaparecidos”, sublinhava, aos jornalistas, o governador de Leyte.

Na ilha de Cebu, também fortemente afetada, algumas das famílias mais abastadas colocaram as suas casas, barcos e máquinas à disposição.

“Se esperamos que a burocracia decida que passo deve ser dado, não restará ninguém com vida. É nossa obrigação moral atuar”, afirmava, ao jornal espanhol “El Mundo”, o empresário Butch Carungay.

jn.pt

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