Socialistas e autarcas da região querem IC6, 7 e 37 no pacote de 5 mil milhões anunciado pelo governo

 

“Se há disponibilidade financeira do governo de cinco mil milhões de Euros parece absolutamente inaceitável que a construção dos ICs em conjunto, ou por fases, não tenha dotação”. A afirmação foi proferida, ao final da manhã de hoje, pelo deputado do PS na Assembleia da República, natural de Oliveira do Hospital e eleito pelo círculo eleitoral da Guarda que, declarou uma espécie de guerra aberta pela construção dos itinerários complementares afetos à concessão da Serra da Estrela, que foi suspensa por imposição do PSD.

Um impasse a que Paulo Campos, juntamente com eleitos pelos círculos de Coimbra – Mário Ruivo e João Portugal – e do Porto – André Figueiredo – quer pôr cobro, defendendo para o efeito que a suspensão dos IC6 , 7 e 37 seja levantada e aquelas vias integrem o pacote de investimentos que o governo de coligação PSD – CDS/PP se prepara para lançar, no valor de cinco mil milhões de Euros.

“Neste momento estamos em ponto de viragem”, constatou o ex secretário de Estado das Obras Públicas e Comunicações, notando que apesar de os ICs terem estado sempre entre as preocupações dos deputados, é agora chegado o momento de se endurecer a luta pela construção das vias há muito reclamadas e consideradas estruturantes na região.

Uma pertinência que decorre da “sucessão de factos” verificada nos últimos dias e que está diretamente relacionada com a disponibilidade de investimento público em zonas onde o Plano Rodoviário Nacional se encontra executado a praticamente 100 por cento.

A intensificar a luta dos parlamentares está também a degradação, sem resolução à vista, da Estrada da Beira. “Desde a introdução de portagens na A25 muito trânsito foi desviado para a EN17 e os IC resolveriam o problema”, refere Paulo Campos que, criticando a demora da Estradas de Portugal em agendar reunião com o presidente da autarquia oliveirense, constata que a região está a ser “duplamente penalizada e ignorada” porque “nem tem novas infraestruturas, nem é feita intervenção na EN 17”.

A iniciar um conjunto de reuniões com os autarcas da região, Paulo Campos esclareceu que o objetivo dos parlamentares socialistas é de serem parceiros e não protagonistas numa “dinâmica” que hoje deu os primeiros passos em Oliveira do Hospital e que espera atrair autarcas, empresários e outras forças vivas da região. O objetivo, explicou o ex secretário de Estado é o de envolver toda a região num debate alargado sobre a importância das acessibilidades no desenvolvimento económico da região.

Paulo Campos surge assim à cabeça de uma “dinâmica” que nos próximos “dias e meses” ganhará contornos maiores em prol da construção dos itinerários que o governo de que fez parte se viu impossibilitado de lançar devido à “exigência de suspensão”. “Chegou a hora de se concretizarem”, regista o deputado socialista que consciente de tudo ter feito – “em quatro anos fizemos os estudos necessários que deveriam ser feitos em 10 anos”, frisou – entende ser o momento certo de “quem entende que não se fez tudo o que se deveria ter feito, agora fazer tudo de uma só vez”.

Primeiro na receção que fez aos parlamentares socialistas, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital alertou também para a urgência de construção dos IC6,7 e 37 . “É uma questão de justiça”, verificou José Carlos Alexandrino que para esta luta considera determinante o envolvimento dos deputados do PSD e do CDS-PP. É que para o autarca, neste processo “não importa quem realiza a obra, porque a estrada não terá cor”.

À espera de uma reunião com o secretário de Estado das Obras Públicas, o presidente aguarda também pela calendarização de reunião com o presidente da Estradas de Portugal que até agora tem respondido aos ofícios enviados pela autarquia com “cartas tipo”. Por resolver, continua a degradação da Estrada da Beira e consequente aumento de sinistralidade. Uma sinistralidade que, acrescentou Paulo Campos, é tendencialmente maior nos distritos de Coimbra e Guarda devido aos problemas das acessibilidades.

“Está na hora do PSD mostrar o que vale”, entendeu ainda o vice-presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital e líder da Comissão Política Concelhia do PS, José Francisco Rolo, que numa regresso ao passado lembrou os dois troços feitos por governos socialistas, verificando que em falta se encontra um terceiro troço do IC6 que “é da responsabilidade do governo PSD”.

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