Socialista insiste no diálogo com a Estradas de Portugal

Denunciando a existência de “um contra-senso” entre o que consta da acta da reunião de 3 de Fevereiro – “a Câmara Municipal deliberou por unanimidade não aceitar a estrada”, disse o vereador socialista, frisando não ter votado a favor e ter desde logo sugerido o diálogo – e o que foi afirmado pelo presidente da autarquia em Assembleia Municipal – “disse estar disposto a sentar-se à mesa com a EP”, recordou – Rolo pediu clarificações a Mário Alves sobre o verdadeiro ponto da situação.

“Eu não disse coisa diferente na Assembleia Municipal”, começou por esclarecer Mário Alves, lembrando que, em reunião do executivo, disse não estar disposto para aceitar “nem mais um centímetro de estradas nacionais, nos moldes em que foi aceite a estrada que liga Oliveira do Hospital à Felgueira Velha”. O presidente da Câmara deixou ainda claro que só aceitaria uma transferência “se a EP assumisse a pavimentação quando necessária e procedesse à entrega de uma verba para requalificação de valetas”. Disse também ter conhecimento de que, tal como ele, também o presidente da Câmara Municipal de Arganil rejeitou semelhante proposta apresentada pela EP. “Como é que a EN 17 ficaria?”, questionou Mário Alves, perspectivando que outros municípios não acedessem à proposta da EP.

Perante a insistência de Rolo em se posicionar contra a atitude do presidente do município, Alves desafiou os vereadores a tomaram posição sobre o assunto. “Se os representantes do PS, assentes neste órgão, aceitam a proposta digam-no agora e em que condições”, sustentou. A via do diálogo voltou a ser proposta por Rolo que aconselhou o autarca a “falar e conversar com as pessoas, antes de rejeitar o que quer que seja”. “Conheça o que é que está em cima da mesa”, insistiu o socialista, recolhendo o apoio da colega de vereação, Maria José Freixinho, na opinião de quem, qualquer decisão deve ser “mediada pelo diálogo”.

Mário Alves não tardou em arremessar contra o governo, com a argumentação de que “aquilo que está a acontecer no domínio das transferências, tem sido sempre com perdas para os municípios”. “Está a haver uma perda clara de autonomia por parte dos municípios”, acrescentou Mário Alves, verificando a existência de “uma cada vez maior centralização”.

Rolo logo denunciou a incoerência no discurso de Alves, mas o autarca de imediato clarificou que o “governo está a descentralizar a despesa e a centralizar a tomada de decisões”.

Em face da argumentação do autarca, José Ribeiro de Almeida – “vereador independente que integrou a lista do PS nas últimas eleições autárquicas”, como fez questão de frisar – defendeu que “as transferências para as autarquias, devem ser precedidas pela transferência de verbas”.

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