Seguramente, podemos dizer que a propensão para os jogos não tem idade.

Sorte no Jogo, Azar nos amores…

Contudo, hoje, os mais novos crescem com videojogos nos computadores, nos telemóveis, nas consolas e já têm o “Magalhães” como o seu melhor amigo.

Por outro lado, para eles, a sociedade tornou-se mais insegura, as ligações familiares menos funcionais, o tempo passado na escola é cada vez maior e, consequentemente, o tempo livre mais escasso.

Com mais amigos virtuais que reais, maior propensão depressiva, mais desequilíbrios emocionais, as novas gerações depressa se tornaram fãs das “novas oportunidades” dadas pelo “Zézinho”, já que não estão para se chatear muito com os estudos. E assim, todos nós acabamos por ajudar a “crescer” esta nova geração mais individualista, virtual e caseira. Porém, atenta a estas mudanças e ao desconsolo dos miúdos, a Playstation depressa arranjou uma maneira de os “consolar”… ~

Tendo por base o crescente número de horas dadas aos jogos, o “consolismo” tornou-se uma tendência social que já leva muito boa gente a dedicar mais tempo aos videojogos do que à televisão. Com o desenvolvimento tecnológico e o realismo dos jogos a aumentar, com o crescente número de utilizadores e horas de ligação à internet, com os preços a baixar no competitivo mercado de consolas, pc’s e smartphones, tudo indica que o “consolismo” continuará a aumentar exponencialmente nos próximos anos.

Numa fase inicial, este novo desafio para o marketing resumiu-se às inserções publicitárias dentro dos jogos. Hoje em dia, o advergame ganhou outro espaço e as empresas já começam a encomendar e pensar os jogos de raiz, colocando-os nos seus sites ou nos Iphones de forma a envolver os jogadores na própria estratégia da marca. Porém, o potencial dos jogos ainda só agora começa a ser explorado e a maturidade do marketing, neste campo, só será atingida quando se perceber o que torna os jogadores compulsivos e o que será necessário para os transformar em reais “embaixadores” das marcas.

De todas as novas comunidades virtuais de jogo, a mais desenvolvida, complexa e realista (onde o jogador pode ganhar dinheiro real e não tem objectivos pré-definidos) tem o nome de Second Life (SL). A exemplo do que acontece na vida real, é o utilizador que tem que decidir o que quer desta segunda vida. António Costa, nas primeiras eleições para a Câmara de Lisboa, tornou-se o primeiro caso de estudo nacional de uma aposta política no SL. Recentemente, foi o próprio Presidente da República, Cavaco Silva, a inaugurar um espaço da Presidência na “segunda vida”.

Contudo, estas apostas têm-se revelado projectos “libelinha”, pois só parecem pensados para as 24 horas da sua inauguração e em passar uma imagem “hi-tech” das pessoas ou instituições envolvidas. Curiosamente, a maioria das apostas empresariais não têm feito muito melhor e, como acusa Philip Kotler, as organizações continuam a prestar demasiada atenção ao custo de fazer alguma coisa, mas não medem os custos de não estar a fazer nada.

É claro que perceber os utilizadores e as suas reais ambições no SL não se mostra uma tarefa fácil. Fruto das muitas horas que a segunda vida exige, a maioria dos “jogadores” são estudantes, reformados ou desempregados. No entanto, não deixou de me surpreender que, na grande maioria dos casos, sejam pessoas sem dificuldades financeiras e com um elevado potencial de carreira na vida real as que maiores dividendos monetários tiram do SL. Na verdade, afinal, também nesta segunda vida, são as capacidades de poupança e de empreendedorismo que ditam o sucesso.

Todavia, apesar de estarmos a falar do mais realista e completo simulador de vida, eu continuo a ver-me rodeado de pessoas que acham que eu estou a perder tempo e que não percebem… Não percebem que nós, professores, somos prestadores de serviços e que somos nós que temos de nos adaptar às mudanças dos clientes a quem chamamos alunos. No entanto, se nem o presente são capazes de acompanhar, terão estes professores futuro?!?… Enquanto quem os avaliar não for diferente deles, claro que sim. Todos eles têm futuro, mas, com as coisas a continuar assim, duvido muito é que estejam a dar futuro a alguém…

sugestã[email protected]
Associação Nacional de Jovens Formadores e Docentes (FORDOC)

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